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As forças armadas dos Estados Unidos realizaram, nesta quinta?feira (7), ataques contra os portos iranianos de Qeshm e Bandar Abbas, localizados na costa sul do Irã, em estreita proximidade com o Estreito de Ormuz. A informação foi divulgada pela repórter de segurança nacional da Fox News, Jennifer Griffin, que citou um alto funcionário norte?americano em condição de anonimato. De acordo com essa fonte, os bombardeios “não significam o fim do cessar?fogo nem o reinício da guerra”, em vigor desde 8 de abril de 2026.
Horas antes, a defesa aérea iraniana já havia sido ativada em Teerã e, segundo a agência estatal Mehr, também na região de Bandar Abbas, depois que a agência Fars, vinculada à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), reportou explosões na cidade de Bandar Abbas e na ilha de Qeshm. As autoridades iranianas afirmaram que os estampidos foram causados pela interceptação de “vários drones hostis”, mas não confirmaram a autoria do ataque.
Em reação imediata, o comando militar conjunto do Irã declarou que responderá “de forma poderosa e sem a menor hesitação”. Pouco depois, a mídia estatal iraniana, citando uma autoridade militar não identificada, noticiou que Teerã lançou mísseis contra três destróieres norte?americanos nas proximidades do estreito, forçando?os a recuar para o Golfo de Omã após sofrerem danos.
O Comando Central das Forças Armadas dos EUA (CENTCOM) confirmou que três destróieres — USS Mason, USS Rafael Peralta e uma terceira unidade — transitavam pelo estreito quando foram alvo de “múltiplos mísseis, drones e pequenas embarcações” iranianos, em uma ação que Washington classificou como “não provocada”. A resposta norte?americana, segundo o CENTCOM, consistiu em “ações de autodefesa” que atingiram instalações militares iranianas, incluindo “locais de lançamento de mísseis e drones” e “centros de comando e controle”. Os EUA negaram que qualquer navio seu tenha sido alvejado e asseguraram ter “eliminado todas as ameaças”.
Escalada em múltiplas frentes
Os ataques em solo ocorrem após uma sequência de trocas de fogo no mar, durante o chamado “Projeto Liberdade” (Project Freedom), uma operação defensiva autorizada pelo presidente Donald Trump com o objetivo de reabrir o Estreito de Ormuz à navegação comercial. Desde o início da guerra — iniciada em 28 de fevereiro com bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã —, a via marítima, por onde passam cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo, permanecia bloqueada por Teerã.
Nos dias que antecederam os ataques aos portos, a tensão já vinha aumentando:
Impacto nas negociações de paz
Os bombardeios desta quinta?feira acontecem no momento mais delicado das conversas para encerrar o conflito. O Irã analisava, desde quarta?feira, um memorando de 14 pontos apresentado pelos Estados Unidos com propostas para um cessar?fogo definitivo e a reabertura do estreito. O Paquistão atua como mediador, e as partes trocavam impressões quando o ataque militar foi deflagrado.
O presidente Donald Trump voltou a ameaçar Teerã por meio de sua conta na rede social: “Se eles não concordarem, os bombardeios começam”. Horas antes dos ataques, ele já havia prometido lançar uma nova onda de bombardeios “em um nível e intensidade muito maiores do que antes” caso o Irã não aceitasse as condições norte?americanas.
Em nota, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que a guerra “Operação Fúria Épica” terminou e que os EUA agora atuam exclusivamente em modo defensivo no Projeto Liberdade. No entanto, os acontecimentos desta quinta?feira indicam que a linha entre defesa e ofensiva permanece tênue.
Vozes e versões divergentes
Centro de imprensa do governo iraniano classificou os ataques americanos como “agressão terrorista” e acusou Washington de violar o cessar?fogo. Fontes militares em Teerã sustentam que os mísseis iranianos atingiram unidades navais inimigas, e a imprensa estatal mostrou imagens de explosões na doca de quarentena Bahman, em Qeshm, supostamente causadas por fogo norte?americano.
O CENTCOM, por sua vez, insiste que “não busca escalada” e que todas as ações foram respostas proporcionais a ameaças iminentes. O Pentágono afirmou que não há planos de ampliar os ataques a portos iranianos, mas que a “autodefesa continuará enquanto houver hostilidades”. O porta?voz da defesa norte?americana acrescentou que três destróieres permanecem posicionados a oeste do estreito como “escudo defensivo”.
Cronologia dos principais fatos no dia 7 de maio de 2026
Reações e próximos passos
A comunidade internacional ainda reagia aos eventos ao final do dia. Os Emirados Árabes Unidos, alvos de ataques iranianos no início da semana, pediram contenção máxima. A proposta de resolução no Conselho de Segurança da ONU que ameaça o Irã com sanções por obstruir a navegação no estreito ganhou novo impulso com os incidentes.
Fontes diplomáticas em Islamabad afirmaram, sob anonimato, que o Paquistão continua tentando manter as partes na mesa de negociação. Contudo, analistas militares avaliam que a escalada de 7 de maio representa a maior violação do cessar?fogo desde abril e eleva significativamente o risco de uma retomada em grande escala das hostilidades.
Por enquanto, os EUA mantêm a posição de que o “Projeto Liberdade” é uma operação defensiva e temporária, e que o cessar?fogo continua em vigor — uma avaliação rejeitada por Teerã. Nas ruas de Bandar Abbas e Qeshm, moradores relataram pânico e a ativação de sirenes, enquanto a imprensa controlada pelo Estado exibiu imagens de drones abatidos. O governo iraniano afirma que os drones interceptados eram “hostis” e pilotados pelos EUA, mas não apresentou provas.
Os ataques aos portos de Qeshm e Bandar Abbas marcam um capítulo preocupante na disputa pelo controle do Estreito de Ormuz. Mesmo que nenhuma das partes admita ter recomeçado a guerra, a linha entre o cessar?fogo e um novo conflito aberto mostra?se cada vez mais tênue. Com mísseis, drones, embarcações e bombardeios em solo sendo empregados por ambos os lados, a região do Golfo assiste a uma das mais graves crises desde o início do ano.
Com informações de Agence France?Presse (AFP), Al Jazeera, Al?Monitor, Associated Press (AP), BBC, CNN Brasil, Exame, Estadão, Fox News, G1, IG Último Segundo, InfoMoney, O Tempo, Reuters, Tasnim News Agency, Veja ■