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Enquanto associações de imprensa e grandes veículos de comunicação condenam em coro a quebra do sigilo da fonte do blogueiro Luís Pablo Conceição Almeida, um conjunto de fatos graves permanece deliberadamente fora do foco do debate público. A defesa do sigilo – garantia constitucional legítima e necessária ao jornalismo – está sendo usada como um escudo protetor para esconder uma teia criminosa que envolve monitoramento ilegal, tentativa de extorsão, um homicídio por motivação política, um secretário de Estado com vasto histórico de obstrução de Justiça e o uso de um serviço de “jornalismo investigativo” encomendado para perseguir um ministro do Supremo Tribunal Federal.
O que a imprensa corporativa tenta esconder, com todas as suas forças, é que a investigação conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes não é uma “caça às fontes”. É a apuração de um crime de perseguição contra Flávio Dino e sua família, que incluiu o monitoramento de veículos blindados, a divulgação de placas, trajetos, horários e até mesmo imagens de filhos menores de idade do magistrado . E, pior: que a fonte desse monitoramento ilegal é um secretário de governo que, ao mesmo tempo, figura como investigado em outro inquérito – este sob relatoria do próprio Flávio Dino – por suspeita de tentar obstruir a Justiça num caso de assassinato por motivos políticos.
Para entender o que a imprensa não quer contar, é preciso voltar ao começo da história.
O homicídio, a relatoria de Dino e o parente assassino
Em 19 de agosto de 2022, o empresário João Bosco Pereira Oliveira Sobrinho foi assassinado em São Luís. O executor confesso do crime é Gilbson Cutrim Soares Júnior, condenado a 13 anos de prisão pela Justiça maranhense . Mas o que a imprensa não destaca é que Gilbson é parente de Raimundo Cutrim – o mesmo ex-secretário de Governo do Maranhão que, anos depois, seria apontado pela PF como a fonte que municiou o blogueiro Luís Pablo com informações sigilosas sobre Flávio Dino .
O caso do homicídio chegou ao STF em outubro de 2025, quando a defesa de Gilbson impetrou um habeas corpus alegando que Raimundo Cutrim teria oferecido “vantagens, dinheiro e casas” ao pai do assassino para que ele mudasse sua versão e isentasse o sobrinho do governador, Daniel Brandão, de qualquer envolvimento no crime . As investigações apuram se o assassinato está ligado à cobrança de propina por parte de Daniel Brandão, que à época era secretário do governo do tio, Carlos Brandão (MDB) .
Por sorteio, o habeas corpus foi distribuído ao ministro Flávio Dino, que se tornou relator do caso. Dias depois de assumir a relatoria, a Secretaria de Segurança do STF comunicou à PF que Dino e sua família estavam sendo monitorados ilegalmente no Maranhão – o que deu origem ao inquérito sobre stalking que agora tramita sob a relatoria de Alexandre de Moraes .
Ou seja: o mesmo secretário de governo que é investigado por tentar obstruir a Justiça num caso de homicídio – e que é parente do assassino confesso – é apontado como a fonte que forneceu ao blogueiro os dados para perseguir o ministro relator do caso.
Esta conexão – que a imprensa trata como mero pano de fundo – é o coração do escândalo.
O serviço de “jornalismo investigativo” encomendado
As investigações da PF revelaram que o blogueiro Luís Pablo não agiu sozinho. Além de Raimundo Cutrim, o advogado e ex-secretário municipal de Urbanismo e Habitação de São Luís, Diogo Diniz Lima, também foi alvo de mandados de busca . Segundo a PF, existia uma “articulação” entre Lima, Cutrim e o blogueiro para desgastar a imagem de Flávio Dino. A polícia encontrou uma transferência de R$ 100 mil de Lima para Luís Pablo – valor que, segundo os investigadores, pode estar relacionado a publicações de interesse do grupo ligado a Cutrim .
O blogueiro nega ter recebido dinheiro para as reportagens e afirma que o valor se trata de um empréstimo pessoal . Mas a PF vê com suspeita o fato de que “uma pessoa que direciona o teor de matérias jornalísticas de cunho político, aparentemente sempre buscando demonstrar aspectos negativos de determinada autoridade ou de grupo político, faça tal pagamento exatamente em benefício do jornalista responsável por tais publicações” .
Em outras palavras: a investigação aponta para a existência de um serviço de “jornalismo” encomendado, financiado por adversários políticos de Flávio Dino, com o objetivo de produzir conteúdo difamatório e, ao mesmo tempo, monitorar os passos do ministro e de sua família.
