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A aula magna do pré-candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT), realizada na noite desta quinta-feira (2) na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), terminou em confusão e troca de agressões após a interrupção da fala do petista por integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) e do partido Missão.O episódio ocorreu no Teatro de Arena da universidade, onde Haddad apresentava uma palestra sobre democracia e justiça, e foi marcado por empurrões, socos e uma rasteira que derrubou um dos manifestantes.
O principal envolvido no tumulto foi Matheus Pereira, pré-candidato a deputado estadual por São Paulo pelo partido Missão, que também se apresenta como Matheus Campinas.Vídeos que circulam nas redes sociais mostram Pereira interrompendo a fala de Haddad e gritando acusações de campanha eleitoral antecipada contra o petista.Em um dos momentos, ele aparece discutindo com um segurança do evento e, em seguida, é empurrado e derrubado com uma rasteira ao deixar o local.
Segundo Pereira, o objetivo da manifestação era questionar Haddad sobre a chamada "taxa das blusinhas" – imposto federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, que foi revogado pelo governo Lula – e levantar suspeitas sobre a realização de campanha antecipada durante a aula magna.Em nota, o pré-candidato afirmou que ele e outros integrantes do grupo foram recebidos com agressões físicas por estudantes e seguranças logo ao chegarem ao evento, e que não pretendiam provocar confronto.“Mal chegamos e fomos recebidos como socos e chutes pelos estudantes. A todo momento deixamos claro que não queríamos briga. Fui agredido por um indivíduo que estava participando do evento e por um funcionário”, declarou Pereira.
O pré-candidato a deputado federal Gabriel Piauhy (Missão-SP) também se manifestou nas redes sociais. Ele afirmou que um segurança ligado ao evento perseguiu outro integrante do partido, Caio Santana, após a retirada dos manifestantes, e reiterou que o grupo havia ido à Unicamp para questionar Haddad.
Já participantes da aula e o DCE (Diretório Central dos Estudantes da Unicamp) apresentaram uma versão completamente diferente dos acontecimentos. Segundo a entidade estudantil, cerca de dez integrantes do MBL e do partido Missão compareceram ao local com o objetivo de provocar tumulto e interromper a atividade.Em nota, o DCE afirmou que os manifestantes desrespeitaram funcionários da segurança da universidade e foram retirados imediatamente do evento.“A briga mencionada na mídia foi causada por militantes da direita que vieram ao evento provocar e causar tumulto. Eles foram retirados do evento imediatamente e nenhum participante do evento interagiu com os mesmos, mas infelizmente geraram confusão pela Unicamp”, diz a nota da entidade.
A CartaCapital apurou que representantes do MBL se posicionaram estrategicamente no entorno do Teatro de Arena, onde Haddad apresentava sua aula.Em determinado momento, passaram a gritar provocações à equipe do pré-candidato e a estudantes.Uma pessoa presente na aula disse à reportagem que o MBL repetiu seu modus operandi, em busca de engajamento nas redes sociais.
A Polícia Militar foi acionada para atender à ocorrência, mas não precisou intervir porque a situação já havia sido controlada pelos organizadores.Não houve registro de feridos.
Após a confusão, Haddad retomou a palestra e concluiu sua apresentação.O Teatro de Arena estava lotado, em sua maioria, por apoiadores do petista.Durante a interrupção, Haddad afirmou que não havia compreendido o que os manifestantes gritavam.Ao encerrar o evento, o pré-candidato disse que está se preparando para a disputa pelo governo paulista. “Eu estou treinando, estou fazendo treinamento, estou exercitando cabeça, corpo, para fazer uma bela campanha, para a gente fazer um belo debate. Disputa para valer com as ideias que a gente defende. E vamos ganhar de qualquer jeito. De um jeito ou de outro, com uma campanha bonita leva a gente à vitória”, declarou.
Em suas redes sociais, Haddad publicou um balanço da aula magna, destacando o debate com estudantes e pesquisadores sobre projetos para o estado de São Paulo, mas não fez referência à confusão.Sua assessoria também não se manifestou sobre o episódio.
A Unicamp divulgou nota oficial nesta sexta-feira (3) repudiando os "atos de violência e tumulto" ocorridos durante a aula magna.A universidade classificou a interrupção como inaceitável e defendeu o pluralismo de ideias, repudiando as agressões. “Divergências políticas e ideológicas são bem-vindas e devem ser expressas dentro do respeito mútuo e das regras do debate acadêmico, jamais por meio de violência ou intimidação”, afirmou a instituição.A universidade informou que está apurando o episódio e que adotará as medidas cabíveis.
O PT também repudiou o episódio, classificando-o como um ato de “violência política da extrema-direita”.Em nota, o partido afirmou ser a segunda vez que integrantes do MBL praticam atos de violência premeditados em agendas de Haddad.“Os dois atos de violência política dos quais Haddad foi vítima usam táticas semelhantes: são premeditados, com celulares gravando em diversos ângulos e com provocações para estimular conflitos violentos”, escreveu o partido.O PT reiterou o irrestrito apoio e solidariedade a Haddad e afirmou que não tolerará abusos e atos de violência, além de tomar as medidas judiciais cabíveis.
O episódio ocorre em meio à campanha eleitoral para o governo de São Paulo, na qual Haddad é apontado como o principal adversário do atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), repetindo a disputa travada em 2022.
Com informações de ndmais, Poder360, CartaCapital, Folha de S.Paulo, Congresso em Foco, G1, O Tempo ■