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Por trás das tarifas de Trump: a guerra estratégica pelas terras raras
Medidas tarifárias visam garantir suprimento de minerais críticos para defesa, energia e IA, expondo dependência dos EUA e manobras geopolíticas
Internacional
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■   Bernardo Cahue, 25/07/2025

Interesses Estratégicos em Jogo

As tarifas impostas pelo governo Trump contra a China e outros países integram uma estratégia agressiva para assegurar o acesso a terras raras e minerais críticos, essenciais para setores de defesa, transição energética e inteligência artificial. A proposta de Trump de usar as reservas da Ucrânia como pagamento por apoio militar revela o peso geopolítico desses recursos. O país possui depósitos de titânio, lítio e urânio, embora seu potencial ainda seja incerto devido à falta de exploração comercial.

Impactos Bélicos e Industriais

A dependência dos EUA em terras raras chinesas (80% das importações) tornou-se um ponto vulnerável. Em 2025, controles de exportação impostos pela China paralisaram fábricas da Ford, Suzuki e Nissan, afetando componentes como motores elétricos, sensores e sistemas de transmissão. A escassez forçou a Mercedes-Benz a estocar insumos, enquanto a Magnosphere alertou para paralisações em massa na Alemanha. A resposta de Trump incluiu sanções a empresas chinesas e pressão por acordos comerciais que garantissem fluxo contínuo desses minerais.

Energia e IA: A Corrida Silenciosa

A transição para veículos elétricos e a expansão da inteligência artificial elevam a demanda por neodímio (para ímãs de motores) e disprósio (para sistemas eletrônicos). Com apenas uma mina ativa nos EUA (Mountain Pass, da MP Materials), o país busca parcerias com Austrália e Arábia Saudita para construir cadeias alternativas. Projetos como a refinaria Eneabba, na Austrália, receberam US$ 1,25 bilhão em financiamento, mas só operarão a partir de 2026.

Longo Prazo: Autossuficiência ou Ilusão?

O Pentágono estabeleceu a meta de criar uma cadeia completa de mineração até ímãs até 2027, usando a Lei de Produção de Defesa para acelerar projetos domésticos. MP Materials recebeu US$ 35 milhões para uma instalação de processamento de terras raras pesadas, mas sua capacidade inicial (1.000 toneladas anuais) será irrisória perante a produção chinesa (138 mil toneladas em 2018). A realocação de cadeias pode levar décadas, mantendo os EUA expostos a tensões comerciais.

Em resumo: seria o ápice da ingenuidade sequer supor que o esquema de taxações dos Estados Unidos da América, no fundo, tenham a ver com um interesse ínfimo num processo judicial envolvendo Jair Bolsonaro.

Com informações de: Reuters, Center for Strategic and International Studies (CSIS), NPR

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