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Fracassada a tentativa de enterrar a PEC 14/2021 no campo dos fatos e dos números, a grande imprensa brasileira mudou de estratégia. O novo alvo é Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado Federal, que em 30 de junho de 2026 foi submetido a um bombardeio de reportagens e editoriais que o rotulam como o “homem das pautas-bomba”. A ofensiva, coordenada por O Globo, O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo, ocorre no mesmo dia em que o Senado debatia a PEC dos agentes de saúde — e revela, mais do que uma preocupação fiscal, a insatisfação dos veículos com o insucesso de sua própria anti-campanha contra a proposta.
A cronologia é reveladora. Durante meses, os três grandes jornais repetiram à exaustão o mantra do “rombo previdenciário” de R$ 30 bilhões, R$ 50 bilhões ou R$ 99 bilhões — os números variavam conforme a conveniência da manchete. O que eles nunca mencionaram, como já amplamente documentado, foi a economia de quase R$ 1 trilhão que a PEC 14 proporciona ao Ministério da Saúde com a eliminação da intermediação das Organizações Sociais, que triplicam o custo por agente. Ignoraram também que a bancada do PT votou unanimemente a favor da proposta na Câmara, desmontando a fake news de que o governo Lula seria contrário à medida. Diante da incapacidade de convencer o Congresso e a opinião pública com argumentos técnicos, a imprensa partiu para o ataque pessoal.
O dia 30 de junho de 2026 foi exemplar nesse sentido. O Globo estampou reportagens como “Senado vai na contramão por oportunismo eleitoral” e “Senado votar aposentadoria especial para agentes de saúde é um abuso”, além de editorial intitulado “Irresponsabilidade fiscal de Alcolumbre nada deve à de Lula”. A manchete do G1, parceiro da mesma rede, foi ainda mais incisiva: “Presidente do Senado reclama de ser chamado de ‘o homem das pautas-bomba’ e de ‘ataques’ por ‘autoridades da República’”. O UOL noticiou que “Alcolumbre se diz atacado e adia votação de pauta-bomba”. A Poder360 informou que o presidente “definiu em plenário semipresencial nesta 3ª feira que a PEC deve ser debatida em 5 sessões, adiando a votação”. O que todas essas reportagens têm em comum? Repetem acriticamente a alcunha de “pauta-bomba” como se fosse um fato da natureza, e não uma construção discursiva a serviço de interesses específicos.
O próprio Alcolumbre, em pronunciamento no plenário, denunciou a orquestração: “Já teve mais de 50 matérias [na imprensa] dizendo que o presidente do Senado Federal é o homem da pauta-bomba”. E completou: “Não está bom, não é adequada a maneira que algumas autoridades da República estão tratando alguns assuntos que estão pendentes de apreciação no Senado Federal. Não está normal as agressões, as ofensas e os ataques que o presidente do Senado Federal está tendo a todo instante”. O senador rebateu as críticas afirmando que muitas das agendas aprovadas “permitiram viabilizar políticas públicas e atenderam um setor, um segmento, uma parcela da população que necessitava dessa flexibilização” — uma defesa que ecoa exatamente o que a PEC 14 representa: justiça social para quem construiu o SUS.
A ofensiva contra Alcolumbre, no entanto, não é apenas sobre a PEC 14. Ela se insere em um contexto mais amplo de desgaste da imagem do presidente do Senado, que vem pautando projetos com impacto fiscal e travando pautas prioritárias do governo Lula, como o fim da escala 6x1. A grande imprensa, insatisfeita com a derrota na batalha da PEC 14 — que segue viva e com forte apoio parlamentar —, decidiu transferir o campo de batalha para o terreno pessoal, tentando associar Alcolumbre a uma suposta “irresponsabilidade fiscal” que, convenientemente, nunca é cobrada com a mesma ênfase quando se trata de renúncias fiscais para grandes empresas ou de aumentos do orçamento da Defesa.
Há ainda um elemento que a imprensa cuidadosamente omite: o interesse direto dos grandes veículos na manutenção do modelo das Organizações Sociais. Como já demonstrado em análises anteriores, as OS são investigadas como fontes de “caixa-dois” de campanha e cabides para cabos eleitorais — e esses mesmos recursos, em anos eleitorais, abastecem os cofres dos jornais por meio da compra de espaços publicitários. Ao atacar Alcolumbre por pautar a PEC 14, O Globo, o Estadão e a Folha defendem, na verdade, seus próprios anunciantes. A alcunha de “homem das pautas-bomba” é a arma escolhida para intimidar o presidente do Senado e desestimular novas pautas que ameacem o lucro das intermediárias.
O que a imprensa não consegue esconder, por mais que tente, é o fracasso de sua própria narrativa. A PEC 14 foi aprovada na Câmara com mais de 400 votos, passou pela CCJ do Senado com parecer favorável e, mesmo com o adiamento tático de Alcolumbre — que atendeu ao pedido da nova líder do governo, Teresa Leitão (PT-PE) —, a proposta segue viva e com votação prevista para 15 de julho. A economia de quase R$ 1 trilhão com a eliminação das OS, a valorização de 377 mil agentes de saúde e o reconhecimento de uma dívida histórica do Estado brasileiro são fatos que nenhuma manchete alarmista conseguirá apagar.
A ofensiva contra Alcolumbre, portanto, é um tiro no próprio pé da imprensa. Ao expor seu viés de classe de forma tão escancarada — atacando não o mérito da proposta, mas a pessoa que a pautou —, os grandes jornais revelam sua verdadeira face: não são fiscalizadores do gasto público, são porta-vozes de quem lucra com o gasto mal feito. A alcunha de “homem das pautas-bomba” pode até viralizar nas redações, mas não resiste ao confronto com os números: a PEC 14 gasta R$ 30 bilhões na Previdência e economiza R$ 1 trilhão na Saúde. O saldo, como já se sabe, é de R$ 970 bilhões a favor do povo brasileiro. E esse é um cálculo que nenhuma manchete de O Globo conseguirá jamais refutar.
Com informações de O Globo, G1, UOL, Poder360, Agência Senado, Congresso em Foco, Revista Fórum, InfoMoney, Terra ■