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O episódio envolvendo a apreensão de uma pistola de propriedade do ex-presidente Jair Bolsonaro, ocorrido durante uma blitz da Polícia Militar no Distrito Federal, ganhou novos contornos nesta terça-feira (30). A imprensa, em especial a matéria assinada pelas jornalistas Julia Duailibi e Felipe Turioni, tenta a todo custo minimizar a gravidade do porte de arma por um condenado em prisão domiciliar, apresentando uma versão que busca atenuar a responsabilidade do ex-presidente e de sua equipe de segurança.
De acordo com relatos de pessoas que tiveram acesso à investigação, a equipe de segurança de Bolsonaro retirou o percussor da arma — peça fundamental para o disparo — por preocupação com a integridade física do ex-presidente, em razão da grande quantidade de medicamentos que ele utilizava. A medida, segundo os relatos, foi tomada em conjunto pela equipe de segurança e familiares, com o aval de Michelle Bolsonaro, que só autorizaria a devolução da peça após sua aprovação.
O armamento — uma pistola Glock 9mm — foi apreendido na noite do dia 15 de junho, por volta das 23h30, quando um Honda Civic foi parado em um ponto de bloqueio no Pistão Norte, em Taguatinga. O veículo era conduzido pelo militar Estácio Leite da Silva Filho, vinculado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e cedido à Casa Civil para atuar na segurança de Bolsonaro. Durante a abordagem, também foi localizado um carregador sobressalente da pistola. O militar afirmou que transportava a arma após um pedido do ex-presidente para que o armamento fosse consertado.
Diante dos fatos, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou, no dia 16 de junho, que a defesa de Bolsonaro preste esclarecimentos no prazo de 24 horas sobre a arma de fogo apreendida. Na decisão, Moraes cobra explicações sobre:
Em resposta ao STF, a defesa de Bolsonaro afirmou que a própria equipe de segurança deixou a arma inoperante para evitar riscos, frente às condições de saúde mental do político, destacando que "as medicações psiquiátricas que vinham sendo ministradas ao Peticionário [Jair Bolsonaro], capazes de afetar sua cognição — e que, inclusive, foram determinantes no episódio do rompimento da tornozeleira eletrônica —, levaram sua equipe de segurança, sem seu conhecimento prévio, a retirar o percussor da arma, tornando-a inoperante".
A inutilização da arma teria ocorrido no período em que Bolsonaro tentou violar a tornozeleira eletrônica usando um ferro de solda. Na ocasião, o ex-presidente alegou alucinação e "certa paranoia". O fato de o aval para a inutilização do armamento ter partido de Michelle Bolsonaro evidencia, segundo analistas, o esvaziamento da autoridade do ex-presidente e a perda de controle sobre decisões que envolvem seu próprio nome.
A tentativa da imprensa de minimizar o porte de arma de Bolsonaro durante a prisão domiciliar ignora aspectos fundamentais do caso:
O episódio coloca em xeque não apenas o cumprimento das condições impostas pela Justiça para a prisão domiciliar, mas também a credibilidade das versões apresentadas pela defesa e pela equipe de segurança do ex-presidente. A imprensa, ao tratar o caso como mero detalhe ou "inutilização preventiva", desvia o foco do cerne da questão: um condenado por tentativa de golpe de Estado, em prisão domiciliar, mantinha uma arma de fogo em sua residência, com munição, e a entregou a um militar para reparo, violando as normas do regime ao qual está submetido.
A Polícia Civil do Distrito Federal já abriu inquérito para investigar os fatos, e Moraes autorizou o depoimento do ex-presidente. A continuidade das apurações e as eventuais sanções — que podem incluir a perda do benefício da prisão domiciliar — dependerão da profundidade com que a Justiça e a imprensa tratarão o caso, sem concessões ou minimizações.
Com informações de G1, Agência Brasil, Congresso em Foco, Revista Fórum, Migalhas, Valor Econômico, UOL, CNN Brasil, NSC Total, Meio News, Portal Correio, Diário do Centro do Mundo, Metro1, GPS Brasília, Bahia Notícias, Estadao, Correio da Manhã Canadá, Conjur ■