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O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) utilizou uma transmissão ao vivo em suas redes sociais, neste domingo (6), para pressionar a ministra Carmem Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), a votar pela abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. Em uma fala direcionada à magistrada, o parlamentar afirmou que uma decisão contrária à investigação poderia prejudicar sua trajetória na Corte.
“Quero muito ver como vai ser a votação da ministra Carmem Lúcia nesse julgamento agora na semana que vem. Como é que ela, sempre defensora da democracia, da liberdade, que sempre foi contra a impunidade, como é que ela vai se colocar agora”, declarou Flávio durante a live. “Se vai proteger o Brasil, a democracia e o próprio Supremo Tribunal Federal ou se vai proteger o Alexandre de Moraes porque é seu coleguinha ali de plenário”, acrescentou.
O senador foi além e cobrou diretamente um posicionamento da ministra: “Então, Carmem Lúcia, o Brasil está aguardando para ver como vai ser o seu voto na semana que vem, se a senhora vai autorizar que o Alexandre de Moraes seja formalmente investigado ou se a senhora vai passar a mão na cabeça dele com tudo isso que já veio à tona. Vai ficar muito ruim para sua história, para a sua biografia”.
A manifestação ocorre em meio a uma crise institucional sem precedentes no STF, que opõe os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. O tribunal deverá analisar, na próxima semana, dois fronts distintos: de um lado, se houve arbitrariedade nos métodos utilizados por Mendonça nas apurações sobre o Banco Master e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) — investigações que resultaram em um relatório da Polícia Federal apontando Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. De outro, a Corte avaliará a regularidade da decisão de Moraes de utilizar o inquérito das fake news para pedir uma investigação contra Mendonça por suspeita de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
O estopim da crise ocorreu na terça-feira (1º), quando Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF que trazia diálogos entre Vorcaro e Moraes, incluindo uma mensagem em que o banqueiro perguntava se deveria deixar o país antes de ser preso, em 2025. Dias depois, na quinta-feira (3), Carmem Lúcia telefonou a Moraes e manifestou solidariedade pela exposição pública. Segundo auxiliares, o ministro interpretou o gesto como um aceno, embora a magistrada não tenha garantido apoio.
Flávio Bolsonaro também usou a transmissão para convocar apoiadores aos atos do 7 de Setembro, previstos para esta segunda-feira (7) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e contra Alexandre de Moraes. O candidato condicionou o desfecho do julgamento no STF à dimensão das manifestações: “Se no Sete de Setembro as ruas estiverem cheias em todo o Brasil, o julgamento vai ser um; se estiverem vazias, vai ser outro”. Ele ainda afirmou que “se a manifestação tiver bastante gente, eu sei que lá dentro do Supremo tem algumas pessoas que são sensíveis a essa pressão popular”.
Durante a live, o senador ouviu apoiadores defenderem os ataques de 8 de janeiro de 2023 e alegarem injustiça nas condenações impostas aos envolvidos. Também saiu em defesa de André Mendonça, afirmando que o ministro “nada mais faz do que ser um juiz justo que não persegue ninguém”, enquanto classificou Moraes como alguém que “não tem mais condições de permanecer no STF”.
Em meio à turbulência, a posição de Carmem Lúcia tornou-se o foco das atenções. A ministra, que ainda não definiu seu voto, é considerada peça decisiva nas deliberações do plenário. Sua trajetória na Corte é marcada por votos duros em processos envolvendo governos petistas — apoiou condenações no julgamento do mensalão e, em 2018, votou contra o habeas corpus preventivo apresentado pela defesa de Lula, decisão que abriu caminho para a prisão do então ex-presidente. Agora, Moraes e Mendonça disputam sua adesão em busca da hegemonia de seus respectivos grupos no Supremo.
A campanha de Flávio Bolsonaro tenta inflar o ato na Avenida Paulista, em São Paulo, para sair do empate técnico nas pesquisas e assumir o favoritismo no segundo turno da eleição presidencial. Enquanto isso, o STF se prepara para uma semana decisiva, com o voto de Carmem Lúcia podendo definir o rumo das investigações contra Moraes e o desfecho da crise que abala a mais alta Corte do país.
Com informações de O Globo, UOL, Estadão, A Gazeta, Diário do Centro do Mundo, O Povo, Terra, MidiaNews ■