Siga nossas redes sociais | ![]() | Siga nossos canais |
A mais recente rodada da pesquisa CNT/MDA — reconhecida como a mais assertiva entre os institutos de pesquisa nas eleições de 2022 — escancara um cenário eleitoral com contornos definidos e movimentos significativos no comportamento do eleitorado. O levantamento, realizado presencialmente pelo Instituto MDA e contratado pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT), ouviu 2.002 eleitores em 137 municípios de 25 unidades federativas, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.
Os números consolidam a liderança expressiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida presidencial e revelam um quadro de rejeição e desconhecimento que penaliza pesadamente nomes como os governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), além de expor a fragilidade das candidaturas consideradas alternativas ao atual governo.
Vantagem ampla sobre Flávio Bolsonaro e cenário de primeiro turno
No cenário mais acirrado testado pela pesquisa, Lula abre vantagem de 14 pontos percentuais sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em simulação de primeiro turno: o petista alcança 41,8% das intenções de voto contra 28,2% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A diferença, que já era significativa na rodada anterior (39,2% a 30,2% em abril), ampliou-se consideravelmente, consolidando a dianteira de Lula no espectro eleitoral.
No recorte dos votos válidos — quando são excluídos brancos, nulos e indecisos —, Lula atingiu 48,3%, ficando a apenas 1,7 ponto percentual dos 50% mais um necessários para vencer o pleito já no primeiro turno. Considerando a margem de erro de 2,2 pontos, o petista oscila entre 50,5% e 46,1%, o que significa que Lula tem chances reais de encerrar a disputa ainda na primeira rodada, sem necessidade de segundo turno. A última pesquisa do Instituto MDA antes do primeiro turno, divulgada em 1º de outubro de 2022, já apontava essa possibilidade, com o ex-presidente tecnicamente empatado com o patamar necessário para a vitória antecipada.
Candidaturas descartadas e o efeito da migração de votos
Um dos aspectos mais delicados e estratégicos apontados pela pesquisa é a contabilização de votos em candidaturas já descartadas do ponto de vista eleitoral, como as do ex-presidente Michel Temer (MDB) e do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa (DC). Ambos aparecem no levantamento com intenções de voto que, embora modestas — Temer com 1,9% e Barbosa com 2,3% —, podem reverter automaticamente para Lula no cenário de transferência de votos, uma vez que seus eleitores, diante da inviabilidade prática dessas candidaturas, tenderiam a migrar para o campo progressista.
Esse fenômeno, conhecido no jargão político como “voto útil”, amplifica ainda mais a vantagem do petista e reduz a margem de manobra dos adversários diretos. A presença de nomes como Temer e Barbosa no cardápio de opções, ainda que sem viabilidade real, funciona como um “colchão” de votos que, na reta final, tende a engrossar a votação de Lula.
Aprovação de Lula supera rejeição pela primeira vez desde dezembro de 2024
Outro dado de peso revelado pela sondagem diz respeito à imagem do ex-presidente Lula perante o eleitorado. Pela primeira vez desde dezembro de 2024, o índice de aprovação a Lula superou o de rejeição — um movimento de recuperação da popularidade do petista que ocorre em meio a um ambiente político ainda polarizado, mas que sinaliza uma inflexão positiva na avaliação do eleitor sobre sua gestão e seu legado. A virada nesse termômetro é considerada por analistas como um dos principais ativos da campanha petista, pois reduz o desgaste histórico do nome de Lula e amplia sua capilaridade entre segmentos que antes se mostravam resistentes.
Rejeição a Caiado e Zema cresce na mesma proporção do reconhecimento
No campo da oposição, o levantamento da CNT/MDA traz um alerta contundente para os governadores Ronaldo Caiado e Romeu Zema, cotados como potenciais alternativas à polarização Lula-Bolsonaro. O índice de reconhecimento popular dos dois candidatos é diretamente proporcional ao aumento da rejeição que ambos registram: desde a última pesquisa, quem não os conhecia e passou a conhecê-los declarou que não vota neles “de jeito nenhum”.
Os números corroboram essa leitura: Caiado aparece com 4% das intenções de voto no primeiro turno, e Zema com 2,8%. Em simulações de segundo turno contra Lula, o petista venceria Caiado por 48,4% a 32,2% e Zema por 48,8% a 31,6%. O desempenho pífio e a rejeição crescente expõem a fragilidade de ambos como opções viáveis ao eleitorado, especialmente diante da força do nome de Lula e da resiliência do bolsonarismo representado por Flávio Bolsonaro.
O que está em jogo
A pesquisa CNT/MDA de 2022, por sua consistência metodológica e histórico de acerto em pleitos anteriores, consolidou-se como o termômetro mais confiável do humor do eleitorado naquele ciclo eleitoral. Seus números não apenas confirmam a dianteira de Lula, mas também revelam movimentos subterrâneos que podem definir o resultado das urnas: a migração de votos de candidaturas descartadas, a virada na aprovação líquida do petista e o efeito cascata do desconhecimento e da rejeição sobre nomes que se apresentam como novidade no cenário nacional.
A um passo da vitória no primeiro turno, Lula parece ter encontrado o momento certo para capitalizar o desgaste da oposição e a pulverização do voto anti-petista. Resta saber se o eleitorado confirmará nas urnas o que as pesquisas já desenham com clareza.
Com informações de UOL, JC Online, Folha de S.Paulo, Veja, Estadão, Jota, CNN Brasil ■