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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, concedeu entrevista exclusiva à GloboNews nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, e fez uma série de revelações sobre o financiamento do filme "Dark Horse" (o Azarão), cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O parlamentar admitiu que os recursos pagos pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foram direcionados a um fundo administrado nos Estados Unidos por Paulo Calixto, advogado responsável pelo processo migratório e green card de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive atualmente nos EUA.
De acordo com reportagem publicada pelo site The Intercept Brasil na quarta-feira, 13 de maio, o dono do Banco Master comprometeu-se a pagar US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões na cotação da época) para o projeto. Documentos comprovam que, entre fevereiro e maio de 2025, seis transferências bancárias totalizando US$ 10,6 milhões (aproximadamente R$ 61 milhões) foram efetivamente pagas.
Em seu pronunciamento, Flávio Bolsonaro negou que os recursos tenham sido utilizados para custear despesas pessoais do irmão nos Estados Unidos. O senador afirmou que o montante foi destinado "integralmente" à produção do filme sobre seu pai e classificou a participação do advogado como natural e administrativa.
Quando questionado pela jornalista Malu Gaspar sobre o nome do fundo e seu mecanismo de funcionamento, o senador demonstrou desconhecimento em alguns pontos técnicos, limitando-se a reafirmar a destinação da verba para a obra cinematográfica. "Não sei exatamente qual é o nome do fundo. Esse dinheiro é integralmente utilizado para fazer o filme", respondeu o entrevistado.
O senador também justificou por que havia omitido previamente sua relação com Daniel Vorcaro, atribuindo o silêncio a uma cláusula de confidencialidade contratual que protegia os investidores do projeto. De acordo com Flávio, descumprir o acordo poderia gerar multa, razão pela qual ele preferiu não mencionar o contato com o banqueiro em declarações anteriores.
Contudo, a linha do tempo apresentada pelo senador contrasta com a evolução das investigações. Em novembro de 2025, dias antes de Vorcaro ser preso pela Polícia Federal sob acusação de chefiar uma organização criminosa envolvida em fraudes bilionárias, Flávio ainda cobrava o cumprimento das parcelas acertadas, dizendo à época que "não sabia das acusações" quando iniciou o contato.
Embora o senador tenha afirmado que "naquela época, ninguém sabia nada sobre as acusações de fraude contra ele", os primeiros sinais de irregularidades no Banco Master já haviam surgido entre agosto e setembro de 2025. Flávio, entretanto, manteve contato com Vorcaro dois meses depois dessas primeiras investigações virem a público.
Flávio também esclareceu que o aporte de Vorcaro não se tratava de doação ou favor pessoal, mas de um investimento com previsão de retorno financeiro conforme o desempenho comercial da obra. O senador afirmou que rompeu a relação com o banqueiro quando os pagamentos foram interrompidos e as denúncias vieram a público.
Enquanto Flávio apresentava sua versão, Eduardo Bolsonaro também se manifestou publicamente para negar qualquer recebimento dos recursos. Em sua conta oficial em redes sociais, o ex-deputado argumentou que seu status migratório nos EUA o impediria de receber transferências desse tipo. "A história que recebi dinheiro do fundo de investimento não se sustenta e é tosca. Meu status migratório não permitiria, se isso tivesse acontecido o próprio governo americano me puniria", escreveu.
Eduardo confirmou que apresentou o advogado Paulo Calixto ao deputado e produtor executivo do filme, Mário Frias (PL-SP), "por saber da sua competência" e afirmou que o escritório de advocacia cuida apenas da gestão burocrática, financeira e legal dos recursos da produção. "Apresentei ele ao Mário, que estava procurando investidores para o filme, por saber da sua competência. Gostariam que apresentassem advogados petistas e que não conheço?"
O esquema financeiro envolvendo o filme "Dark Horse" já é alvo de investigação da Polícia Federal, que busca entender três pontos centrais:
De acordo com investigadores ouvidos pelo blog da jornalista Andreia Sadi, do G1, o foco está em entender se o recurso teria sido aplicado na produção de um filme ou se esse discurso serviu apenas como justificativa para a transferência dos valores. A avaliação dos investigadores é que esclarecer o fluxo do dinheiro virou peça-chave para entender o alcance político e financeiro das conexões em torno de Vorcaro.
Nos bastidores da apuração, também há dúvidas sobre o papel do senador Flávio Bolsonaro nas negociações e sobre qual teria sido a destinação final dos recursos. A PF tenta confirmar se os US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões) debitados de Vorcaro de fato bancaram o filme ou se mascararam outro tipo de transação financeira.
Diante de sua pré-candidatura à Presidência, Flávio reforçou que a participação de Vorcaro se limitou ao investimento privado e que, ao romper o acordo, o banqueiro descumpriu o contrato, encerrando a parceria. O senador pediu ainda que se separe a investigação séria de supostas tentativas de "contaminação política" de seu nome.
O caso reacendeu o debate sobre financiamento privado de projetos culturais e levantou suspeitas sobre o uso de fundos sediados no exterior (no caso, o Havengate Development Fund LP, no Texas) para transações envolvendo figuras políticas de alta relevância. A expectativa agora é que a Polícia Federal apresente nos próximos dias os primeiros desdobramentos oficiais da investigação, que pode ou não confirmar as declarações do senador.
Com informações de G1, O Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, CNN Brasil, Terra, Metrópoles, Poder360, Valor Econômico, GaúchaZH, Jornal Nacional e GloboNews ■