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Presidente Lula alerta sobre inverdades fabricadas por forças extremistas
Em discurso na abertura da Cúpula do Clima, mandatário brasileiro conclamou líderes mundiais a superarem declarações de intenção e partirem para ações concretas contra a crise climática
Internacional
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■   Bernardo Cahue, 06/11/2025

Em seu discurso durante a abertura da COP30, a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas que acontece em Belém, no Pará, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um forte apelo por ações concretas no combate à crise do clima e alertou sobre os riscos da desinformação. "Forças extremistas fabricam inverdades para obter ganhos eleitorais", declarou Lula, defendendo que a ciência deve ser o guia para as decisões globais.

O presidente brasileiro definiu o evento como a "COP da verdade", um momento crucial para demonstrar seriedade no compromisso com o planeta e para mover além dos discursos para a ação real. Lula argumentou que, caso a comunidade internacional fracasse nesse objetivo, as sociedades podem perder a fé não apenas nas COPs, mas no multilateralismo como um todo.

A escolha de Belém, no coração da Amazônia, como sede da conferência, é estratégica. O objetivo é permitir que políticos, diplomatas e ativistas de todo o mundo testemunhem a realidade da floresta, o maior basin hidrográfico do planeta e a vida das populações locais. "Os COPs não podem ser meras vitrines de boas ideias", afirmou o presidente. "Eles devem ser momentos de contato com a realidade e de ação efetiva".

Lula também destacou as ações do Brasil sob sua gestão, citando que o país reduziu o desmatamento na Amazônia pela metade em dois anos e se tornou a segunda nação a apresentar uma nova NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada), com uma meta de cortar emissões de gases de efeito estufa entre 59% e 67%.

Os principais temas e desafios da COP30

Além do forte apelo político, a conferência tem uma agenda técnica densa. Os principais temas em negociação incluem:

  • Metas de Adaptação: Finalizar a estrutura da Meta Global de Adaptação (GGA), crucial para ajudar países a lidarem com os impactos já inevitáveis das mudanças climáticas.
  • Financiamento Climático: Avançar no "Mapa do Caminho de Baku para Belém", que visa escalar o financiamento de US$ 300 bilhões acordados em 2024 para pelo menos US$ 1,3 trilhão por ano até 2035.
  • Mercado de Carbono: Dar continuidade ao desenvolvimento dos mecanismos de mercado de carbono previstos no Artigo 6 do Acordo de Paris.

Um dos legados que o Brasil pretende deixar com a presidência da COP é o Fundo Tropical Forests Forever (TFFF), uma iniciativa inovadora de fundo de investimento que visa recompensar financeiramente a preservação de florestas tropicais. O Brasil já anunciou um investimento de US$ 1 bilhão como capital semente.

Contradições e tensões

A liderança climática do governo Lula, no entanto, é tensionada por contradições internas. Enquanto defende a proteção da Amazônia, o presidente tem pressionado publicamente o órgão ambiental federal, o Ibama, para conceder licenças para a exploração de petróleo na margem equatorial, uma extensa área offshore na foz do Rio Amazonas.

Especialistas e organizações ambientais alertam que a expansão de projetos de combustíveis fósseis, especialmente em uma região de alta sensibilidade ecológica, coloca em risco a credibilidade do país como anfitrião e líder da maior conferência climática do mundo.

O sucesso da COP30 será medido pela capacidade de seus participantes de transformar a "verdade" apregoada por Lula em acordos vinculantes e planos de ação robustos que acelerem efetivamente a transição para uma economia de baixo carbono e garantam a segurança climática global.

Com informações de: The Guardian, United Nations COP30, Clyde & Co, Gov.br, Valor International, OC Eco, France24. ■

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