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Malu Gaspar, em pânico, inventa mais uma
Colunista de O Globo e comentarista da GloboNews tenta associar investigação das rachadinhas a sigilo da fonte, quando a apuração sobre rachadinhas foi deflagrada por relatório do Coaf sobre movimentações atípicas de Fabrício Queiroz – e não por qualquer garantia constitucional
Analise
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■   Bernardo Cahue, 14/08/2026

A colunista do jornal O Globo e comentarista da GloboNews Malu Gaspar protagonizou nos últimos dias uma escalada de declarações que revelam menos preocupação com a liberdade de imprensa e mais com sua própria situação jurídica. Temendo ser alcançada por investigações em curso no âmbito do inquérito do Maranhão – que apura um esquema de stalking, extorsão e monitoramento ilegal contra o ministro Flávio Dino e sua família –, a jornalista passou a ecoar uma narrativa falsa e desesperada: a de que o caso das rachadinhas de Flávio Bolsonaro, que ela própria noticiou, só veio a público graças à proteção do sigilo da fonte. A afirmação é, no mínimo, uma distorção grosseira dos fatos.

Em suas aparições na GloboNews e em entrevistas a podcasts, Malu Gaspar afirmou que “o sigilo da fonte existe para revelar o que os poderosos querem esconder” e que a decisão do ministro Alexandre de Moraes de autorizar a quebra do sigilo da fonte do blogueiro Luís Pablo representa “uma ameaça seríssima à democracia”. Chegou a declarar que “constranger um jornalista no exercício de sua profissão é coisa de ditador”. O que a colunista omite, deliberadamente, é que o inquérito que ela tenta usar como escudo não tem qualquer relação com a proteção de fontes jornalísticas – e sim com a atuação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou movimentações atípicas na conta de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro.

Os fatos são incontestáveis e estão documentados. O caso das rachadinhas, que Malu Gaspar noticiou com estardalhaço, teve como ponto de partida um relatório do Coaf que apontou movimentação financeira atípica de R$ 1,2 milhão nas contas de Fabrício Queiroz entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. Foi esse relatório, produzido pelo órgão de inteligência financeira, que deflagrou as investigações sobre o esquema de desvio de salários de funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Não houve quebra de sigilo de fonte jornalística para revelar o esquema – houve, sim, um trabalho de inteligência financeira do Coaf, baseado em dados bancários e movimentações suspeitas.

Ao tentar associar o caso das rachadinhas à suposta “violação do sigilo da fonte” no inquérito do Maranhão, Malu Gaspar comete um equívoco primário – ou, pior, uma manipulação deliberada da verdade. A investigação que ela mesma ajudou a tornar pública nunca dependeu de uma fonte anônima para existir; dependeu, isso sim, de um relatório objetivo do Coaf, que cruzou dados financeiros e identificou irregularidades. A colunista sabe disso, mas escolhe ignorar para criar uma cortina de fumaça que proteja seu próprio currículo e, quem sabe, evitar que seu nome apareça em outras apurações.

O pânico de Malu Gaspar, aliás, não é difícil de explicar. Nos bastidores de Brasília e do Maranhão, correm rumores de que o inquérito conduzido por Alexandre de Moraes pode avançar sobre outros atores que alimentaram o esquema de perseguição a Flávio Dino – incluindo jornalistas que, deliberadamente ou não, deram palco e legitimidade a informações obtidas por meios ilegais. A defesa intransigente do sigilo da fonte, neste contexto, soa menos como um princípio jornalístico e mais como um instinto de sobrevivência.

Não por acaso, as declarações de Malu Gaspar foram recebidas com ceticismo por setores da própria imprensa. O colunista Moisés Mendes, do Diário do Centro do Mundo, foi direto: “Malu Gaspar: ‘O sigilo da fonte é garantido pela Constituição. Não há evidência de que o jornalista estivesse perseguindo Flávio Dino’. Bandido não tem fonte, tem comparsa e alcaguete. Por ser fonte de alguém, repassando informações obtidas por meios criminosos, um bandido não deixa de ser bandido”. O próprio editorial de O Globo, veículo para o qual Malu Gaspar escreve, reconheceu que o blogueiro Luís Pablo “já foi investigado em 2017, sob suspeita de integrar um esquema de extorsão a empresários e servidores públicos” – mas nem assim a colunista hesitou em transformá-lo em mártir da liberdade de expressão.

A estratégia de Malu Gaspar é transparente: usar o caso das rachadinhas como gatilho emocional para deslegitimar a investigação do Maranhão, na esperança de que o debate público se desvie do que realmente importa – a saber, que um blogueiro monitorou ilegalmente os deslocamentos de um ministro do STF e de sua família, recebeu R$ 100 mil para produzir conteúdo difamatório e operou em estreita colaboração com um ex-secretário de Estado que acessou sistemas restritos para obter informações sigilosas. Esse é o cerne da apuração, e não a fictícia “caça às fontes” que a colunista tenta vender.

Ao misturar alhos com bugalhos, Malu Gaspar não apenas desinforma o público – ela também desmoraliza o jornalismo que diz defender. O sigilo da fonte é uma garantia constitucional preciosa, mas não é absoluta e não pode servir de escudo para a prática de crimes, como bem lembrou o ministro Alexandre de Moraes ao autorizar a quebra do sigilo no caso concreto. A colunista de O Globo, ao tentar equiparar uma investigação sobre stalking e extorsão à apuração de rachadinhas baseada em relatórios do Coaf, revela menos compromisso com a verdade e mais com sua própria autopreservação.

O pânico, afinal, tem dessas coisas: faz a gente ver fantasmas onde não há e inventar conexões onde não existem. Malu Gaspar, que tantas vezes cobrou transparência de autoridades, deveria agora aplicar a mesma régua a si mesma – e explicar ao público por que insiste em defender um criminoso em nome de um princípio que, no caso concreto, não foi violado. O caso das rachadinhas não caiu do céu por obra de uma fonte anônima; caiu das planilhas do Coaf. E é esse fato incômodo que a colunista tenta, a todo custo, esconder.

Com informações de G1, UOL, Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo, O Tempo, Metrópoles, Poder360, Band, CNN Brasil, R7, Gazeta do Povo, Correio Braziliense, Diário de Pernambuco, A Gazeta, O Imparcial, Jota, ConJur, Migalhas, Congresso em Foco, Crusoé, Revista Oeste, CartaCapital, Brasil 247, DCM, Revista Fórum, IstoÉ, Veja, Época, Exame, InfoMoney, Valor Econômico, Jornal do Commercio, Zero Hora, GaúchaZH, NSC Total, O Povo, Diário do Nordeste, A Tarde, Correio da Bahia, Jornal do Brasil, Estado de Minas, Hoje em Dia, Super Notícia, Diário de Goiás, O Popular, Correio do Povo, Diário Catarinense, Jornal de Santa Catarina, A Notícia, Jornal da Orla, Portal Terra, Yahoo! Notícias, MSN Brasil, Google Notícias, Pleno.News, Contrafatos, Diário do Centro do Mundo, Tribuna da Internet, Antropofagista, Vermelho, PeVermelho News, Sairdainercia, Fundação Astrojildo Pereira, Revista Fórum, YouTube (canais de notícias) e Twitter/X (perfis de jornalistas e veículos) ■

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