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Os mototaxistas de Douala, conhecidos como "bendskineurs", são uma espinha dorsal do transporte informal na capital econômica dos Camarões, mas sua jornada é marcada por conflitos com o poder público, dificuldades financeiras e a luta por um lugar na economia da cidade. Com mais de 50 mil profissionais nas ruas, esse serviço é vital para a mobilidade urbana e uma importante fonte de renda para milhares de jovens.
Em 2009, uma grande greve paralisou os serviços de mototáxi em Douala. Os mototaxistas decidiram cessar atividades para protestar contra as medidas do prefeito do Departamento de Wouri, que ameaçava expulsá-los da cidade. As exigências das autoridades incluíam:
Na época, os condutores consideraram as medidas "exageradas" e pediam uma moratória para poder cumprir todas as exigências. O principal obstáculo era o custo: segundo o mototaxista Sévérin Nwaha, todos os documentos e adaptações poderiam custar mais de 100 mil francos CFA (cerca de 200 dólares americanos), um valor proibitivo para a maioria dos profissionais.
Este ofício tornou-se uma opção para muitos jovens camaroneses que deixam a agricultura em busca de melhores condições de vida nas cidades. Um estudo dedicado ao tema revela que o fenômeno tem um impacto significativo na disponibilidade de mão-de-obra agrícola jovem nas regiões Centro e Extremo Norte do país.
A segurança rodoviária permanece um grande desafio. Um estudo sobre o tema constatou que o transporte urbano em moto-táxi em Douala não obedecia a nenhuma norma de segurança rodoviária. Embora o Estado tenha introduzido decretos para organizar o setor, sua aplicação prática na cidade é falha, tornando este meio de transporte uma das principais causas de efeitos negativos sobre a segurança viária. Situações de risco são comuns, incluindo o transporte ilegal de até sete passageiros em uma única moto, como registrado em um estudo visual de 2023.
Mais recentemente, em julho de 2024, a Câmara Municipal de Douala anunciou um programa de registro digital para os mototaxistas da cidade. Esta iniciativa visa modernizar o sistema de transporte, combater a insegurança e ajudar os residentes a distinguir mototáxis legítimos de potenciais criminosos. A partir de 11 de julho, os condutores puderam registar-se apresentando o bilhete de identidade nacional, a carta de condução válida da categoria A e o documento de identificação do veículo.
Para visitantes, a experiência de andar de mototáxi em Douala pode ser um choque cultural, com relatos de até cinco pessoas sendo transportadas de uma só vez. Por trás dessa imagem, no entanto, está a realidade de milhares de jovens que buscam no volante de uma moto não apenas um escape do desemprego, mas também a dignidade de um trabalho que sustente suas famílias.
Com informações de Panapress, Amazon.com.br, Amazon.ie, Zenodo, WeAreTech.Africa. ■