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A prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, decretada em março de 2026 pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), não apenas expôs um esquema de fraudes bilionárias no sistema financeiro, mas também reacendeu a relação umbilical entre o clã Bolsonaro e o empresário. Agora, nos bastidores da Segunda Turma do STF, uma "tropa de choque" bolsonarista — com participação direta do ex-deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL) e do influenciador digital Paulo Figueiredo — articula nos bastidores para reverter a prisão do banqueiro.
De acordo com informações do blog da jornalista Andrea Sadi, da Rede Globo, aliados de Flávio Bolsonaro mapearam os votos na Segunda Turma do STF para tentar soltar Daniel Vorcaro. O colegiado, formado pelos ministros Gilmar Mendes (presidente), Luiz Fux, Nunes Marques e André Mendonça, julgará o caso com apenas quatro integrantes, após Dias Toffoli declarar suspeição. O cálculo político do entorno bolsonarista é que um eventual empate — o que seria possível com o número ímpar de juízes — favoreceria o réu, resultando na libertação imediata de Vorcaro.
Embora nenhum dos dois tenha formalmente endossado a liberdade do banqueiro em ações judiciais, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo têm atuado como vozes influentes nesse movimento. O ex-deputado, que mora nos Estados Unidos sob investigação da Polícia Federal (PF) por suspeita de ter recebido recursos de Vorcaro para custear seu autoexílio e atuar como lobista contra o Brasil, tornou-se uma peça-chave na tentativa de desconstruir as acusações contra o ex-banqueiro. Já Paulo Figueiredo, conhecido por sua lealdade ao clã Bolsonaro e hoje foragido nos EUA, utilizou suas plataformas para minimizar o escândalo, admitiu em um tuíte que o caso "é um escândalo", mas criticou a gestão da crise pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como "atabalhoada", numa tentativa de desviar o foco das revelações.
A ofensiva judicial e midiática ocorre em um momento de fragilidade máxima para o grupo. Em maio de 2026, reportagens do Intercept Brasil e de outros veículos revelaram que Flávio Bolsonaro negociou com Vorcaro um aporte de R$ 134 milhões para bancar o filme "Dark Horse", uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Do montante, R$ 61 milhões já teriam sido repassados para um fundo sediado no Texas controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro, segundo investigações da PF.
A prisão de Vorcaro, autorizada por André Mendonça, foi a primeira ação do ministro como relator do chamado "caso Master". O banqueiro já havia sido preso em novembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero, mas foi solto 11 dias depois pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), sob uso de tornozeleira eletrônica. Contudo, em março de 2026, a nova fase da operação apontou que Vorcaro mantinha uma "milícia privada" para intimidar adversários, o que levou à decretação da prisão preventiva.
A movimentação em favor da soltura do banqueiro é interpretada por especialistas como uma tentativa desesperada de evitar que Vorcaro feche um acordo de delação premiada. Em eventual colaboração com a Justiça, ele poderia detalhar como o Banco Central, sob gestão de Roberto Campos Neto, facilitou sua escalada criminosa; explicar a compra de títulos podres de R$ 12 bilhões pelo BRB; e revelar o uso de um fundo texano para lavagem de dinheiro que, segundo a PF, bancou a campanha de Eduardo Bolsonaro contra o Brasil. "Com medo de ter o mesmo destino de seu 'sicário', suicidado na sede da PF em Belo Horizonte, Vorcaro já orientou seus advogados a dizerem que não pretende fazer um acordo", revelou a reportagem.
Enquanto isso, a defesa de Vorcaro nega todas as acusações, e os irmãos Bolsonaro insistem que o dinheiro era exclusivamente para o filme. Contudo, a proximidade extrema entre o clã e o banqueiro — materializada agora em uma articulação política explícita pela liberdade de Vorcaro — consolida a percepção de que o caso é muito mais do que uma crise financeira: é a maior prova do entrelaçamento entre o poder político bolsonarista e um esquema de fraudes bilionárias que abalou o sistema bancário nacional.
Com informações de BBC News Brasil, G1, O Estado de S.Paulo, O Globo, Intercept Brasil, UOL, TV Globo, Jornal da Cidade, Jornal da Manhã, R7, CartaCapital, Correio Braziliense, Estadão, Gazeta do Povo, O Sul, Valor Econômico, Exame, IstoÉ, Época, Terra, Veja, Mídia Ninja, Rede Brasil Atual, Opera Mundi, Jornal GGN, Pragmatismo Político, Carta Maior, Brasil de Fato, Revista Fórum, CBN, BandNews FM, Jovem Pan, Metrópoles, Poder360, Congresso em Foco, Migalhas, Consultor Jurídico, Jota, Direito.do, Justificando, Análise Econômica, Infomoney, Money Times, Broadcast, Agência Brasil, Agência Câmara, Agência Senado, Senado Notícias, Supremo em Pauta, STF Notícias, TCU Informa, CGU Online, MPF Notícias, PF Notícias, PF em Ação, Polícia Federal, Ministério Público Federal, Controladoria-Geral da União, TCU, STJ ■