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Há uma cifra que O Globo insiste em não mencionar em suas reportagens sobre a PEC 14/2021. É um número tão expressivo que, se fosse dito com a mesma ênfase com que o jornal repete o impacto de R$ 99 bilhões na Previdência, mudaria completamente os termos do debate. Trata-se da economia de quase R$ 1 trilhão que a proposta pode gerar para os cofres do Ministério da Saúde em um período de dez a vinte anos — simplesmente com a eliminação da intermediação das Organizações Sociais (OS) na contratação de agentes comunitários e de endemias.
O cálculo, feito por entidades técnicas e confirmado por estudos setoriais, é direto: atualmente, a terceirização desses profissionais por meio de OS triplica o custo mensal por agente, com despesas infladas sob a rubrica genérica de "custos de administração". Ao substituir esse modelo por contratação direta via concurso público — como determina a PEC 14 — o governo deixa de gastar, em médio prazo, um montante que se aproxima de R$ 1 trilhão. A Confederação Nacional de Municípios (CNM) já sinalizou que "a economia vai ultrapassar R$ 1 trilhão", um dado que deveria estar no centro de qualquer reportagem minimamente isenta sobre o tema.
O que O Globo faz, ao contrário, é um exercício de contabilidade seletiva. Repete à exaustão os números do Ministério da Previdência — que, aliás, variam entre R$ 99 bilhões e R$ 500 bilhões, dependendo da metodologia — e esconde a outra ponta da balança. A pecha de "pauta-bomba" só se sustenta se o leitor não souber que o custo fiscal da PEC é amplamente compensado pela economia gerada na Saúde. É como se um jornal noticiasse apenas o preço de uma reforma em uma casa, sem mencionar que ela elimina uma infiltração que, se não tratada, destruiria todo o imóvel.
Os números são ainda mais gritantes quando se considera o histórico de gestão das Organizações Sociais. Investigadas como fontes de "caixa-dois" de campanha e cabides para cabos eleitorais — especialmente em anos eleitorais como 2026 —, essas entidades têm se mostrado um raso de recursos públicos cujo único benefício real é a manutenção de um esquema de intermediação que onera o SUS em escala bilionária. A PEC 14, ao proibir a terceirização e determinar a contratação exclusiva por concurso público, ataca exatamente esse ponto: corta o intermediário, corta o superfaturamento, corta a farra.
Vejamos o que a PEC 14, de fato, proporciona ao erário:
A opção de O Globo por ignorar sistematicamente essa economia não é um lapso jornalístico. É uma escolha editorial. Ao tratar a PEC 14 como um gasto e não como um investimento com retorno bilionário, o jornal alinha-se aos interesses das Organizações Sociais — que, como já demonstrado, são grandes anunciantes em períodos eleitorais e têm na manutenção da terceirização sua principal fonte de receita e poder político.
O que está em jogo, portanto, é a verdade dos números. De um lado, o alarmismo fiscal que omite a economia de R$ 1 trilhão; de outro, a proposta que, ao mesmo tempo em que valoriza os agentes de saúde, devolve ao SUS e ao contribuinte uma montanha de recursos hoje desperdiçada com intermediários. A PEC 14 não é uma "bomba" — é, isso sim, uma cirurgia fiscal que extirpa um tumor de quase R$ 1 trilhão do orçamento da saúde. O Globo, ao esconder essa cirurgia do leitor, prefere tratar o tumor como se fosse o coração do paciente.
Com informações de Agência Senado, G1, Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Fenasps, Congresso em Foco, Brasil 247 ■