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PF encontra provas de elo entre Flávio, Edir Macedo, Tarcísio e PCC
Investigação da Operação Miragem revela conexões financeiras e políticas que ligam o senador, o bispo da Universal e o governador de São Paulo a um esquema de fraudes bilionárias com lavagem de dinheiro do crime organizado
Politica
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■   Bernardo Cahue, 30/06/2026

A Polícia Federal deflagrou na manhã da última terça-feira (23) a Operação Miragem, que colocou sob investigação o Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. Mais de 50 agentes federais cumpriram nove mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal em São Paulo, com autorização para bloqueio e sequestro de bens que podem chegar a R$ 670 milhões, além da quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.

As investigações, subsidiadas por relatórios do Banco Central do Brasil, apontam que os investigados teriam manipulado demonstrativos contábeis e registros regulatórios para ocultar a real situação financeira da instituição, aparentar solvência perante os órgãos de controle e viabilizar operações supostamente irregulares. O esquema investigado inclui manipulação de resultados contábeis, supervalorização de ativos, operações financeiras supostamente ilegais em benefício do Digimais e possível inserção de informações falsas nos sistemas do Banco Central.

O rombo bilionário do banco de Edir Macedo já vinha sendo noticiado. A instituição, que era considerada sólida quando fundada em 1981 pela família Renner, saiu de uma situação estável para registrar prejuízo de R$ 740 milhões em 2022, após Edir Macedo assumir o controle integral em 2020 e rebatizar o banco como Digimais. A PF indica que o Digimais seguiu o mesmo modelo predatório do Banco Master, que também é investigado por um rombo bilionário.

O modus operandi das fraudes do Digimais seria semelhante ao do Master: enquanto Daniel Vorcaro, do Master, multiplicava ativos fabricando carteiras inteiras de crédito consignado falso, a instituição de Macedo optou por um mecanismo de reciclagem. Seu banco pegava carteiras de crédito podres, como financiamentos de veículos que ninguém ia pagar, e as jogava em fundos de investimento em que o próprio banco era o dono — o velho golpe do “Zé com Zé” para fingir saúde financeira e apresentar lucro no balanço.

As investigações revelaram ainda um elo direto entre o Digimais e a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). De acordo com informações obtidas pela PF, recursos oriundos do banco de Edir Macedo teriam sido direcionados para financiar ações da campanha do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A suspeita é que o Digimais tenha usado fundos de investimentos para maquiar um rombo bilionário e, ao mesmo tempo, bancar operações políticas. A conexão entre Flávio Bolsonaro e Edir Macedo já vinha sendo observada por aliados, que recentemente buscaram aproximação com Tarcísio de Freitas durante a campanha à Presidência.

Outro desdobramento grave da investigação aponta para a lavagem de dinheiro de facções criminosas. A PF investiga a tese de que o Banco Master, e agora também o Digimais, lavava dinheiro de facções criminosas como o PCC. Flávio Bolsonaro teria negociado com Vorcaro, do Master, o envio de R$ 134 milhões, e há suspeitas de que parte desses recursos tenha origem em dinheiro de facções criminosas. A conexão com o crime organizado é apontada como um dos riscos políticos para o senador.

O envolvimento do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também foi exposto pela Operação Miragem. O Banco Digimais foi autorizado pelo governo de São Paulo a operar empréstimos consignados para policiais militares em setembro do ano passado, quando o banco já andava mal das pernas. O credenciamento público, com validade até 2030, foi realizado em agosto de 2025, ocasião em que a instituição já apresentava dificuldades financeiras.

Diante das revelações, a oposição passou a mirar em Tarcísio por sua ligação com o caso. O deputado estadual Maurici (PT) questionou: “O Banco Digimais já acumulava prejuízos, denúncias e sinais de alerta, mas mesmo assim o governo Tarcísio abriu espaço para ele operar consignado na folha da PM. Nós acionamos o MP-SP, que preferiu arquivar. Agora a PF entrou no caso. Quem autorizou, quem protegeu e quem vai pagar essa conta?”

Em maio deste ano, o Ministério Público havia arquivado uma representação sobre o tema, afirmando não haver indícios de irregularidades. No entanto, a deflagração da Operação Miragem pela PF reacendeu as suspeitas sobre a conveniência política que permitiu ao banco de Edir Macedo operar consignados para servidores públicos paulistas. O governo Tarcísio defende que o credenciamento é público e regulamentado, mas os fatos revelados pela investigação colocam sob forte escrutínio a relação entre o Republicanos — partido do governador e ligado à Igreja Universal — e o banco do bispo Edir Macedo.

A Operação Miragem escancara, portanto, um emaranhado de conexões financeiras e políticas que liga o rombo bilionário do Banco Digimais, o financiamento da campanha de Flávio Bolsonaro, o dinheiro de facções criminosas e a autorização concedida pelo governo Tarcísio de Freitas. A PF agora trabalha para consolidar as provas desses elos, que prometem agitar ainda mais o cenário político brasileiro.

Com informações de BBC News Brasil, Canal Meio, UOL, O Globo, Veja, Hora do Povo, Estadao, Brasil de Fato, O Globo (Jogo Político), Coletivo Bereia, Gazeta do Paraná ■

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