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Conselho de Segurança da ONU condena Israel por ataque em Doha
Todos os 15 membros, incluindo os EUA, repudiam operação que matou membros do Hamas e um agente de segurança catari, alertando para escalada perigosa no Oriente Médio
Oriente-Medio
Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQ8rS6nt-ULVKwXqDBIMJgxe4_fJ9lBuU4fL2Z6jpDqQA&s=10
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■   Bernardo Cahue, 12/09/2025

Em uma rara demonstração de unanimidade, o Conselho de Segurança das Nações Unidas (UNSC) condenou formalmente o ataque israelense à capital do Catar, Doha, ocorrido em 9 de setembro de 2025. A declaração, apoiada por todos os 15 membros — inclusive os Estados Unidos, aliado histórico de Israel — classificou a operação como uma violação da soberania catari e um risco à estabilidade regional .

O ataque, que envolveu mais de 10 caças israelenses e disparou mais de 10 munições em alvos residenciais, resultou na morte de cinco membros do Hamas e de um agente de segurança do Catar. Testemunhas relataram que os caças precisaram de reabastecimento em voo para concluir a missão de longo alcance, planejada "durante meses" segundo fontes israelenses .

Reações Internacionais e Críticas

A embaixadora catari na ONU, Alya Ahmed Saif Al-Thani, denunciou o ocorrido como um "ataque criminoso covarde" e afirmou que o país não tolerará "o comportamento imprudente de Israel" . Durante sessão de emergência do Conselho, o primeiro-ministro catari, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al Thani, acusou Israel de "minar impetuosamente a estabilidade regional" e destacou que o ataque coincidiu com negociações mediadas pelo Catar para libertação de reféns e trégua em Gaza .

Representantes de múltiplos países expressaram solidariedade ao Catar. A enviada estadunidense interina, Dorothy Shea, declarou que o bombardeio "não avançou os objetivos de Israel ou dos EUA" e enfatizou que Washington "não pode e não defenderá o ataque a um aliado" . Já o embaixador da Argélia, Amar Bendjama, criticou a conduta israelense como "sinal de loucura" e alertou para um "governo extremista levando o mundo ao abismo" .

Justificativas de Israel e Impacto nas Negociações

Israel assumiu total responsabilidade pela operação, definindo-a como "independente" e direcionada a "líderes terroristas do Hamas que orquestraram o massacre de 7 de outubro". O enviado israelense Danny Danon alegou que os alvos "não eram políticos ou diplomatas legítimos, mas terroristas" .

No entanto, o ataque ocorreu durante discussões sobre uma proposta de trégua apresentada pelo presidente dos EUA, Donald Trump. O Hamas afirmou que seus principais negociadores sobreviveram, mas o episódio interrompeu temporariamente as tratativas e levantou preocupações sobre a confiança em processos diplomáticos .

Alertas sobre Escalada e Soberania

A subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos, Rosemary DiCarlo, advertiu que o ataque abre um "capítulo perigoso" no conflito, ressaltando que "a soberania do Catar, um mediador chave, deve ser respeitada" . Ela também destacou o agravamento da crise humanitária em Gaza, onde dezenas de milhares morreram e infraestruturas essenciais foram destruídas .

A declaração unânime do UNSC reflete uma fissura incomum na relação entre Israel e seus tradicionais aliados, sobretudo os EUA. Embora o texto não nomeie Israel explicitamente, seu conteúdo é um claro repúdio à violação de fronteiras e à ameaça à paz regional. O incidente deve impactar as dinâmicas diplomáticas no Oriente Médio, especialmente nas frágeis negociações entre Israel e Hamas .

Com informações de: CNN Brasil, Tribune India, Al Jazeera, BBC, UN News. ■

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