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O Exército de Israel confirmou, na noite desta quarta-feira (8), que mísseis equipados com bombas de fragmentação caíram sobre as cidades de Jerusalém e Tel Aviv, marcando uma escalada significativa no conflito que já dura mais de um mês no Oriente Médio. Os ataques são uma resposta direta ao bombardeio israelense que atingiu o centro de Beirute horas antes, deixando mais de 250 mortos e centenas de feridos, conforme dados do Ministério da Saúde libanês. Ações coordenadas entre o grupo libanês Hezbollah e o Irã foram reivindicadas como uma “operação conjunta” contra o que chamaram de “agressão sionista”.
Os ataques aéreos israelenses que atingiram Beirute na tarde de quarta-feira (8) foram descritos pelas Forças de Defesa de Israel (FDI) como o "maior ataque coordenado" contra o Hezbollah desde o início da guerra. De acordo com comunicado militar, mais de 100 alvos do grupo armado foram atingidos em um intervalo de apenas 10 minutos em diferentes regiões do Líbano, incluindo a capital.
A ofensiva surpresa, que não foi precedida de aviso prévio às populações civis, atingiu zonas comerciais e residenciais no centro de Beirute, causando pânico generalizado. O número de vítimas foi alarmante: ao menos 254 pessoas morreram e outras 1.165 ficaram feridas nos bombardeios que se espalharam por todo o território libanês, de acordo com a Defesa Civil libanesa. A agência EFE, por sua vez, reportou ao menos 112 mortos e 837 feridos, destacando a dificuldade de contabilizar com precisão as vítimas em meio ao caos. Este foi o dia mais mortal para o Líbano desde o início do conflito, com relatos de colunas de fumaça sobre a capital e destruição em massa.
Horas após o bombardeio em Beirute, a capital iraniana, Teerã, em coordenação com o Hezbollah no Líbano, anunciou o início de uma operação de retaliação em larga escala. A aliança entre os dois atores, que já atuavam em conjunto, foi formalizada em um comunicado conjunto transmitido pela televisão estatal iraniana, no qual prometiam uma resposta "arrasadora e inédita".
Por volta da meia-noite no horário local, mísseis balísticos iranianos, equipados com ogivas de fragmentação, foram avistados sobrevoando os céus de Tel Aviv e Jerusalém. As imagens capturadas por moradores mostram os projéteis se abrindo em alta altitude e liberando dezenas de submunições que se espalharam por um raio de até 10 quilômetros sobre as áreas urbanas, conforme descreve a imprensa local. Sirenes de ataque aéreo soaram em todo o centro de Israel, levando a população a correr para os abrigos.
Em Tel Aviv, a área metropolitana de Gush Dan foi uma das mais afetadas. A infraestrutura da cidade sofreu danos significativos, com relatos de uma cratera aberta em uma via pública, que causou o capotamento de um veículo civil, e estilhaços que atingiram uma estação ferroviária. Os serviços de emergência Magen David Adom confirmaram que, apesar do impacto em áreas povoadas, não houve feridos diretos, pois a população estava em abrigos. Equipes de resgate inspecionaram pelo menos meia dúzia de locais de impacto.
Em Jerusalém, a situação foi igualmente tensa. Pedaços de mísseis iranianos caíram nas proximidades da Cidade Velha, uma área de imensa importância histórica e religiosa. Embora não tenham sido registrados danos estruturais graves aos locais sagrados, o episódio foi considerado uma provocação de alto calibre pelas autoridades israelenses.
O uso de munições de fragmentação, também conhecidas como "cluster munitions", reacendeu o debate internacional sobre a legalidade dos ataques. Este tipo de armamento, projetado para se abrir no ar e liberar várias submunições sobre uma área extensa, é proibido por uma convenção internacional de 2008 da qual mais de 100 países são signatários. No entanto, nem Israel nem o Irã aderiram ao tratado e não se consideram obrigados a segui-lo. Apesar disso, especialistas apontam que seu uso em áreas civis pode violar as leis da guerra devido ao seu caráter indiscriminado.
Os mísseis utilizados no ataque a Tel Aviv foram identificados como modelos Khorramshahr 4 e Qadr, ambos com múltiplas ogivas. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou, em comunicado, que a ação foi uma "vingança pelo sangue do mártir Ali Larijani" e de seus companheiros, mortos em um ataque israelense dias antes. De acordo com fontes israelenses, um casal de idosos que não conseguiu chegar a tempo ao bunker de seu prédio em Ramat Gan, subúrbio de Tel Aviv, foi morto, e outras cinco pessoas ficaram feridas em cidades como Kafr Qasem, Petah Tikva e Bnei Brak.
A escalada coloca em xeque o frágil cessar-fogo de duas semanas que havia sido anunciado entre os Estados Unidos e o Irã. Israel, que não é parte no acordo, deixou claro que continuará suas operações contra o Hezbollah no Líbano, enquanto o Irã ameaça romper a trégua caso os ataques a seus aliados persistam. A comunidade internacional, através da ONU, já manifestou "extrema preocupação" com a possibilidade de o conflito se transformar em uma guerra regional de grandes proporções.
Com informações de CNN Brasil, G1, Estadão, RFI, Aurora Israel, Agência Brasil, EFE, UOL, BBC Brasil e O Globo ■