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Sucessão de Khamenei é anunciada pelo Irã
O anúncio da morte de Khamenei, descrito pela mídia estatal como um ataque em seu escritório na madrugada de sábado, desencadeia um processo complexo e repleto de nuances políticas
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 01/03/2026

Em meio à confirmação da morte do Aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, pela mídia estatal iraniana, os holofotes se voltam agora para o mecanismo constitucional que garante a continuidade do poder na teocracia iraniana. De acordo com a constituição do país, um conselho provisório composto por três figuras-chave do regime assumirá temporariamente as funções de liderança até que a Assembleia dos Peritos escolha um sucessor permanente.

A seguir, detalhamos como funciona esse mecanismo de transição e quem são os atores centrais neste momento crítico para a República Islâmica.

O Conselho de Liderança Provisório: Composição e Poderes

A constituição iraniana, em seu Artigo 111, prevê a formação de um conselho temporário para gerir o país no intervalo entre a morte de um líder supremo e a nomeação de seu substituto. Este conselho é composto por:

  • O Presidente da República: Atualmente, Masoud Pezeshkian, uma figura política reformista que, no entanto, tem poder limitado dentro da estrutura de segurança nacional.
  • O Chefe do Poder Judiciário: Gholamhossein Mohseni Ejei, um clérigo linha-dura com vasta experiência nos aparatos de inteligência e segurança do regime.
  • Um jurista do Conselho dos Guardiães: Este terceiro membro, que precisa ser um clérigo, é escolhido pelo Conselho de Discernimento do Interesse do Sistema. Fontes indicam que a escolha deste membro será crucial e pode pender para figuras com fortes laços com as forças de segurança, como Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, que já está emergindo como uma figura central nas negociações de emergência.

Este conselho assume "todos os deveres da liderança" temporariamente, o que inclui o comando supremo das Forças Armadas e da Guarda Revolucionária, até que um novo líder permanente seja empossado.

Os Desafios Imediatos e o Papel da Assembleia dos Peritos

Enquanto o conselho provisório gerencia o dia a dia do Estado, a responsabilidade de nomear o próximo líder supremo cabe à Assembleia dos Peritos, um colegiado de 88 clérigos eleitos pelo voto popular, mas cujos candidatos são previamente aprovados pelo Conselho dos Guardiães, o que garante sua lealdade aos princípios da Revolução Islâmica.

  • A Assembleia deve se reunir "o mais rápido possível" para eleger o sucessor. No entanto, fontes apontam que a conjuntura atual de ataques e a vulnerabilidade de seus membros, em sua maioria idosos, pode atrasar esse processo.
  • Entre os possíveis candidatos a sucessor permanente, especula-se sobre o nome de Mojtaba Khamenei, filho do líder morto. Analistas ponderam que uma sucessão hereditária poderia gerar descontentamento popular e até mesmo entre as fileiras do regime, que podem ver a medida como a criação de uma "dinastia religiosa".
  • A dinâmica de poder interna é feroz. Enquanto o presidente Pezeshkian representa uma ala reformista, mas sem grande base de poder, figuras como os irmãos Larijani (Ali e Sadeq, este último chefe do Conselho de Discernimento) e o chefe do judiciário Mohseni Ejei representam a linha dura, que controla os principais órgãos de segurança e clericais.

A formação do conselho provisório e a subsequente escolha do novo líder supremo serão determinantes para o futuro do Irã, especialmente num cenário de guerra declarada e profunda crise regional. A comunidade internacional observa atentamente se o processo será conduzido de maneira ordenada ou se as tensões internas e externas levarão a um agravamento do conflito.

Com informações de Associated Press, Al Jazeera, Laodong, The Business Standard, Chosun Ilbo, United with Israel ■

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