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O cenário político nacional foi sacudido nesta quarta-feira (13) com a divulgação, pelo site The Intercept Brasil, de conversas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro. As mensagens e o áudio, obtidos pela reportagem, apontam que o parlamentar teria negociado diretamente com Vorcaro um aporte de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões) para bancar a produção de "Dark Horse", um filme biográfico sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). De acordo com as revelações, ao menos US$ 10,6 milhões (aproximadamente R$ 61 milhões) teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025 para financiar o projeto cinematográfico ligado à família Bolsonaro. Em uma das gravações, de setembro de 2025, o senador é ouvido cobrando o banqueiro: “Está em um momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela para trás, cara, está todo mundo tenso”.
Após a repercussão negativa, Flávio Bolsonaro veio a público confirmar o pedido. Em nota, ele classificou a negociação como a busca de um "filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai" e enfatizou que não houve uso de "dinheiro público, zero de Lei Rouanet". O senador também afirmou que conheceu Vorcaro apenas em dezembro de 2024, após o fim do governo de seu pai e “quando não existiam acusações nem suspeitas públicas” sobre o banqueiro. Ele ainda pediu a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master e negou ter oferecido qualquer vantagem em troca do patrocínio.
No entanto, a defesa do senador ganhou um contorno inusitado na noite desta quinta-feira (14), quando seu irmão, o vereador Jair Renan Bolsonaro (PL), eleito por Balneário Camboriú (SC), foi às redes sociais para dar a sua versão. Em uma publicação no X (antigo Twitter), Jair Renan afirmou que "a verdade sobre o filme 'Dark Horse' é cristalina e já foi confirmada por quem de fato o produz: não há um centavo de dinheiro público, Lei Rouanet ou qualquer aporte do Daniel Vorcaro". A declaração, que visava inicialmente defender a família, acabou contradizendo diretamente a admissão do próprio irmão de que havia, sim, uma negociação ativa com Vorcaro.
A fala do vereador foi interpretada por analistas políticos como uma tentativa de minimizar o escândalo, mas que resultou em um constrangimento público para Flávio. "É uma situação delicada, pois enquanto um filho admite ter ido atrás do dinheiro, o outro insiste que o dinheiro nunca chegou", comentou um cientista político sob condição de anonimato. A repercussão foi imediata e provocou reações divergentes dentro do próprio espectro político da direita.
Reações e Desdobramentos PolíticosO desenrolar do caso tem gerado uma série de posicionamentos e novas linhas de investigação:
Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, está preso desde novembro de 2025, acusado de comandar um esquema bilionário de fraudes. A instituição foi liquidada pelo Banco Central no mesmo mês. As investigações apontam que as fraudes podem ultrapassar R$ 17 bilhões. A nova revelação sobre a negociação com Flávio reacendeu as discussões sobre a necessidade de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para aprofundar as investigações sobre as conexões políticas do ex-banqueiro, uma medida que o próprio senador Flávio Bolsonaro já defendeu.
A polêmica, que envolve uma das famílias mais influentes da política brasileira, promete se estender nas próximas semanas e pode ter impactos significativos na corrida eleitoral de 2026. A contradição entre os irmãos expõe as fissuras internas no clã Bolsonaro e levanta novas dúvidas sobre a transparência das fontes de financiamento do projeto cinematográfico.
Com informações de: G1, BBC News Brasil, UOL, Estadão, CNN Brasil, Poder360, GaúchaZH, Diário do Centro do Mundo, Jovem Pan News ■