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A cobertura da grande imprensa brasileira, capitaneada pela Rede Globo, transformou a relação de Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha) com a empresária Roberta Luchsinger no grande escândalo do momento. Mensagens de WhatsApp vazadas, supostos pagamentos de passagens aéreas e uma transferência de R$ 249 mil são repetidos à exaustão como se fossem a prova de um crime hediondo. Mas o que os fatos mostram é um roteiro conhecido: vazamentos seletivos, parciais e fora de contexto, que alimentam manchetes bombásticas contra um membro da família Lula, enquanto investigações de igual ou maior gravidade envolvendo adversários políticos são relegadas ao esquecimento.
Fontes da Polícia Federal atribuem os vazamentos sobre o caso Lulinha a integrantes "lavajatistas" da Procuradoria-Geral da República (PGR), que teriam repassado mensagens de WhatsApp fora de contexto para jornalistas de confiança da mídia liberal. Em 21 de agosto, o ministro André Mendonça, do STF, determinou que a PF investigue esses vazamentos de informações sigilosas, atendendo a pedido da defesa de Lulinha, que denunciou o uso seletivo de dados sob segredo de justiça. A tática, segundo agentes ouvidos pela revista Fórum, seria a mesma usada em 2006 contra Lulinha no caso Gamecorp — posteriormente arquivado por falta de provas.
Enquanto isso, o que a Globo e outros veículos "esquecem" de estampar em suas capas é um conjunto de escândalos que fazem o caso Luchsinger parecer uma coluna social:
Diante desse cenário, duas hipóteses explicam o silêncio seletivo da Globo — e nenhuma delas a isenta de responsabilidade editorial. A primeira é o interesse político-eleitoral: desgastar o governo Lula a poucos meses das eleições de 2026 rende mais audiência e engajamento do que expor um escândalo que envolve aliados de ambos os lados do espectro político. A segunda é a pauta guiada por vazamentos: a emissora se tornou refém de informações fornecidas por procuradores "lavajatistas", que usam a imprensa como arma para influenciar investigações e o debate público.
O jornalismo tem o dever de informar com proporção, critério e isonomia. Quando uma coluna social com contornos de investigação ocupa capas e telejornais, enquanto um rombo bilionário que lesa aposentados, se mistura com dinheiro do tráfico e envolve o entorno dos Bolsonaro é tratado como coadjuvante, a mídia não está prestando um serviço à verdade — está escolhendo um lado.
A seletividade na cobertura não é um acaso. É uma opção editorial que revela muito mais sobre os interesses de quem noticia do que sobre os fatos em si. Enquanto isso, o povo brasileiro continua pagando a conta — tanto a do INSS, quanto a de uma imprensa que insiste em tratar o país como um ringue de disputas políticas, em vez de um Estado que precisa ser investigado com seriedade e imparcialidade.
Com informações de O Globo, G1, Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, UOL, Congresso em Foco, CartaCapital, Gazeta do Povo, O Povo, Imprensa Ética, BBC Brasil, Poder360, Brasil 247, Diário do Centro do Mundo, Revista Fórum, Metrópoles, JOTA, ConJur, Band, Estadão ■