O histórico de extorsão do blogueiro – e o silêncio da imprensa
Quando a imprensa defende Luís Pablo como um “jornalista investigativo” perseguido pelo poder, omite um detalhe incômodo: ele já foi preso em 2017, junto com o pai e um irmão, sob acusação de integrar um esquema de chantagem e extorsão contra investigados no Maranhão . Na ocasião, a PF apurou que a família cobrava valores entre R$ 1.500 e R$ 10 mil para não publicar informações sigilosas. Em 2019, foi condenado por difamação contra três juízes do Tribunal de Justiça do Maranhão .
Plataformas jurídicas registram mais de 350 processos contra Luís Pablo, incluindo condenações por deixar de pagar salários e direitos trabalhistas . A organização criminosa, segundo a PF, age mais ativamente em períodos eleitorais, quando vende a publicação de ataques ou “imunidades” para interferir nas eleições .
Apesar desse histórico, o blogueiro é tratado por associações de imprensa e grandes veículos como um mártir da liberdade de expressão – e não como um criminoso reincidente que transformou a extorsão e a difamação em modelo de negócio.
O viés político: Carlos Brandão, a oposição a Dino e o “terror eleitoral”
O governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), foi vice de Flávio Dino quando este governou o estado, mas rompeu politicamente com ele em 2024 . Hoje, Brandão afirma sofrer “perseguição” do ministro e acusa Dino de usar a toga para prejudicá-lo politicamente .
As investigações, no entanto, pintam um quadro diferente. A PF aponta Carlos Brandão como “provável líder de uma organização criminosa” envolvida em desvios de verbas públicas, fraude em licitações, uso de empresas de fachada e o homicídio de 2022 . O ministro Flávio Dino, em decisão de julho de 2026, determinou a prisão domiciliar de Raimundo Cutrim justamente por suas tentativas de obstruir a apuração desse homicídio .
O próprio Brandão admite que os processos contra ele surgiram “após um distanciamento político de um grupo que persistia em se manter permanentemente nos espaços públicos de poder” .
Nesse contexto, o monitoramento de Flávio Dino e sua família – feito por um secretário de governo que é aliado de Brandão e parente do assassino confesso no caso sob relatoria de Dino – deixa de ser um episódio isolado de “jornalismo investigativo” para se tornar um capítulo de uma guerra política que inclui ameaças, obstrução de Justiça e tentativas de coação contra um ministro do STF.
O que a imprensa escolhe não ver
Ao reduzir o caso a uma suposta “violação do sigilo da fonte”, a imprensa corporativa comete um pecado de omissão. Ela escolhe não ver que:
Ao transformar um criminoso em herói e uma investigação legítima em “ataque à liberdade de imprensa”, a imprensa não apenas desinforma o público – ela também desmoraliza o jornalismo que diz defender. E, pior: serve de plataforma para um esquema que, em última instância, tentou usar a imprensa como instrumento de perseguição política.
O sigilo da fonte é uma garantia constitucional preciosa. Mas não é absoluto. E, como ensina o bom jornalismo, o direito à informação não pode ser confundido com o direito à perseguição. A imprensa que insiste em fechar os olhos para a teia criminosa que se esconde por trás deste caso está, na verdade, protegendo os algozes – e não as vítimas.
Com informações de G1, UOL, Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo, BBC Brasil, CNN Brasil, ConJur, Migalhas, Jota, Poder360, Metrópoles, Gazeta do Povo, Correio Braziliense, O Imparcial, Congresso em Foco, CartaCapital, Revista Fórum, Brasil 247, DCM, Crusoé, Revista Oeste, Veja, IstoÉ, Época, Exame, Valor Econômico, Jornal do Commercio, Zero Hora, GaúchaZH, NSC Total, O Povo, Diário do Nordeste, A Tarde, Correio da Bahia, Jornal do Brasil, Estado de Minas, Hoje em Dia, Super Notícia, Diário de Goiás, O Popular, Correio do Povo, Diário Catarinense, Jornal de Santa Catarina, A Notícia, Jornal da Orla, Portal Terra, Yahoo! Notícias, MSN Brasil, Google Notícias, Pleno.News, Contrafatos, Diário do Centro do Mundo, Tribuna da Internet, Antropofagista, Vermelho, PeVermelho News, Sairdainercia, Fundação Astrojildo Pereira, YouTube (canais de notícias) e Twitter/X (perfis de jornalistas e veículos) ■