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O jornalista Reinaldo Azevedo, em coluna publicada no portal Metrópoles e replicada por diversos veículos, fez duras críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça pela abertura de um segundo inquérito contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Azevedo classificou a medida como uma “mutação investigativa” do lavajatismo e acusou o magistrado de conduzir uma “polícia clandestina” para perseguir o investigado.
Segundo o colunista, a estratégia de Mendonça consiste em abrir múltiplas frentes de apuração na expectativa de que, por tentativa e erro, algum elemento incriminador possa ser encontrado contra Lulinha. Azevedo sustentou que essa dinâmica reproduz, com adaptações, o modus operandi da extinta Operação Lava-Jato, que se utilizava de investigações sucessivas para manter sob pressão os alvos políticos.
“Começa-se investigando A. Se não der certo, vamos para as alternativas B, C, D… Quem sabe, em algum momento, se pegue o peixe”, escreveu Azevedo, acrescentando que “é muito provável que já se saiba disso” e que a existência dos inquéritos se justifica, sobretudo, pelo calendário eleitoral – já que as eleições ocorrerão daqui a dois meses.
O jornalista também questionou a legitimidade da atuação de Mendonça, lembrando que o ministro acumula funções que, em tese, deveriam ser exercidas por instâncias distintas. “Mas quem investiga? Ele próprio? É o investigador e também o juiz da causa? Mais: faz ainda o controle externo da Polícia Federal, papel que cabe ao Ministério Público?”. Para Azevedo, ou a investigação é conduzida pelo MPF (por meio da PGR) ou pela própria Polícia Federal – a menos que Mendonça disponha de “uma estrutura particular de apuração”, o que configuraria uma “polícia clandestina”.
Outro ponto destacado por Azevedo foi a suposta violação da cadeia de custódia das provas, além da leniência da imprensa em relação a Mendonça, em contraste com o tratamento dado a outros ministros do STF em situações semelhantes. “O atual relator está na fase da pós-graduação no esforço de encabrestar a PF. Mas há uma diferença: um era massacrado pela imprensa; o outro é tratado como o cavaleiro sem máculas”, comparou, em referência implícita ao ministro Dias Toffoli.
Azevedo encerrou sua coluna com uma citação poética de Carlos Drummond de Andrade, afirmando que o ministro parece se interessar apenas por “substantivos celestes” – uma ironia dirigida ao que o jornalista considera ser uma postura de superioridade moral incompatível com os rigores do devido processo legal.
O caso ganhou repercussão nas redes sociais e em programas de rádio e televisão. Em sua participação no programa “O É da Coisa”, da Rádio BandNews FM, no dia 31 de julho, Azevedo reiterou as críticas e afirmou que o inquérito contra Lulinha é um “presente” de Mendonça ao senador Flávio Bolsonaro, numa clara referência ao uso político das investigações.
Procurado, o STF não se manifestou oficialmente sobre as declarações do colunista. A defesa de Lulinha também não comentou o teor da coluna até o fechamento desta nota.
A fala de Reinaldo Azevedo reacende o debate sobre os limites da atuação do Judiciário em ano eleitoral e a herança deixada pela Lava-Jato no sistema de justiça brasileiro – agora revisitada sob a alcunha de “mutação” que, na visão do jornalista, mantém viva a chama do protagonismo judicial sem lastro probatório consistente.
Com informações de Diário do Centro do Mundo, Metrópoles, BandNews FM, YouTube, Expressório ■