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Foi um dos encontros mais aguardados e, ao mesmo tempo, mais constrangedores da política brasileira recente. Na terça-feira (26), o senador e pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foi recebido por Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca. Mas, ao contrário do que a imagem sugere, o que poderia ter sido um troféu de campanha rapidamente se transformou em motivo de chacota e análise crítica da política externa caseira dos Bolsonaro.
A agenda, anunciada com pompa por aliados, não foi confirmada oficialmente pela Casa Branca. Flávio, em desespero para reverter os efeitos tóxicos do escândalo envolvendo suas conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro (do Banco Master), viajou para Washington sem a certeza de que seria recebido. O pedido central do senador foi a classificação das facções PCC e CV como "organizações terroristas estrangeiras", medida à qual o governo Lula se opõe formalmente. Mas o que mais chamou a atenção foi o registro fotográfico do encontro: Trump aparece sentado, com um sorriso forçado, enquanto Flávio, Eduardo e Paulo Figueiredo permanecem em pé, em uma pose que especialistas classificaram como "pior a foto que o soneto". Relatos de bastidores indicam que Trump sequer se levantou da cadeira para recebê-los, um gesto de pouco prestígio para quem buscou um encontro como "bênção" eleitoral.
O enredo, no entanto, é ainda mais grotesco quando examinamos o comportamento paralelo de Eduardo Bolsonaro. Em uma demonstração clara de como a "diplomacia dos filhos" funciona nos EUA, Eduardo protagonizou uma série de episódios dignos de roteiro de humor involuntário. Primeiro, foi revelado que ele acionou a polícia americana após um repórter do The Intercept ter descoberto o endereço de sua mansão no Texas. A "ameaça" era um jornalista que, segundo Heloísa Bolsonaro, foi atendido inicialmente por sua filha de 5 anos. Eduardo, em um vídeo, reagiu de forma desproporcional, mencionando que muitas pessoas têm armas em casa no Texas.
Além do episódio da mansão, a dupla Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo Neto também foi responsável pela circulação de uma foto falsa, gerada por inteligência artificial, que os mostrava com Donald Trump em frente ao Departamento de Estado. A peça de desinformação, rapidamente desmentida por sites de checagem como Aos Fatos e G1, serviu como um troféu midiático para um público que se alimenta de fake news. A imagem foi criada por IA e continha erros gritantes de textura e proporção nos rostos. Isso não é tudo: a dupla já havia sido "escorraçada" em outubro de 2025, quando tentou participar de uma reunião diplomática entre o chanceler Mauro Vieira e o secretário Marco Rubio no Departamento de Estado. Relatos indicam que foram impedidos de entrar e literalmente colocados para correr.
Como analisar esses fatos? Em primeiro lugar, é evidente o caráter tático e desesperado da viagem de Flávio Bolsonaro:
Em segundo lugar, a performance de Eduardo nos EUA é o retrato do bolsonarismo no exterior:
Diante desse cenário, a viagem de Flávio Bolsonaro a Washington não foi um passo estratégico para a segurança nacional ou para as relações bilaterais. Foi, na verdade, um grande plano de comunicação política fracassado, abafado por fotos constrangedoras, fake news e pela revelação simultânea do luxo de Eduardo no Texas. O que poderia ter sido um troféu virou uma prova cabal do amadorismo e do descolamento da realidade que marcam a atual oposição brasileira.
Com informações de Folha de S.Paulo, Veja, Metrópoles, Gazeta do Povo, CNN Brasil, G1, Aos Fatos, Poder360, Jornal Opção, Público, The Intercept Brasil, O Globo, UOL, BBC News Brasil, DW Brasil, Brasil 247, Revista Fórum, ICL Notícias, Hora do Povo e O Sul ■