Siga nossas redes sociais
Logo     
Siga nossos canais
   
Flávio Bolsonaro no centro de esquema bilionário de Vorcaro
Investigação da Polícia Federal aponta que recursos desviados de fundos de pensão e governos estaduais abasteceram o filme "Dark Horse" e beneficiaram a família Bolsonaro, enquanto o ministro André Mendonça é pressionado a agir
Politica
Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTri_FpODIQqKLG4EDIQXOE-mlp4lHGNZpyXw&s
Compartilhar:
■   Bernardo Cahue, 24/06/2026

A crise política envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o clã Bolsonaro se aprofundou nas últimas semanas com as revelações do escândalo do Banco Master. A Polícia Federal investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e evasão de divisas que teria o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, como operador e a família Bolsonaro como beneficiária.

O caso veio à tona após o portal Intercept Brasil divulgar, em 13 de maio de 2026, áudios e mensagens em que Flávio Bolsonaro cobrava pagamentos de Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse", uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo as investigações, o banqueiro chegou a repassar ao menos R$ 61 milhões para a produção. O valor seria enviado para um fundo nos Estados Unidos ligado a um advogado que atua para o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

As revelações expuseram uma série de contradições na versão apresentada pelo senador. Flávio Bolsonaro chegou a negar a banqueiros influentes que mantinha qualquer relação com Vorcaro. Dias depois, porém, os áudios divulgados pelo Intercept comprovaram o contato. O senador também afirmou que desconhecia irregularidades no Banco Master quando procurou o banqueiro. No entanto, uma cronologia divulgada pelo G1 mostra que, dois meses antes de Flávio se encontrar com Vorcaro, a cúpula do governo do Rio de Janeiro — do mesmo partido do senador, o PL — já tinha ciência das suspeitas sobre o banco. O governo do Estado do Rio, sob Cláudio Castro (PL), fez três aportes no Banco Master que somaram R$ 3,7 bilhões.

O senador admitiu, em 19 de maio, que se reuniu com Vorcaro após a prisão do banqueiro, em novembro de 2025. Segundo Flávio, o encontro serviu para encerrar a participação de Vorcaro no filme. No entanto, o Intercept Brasil revelou que Flávio e o deputado Mário Frias (PL-SP) articularam um plano para levar o ex-presidente Jair Bolsonaro à mansão de Vorcaro em Brasília. O encontro foi autorizado pelo banqueiro um dia após o ex-presidente se tornar réu por tentativa de golpe.

Documentos obtidos com exclusividade pelo Intercept mostram que Eduardo Bolsonaro atuou como produtor-executivo do filme "Dark Horse", com poder sobre a gestão financeira do projeto, contrariando suas próprias declarações públicas. O contrato, assinado digitalmente por Eduardo em janeiro de 2024, o coloca como responsável por decisões estratégicas relacionadas ao financiamento do filme.

A Polícia Federal avalia que as transações feitas por Vorcaro para financiar o filme podem configurar crime de evasão de divisas. Os investigadores suspeitam que os recursos tenham sido utilizados para custear despesas de Eduardo Bolsonaro no exterior. A PF já emitiu parecer favorável à abertura de investigação sobre o caso.

O esquema de lavagem de dinheiro, segundo a investigação, envolvia a criação de fundos de investimento "fake" que recebiam dinheiro público desviado de governos estaduais e de fundos de pensão. Esses fundos, em vez de realizar investimentos legítimos, repassavam os recursos para empresas de fachada e para políticos aliados. O dinheiro era então "maquiado" por meio de múltiplas camadas de transferências entre fundos e holdings, dificultando o rastreamento.

Um dos exemplos citados na investigação envolve a produtora do filme "Dark Horse", que teria recebido R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo. Parte desse dinheiro teria sido enviada para empresas ligadas a secretários do prefeito Ricardo Nunes (MDB), que é aliado do bolsonarismo. O caso, no entanto, tem sido tratado com menor repercussão na imprensa em comparação com escândalos que envolvem nomes do PT.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, é o relator da Operação Compliance Zero, que investiga as fraudes do Banco Master. Mendonça tem sido pressionado por não ter autorizado ainda uma operação contra Flávio Bolsonaro. A colunista Eliane Cantanhêde foi uma das primeiras a cobrar publicamente uma ação do ministro.

Enquanto isso, o senador Flávio Bolsonaro tenta reagir às suspeitas e cobra a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o Banco Master, afirmando que o "escândalo envolvendo o PT é como a incompetência do governo Lula". A estratégia, no entanto, esbarra nas evidências que apontam para o envolvimento direto do senador e de sua família no esquema.

O procurador-geral da República ainda não se manifestou formalmente sobre a abertura de um inquérito específico para apurar a evasão de divisas. A PF, no entanto, continua analisando o extenso material apreendido na Operação Compliance Zero.

O cenário expõe a gravidade das suspeitas que recaem sobre a família Bolsonaro em um ano eleitoral. Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, vê sua imagem ser contaminada pela associação a Vorcaro, considerado o mentor da maior fraude financeira já registrada no Brasil. Com novos vazamentos prometidos pelo Intercept Brasil, a crise tende a se agravar nos próximos dias.

Com informações de Agência Brasil, CNN Brasil, G1, GloboNews, Intercept Brasil, O Globo, Valor Econômico ■

Mais Notícias