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Novo espectro do autoatentado como estratégia eleitoral
Declaração de Eduardo Bolsonaro sobre risco de atentado contra o irmão reaviva a tática da vitimização
Politica
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■   Bernardo Cahue, 16/06/2026

Em mais um episódio que tensiona o cenário político brasileiro, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) utilizou suas redes sociais e entrevistas para emitir um alerta grave: segundo ele, seu irmão, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), estaria sob risco iminente de sofrer um atentado. A declaração, feita em tom dramático dos Estados Unidos, foi acompanhada de comparações com episódios de violência política contra lideranças de direita nas Américas, como o assassinato de Fernando Villavicencio no Equador, o ataque contra Miguel Uribe Turbay na Colômbia, a facada contra Jair Bolsonaro em 2018 e o tiro contra Donald Trump.

“Cada vez mais vai valer a pena assassinar Flávio”, afirmou Eduardo, sugerindo que a morte do irmão deixaria a eleição “entregue de bandeja” ao presidente Lula. A fala, no entanto, soa menos como um alerta genuíno de segurança e mais como a reativação de um manual político já conhecido dos brasileiros: a estratégia da vitimização extrema para mobilizar o eleitorado e desviar o foco de denúncias incômodas.

Não é segredo para a análise política nacional que o atentado a faca sofrido por Jair Bolsonaro em 2018, durante a campanha presidencial, foi um divisor de águas. Na época, o então candidato aparecia estagnado nas pesquisas e, após o episódio, viu sua popularidade disparar, impulsionado por uma onda de comoção e pela narrativa de que seria um “sobrevivente” lutando contra o “sistema”. A facada, cujas circunstâncias até hoje são cercadas de controvérsias e questionamentos sobre a veracidade, foi determinante para alavancar sua campanha e pavimentar seu caminho até o Palácio do Planalto.

Diante desse histórico, a nova investida de Eduardo Bolsonaro acende um sinal de alerta máximo. Ao sugerir que Flávio pode ser vítima de um atentado, o bolsonarismo volta a mobilizar a narrativa da perseguição e do martírio em um momento em que o senador aparece pressionado por revelações envolvendo suas relações políticas e financeiras com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Encurralada pelo “derretimento acelerado nas pesquisas” e sob o peso de esquemas financeiros, a pré-candidatura de Flávio recorre ao “mais manjado salva-vidas retórico: o discurso do martírio iminente”.

A crítica que se impõe é clara: ao repetir o roteiro de 2018, Eduardo Bolsonaro não apenas banaliza a violência política real, como também tenta manipular o eleitorado com um expediente que já se mostrou eficaz no passado. A insistência em plantar a suspeita de um complô contra a família Bolsonaro, sem apresentar provas concretas ou acionar os órgãos de segurança de forma oficial, sugere que o objetivo não é proteger a integridade física de Flávio, mas sim criar um factoide eleitoral.

Mais grave: a estratégia busca transferir para a esquerda a responsabilidade por um suposto incentivo à violência, quando, na verdade, são os próprios bolsonaristas que semeiam o pânico e a desinformação para obter ganhos políticos. A comparação com assassinatos reais de líderes na Colômbia e no Equador, sem qualquer lastro com a realidade brasileira, é um desserviço à democracia e uma tentativa desesperada de se manter relevante em um cenário eleitoral que se mostra adverso.

Em suma, a fala de Eduardo Bolsonaro expõe a essência de uma política baseada na comoção fabricada. A história mostra que o suposto atentado contra Jair foi determinante para o resultado das eleições de 2018, e o alerta sobre Flávio parece seguir a mesma cartilha: criar uma cortina de fumaça para encobrir fragilidades, mobilizar a base com o discurso da “salvação” e tentar repetir, artificialmente, o milagre eleitoral que um dia deu certo.

Com informações de Brasil 247, Poder360, Revista Fórum, Estadão, Folha de S.Paulo, G1, Congresso em Foco, Revista Cenarium, GGN, CartaCapital, Gazeta do Povo, CNN Brasil, O Globo e UOL ■

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