Siga nossas redes sociais
Logo     
Siga nossos canais
   
Flávio Bolsonaro admite fundo de advogado de Eduardo em negócio com Vorcaro
Senador admite estrutura financeira gerida por Paulo Calixto, advogado de confiança de Eduardo; PF investiga se recurso para filme do pai teria bancado despesas do ex-deputado no exterior
Politica
Foto: https://www.estadao.com.br/resizer/v2/SKVHLP3DYBIZ7N7RWDS6XXMRBU.jpg?quality=80&auth=e1789fc59fbd906f89fa92bb930d95abe289958898ccff5225385ecac301e7ca&width=1200&height=675&smart=true
Compartilhar:
■   Bernardo Cahue, 15/05/2026

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, concedeu entrevista exclusiva à GloboNews nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, e fez uma série de revelações sobre o financiamento do filme "Dark Horse" (o Azarão), cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O parlamentar admitiu que os recursos pagos pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foram direcionados a um fundo administrado nos Estados Unidos por Paulo Calixto, advogado responsável pelo processo migratório e green card de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive atualmente nos EUA.

De acordo com reportagem publicada pelo site The Intercept Brasil na quarta-feira, 13 de maio, o dono do Banco Master comprometeu-se a pagar US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões na cotação da época) para o projeto. Documentos comprovam que, entre fevereiro e maio de 2025, seis transferências bancárias totalizando US$ 10,6 milhões (aproximadamente R$ 61 milhões) foram efetivamente pagas.

Em seu pronunciamento, Flávio Bolsonaro negou que os recursos tenham sido utilizados para custear despesas pessoais do irmão nos Estados Unidos. O senador afirmou que o montante foi destinado "integralmente" à produção do filme sobre seu pai e classificou a participação do advogado como natural e administrativa.

  • "Todos os recursos que foram aportados nesse fundo, que é específico para a produção do filme, foram usados integralmente para fazer o filme", declarou Flávio.
  • "Para colocar de pé uma estrutura dessa, criar um fundo, cuidar das questões legais, de burocracia, você tem que contratar um advogado, um advogado de confiança do Eduardo Bolsonaro, alguém que cuidou de todo o seu processo de green card. Está dentro do contexto do filme. O advogado é gestor do fundo também", completou.

Quando questionado pela jornalista Malu Gaspar sobre o nome do fundo e seu mecanismo de funcionamento, o senador demonstrou desconhecimento em alguns pontos técnicos, limitando-se a reafirmar a destinação da verba para a obra cinematográfica. "Não sei exatamente qual é o nome do fundo. Esse dinheiro é integralmente utilizado para fazer o filme", respondeu o entrevistado.

O senador também justificou por que havia omitido previamente sua relação com Daniel Vorcaro, atribuindo o silêncio a uma cláusula de confidencialidade contratual que protegia os investidores do projeto. De acordo com Flávio, descumprir o acordo poderia gerar multa, razão pela qual ele preferiu não mencionar o contato com o banqueiro em declarações anteriores.

Contudo, a linha do tempo apresentada pelo senador contrasta com a evolução das investigações. Em novembro de 2025, dias antes de Vorcaro ser preso pela Polícia Federal sob acusação de chefiar uma organização criminosa envolvida em fraudes bilionárias, Flávio ainda cobrava o cumprimento das parcelas acertadas, dizendo à época que "não sabia das acusações" quando iniciou o contato.

Embora o senador tenha afirmado que "naquela época, ninguém sabia nada sobre as acusações de fraude contra ele", os primeiros sinais de irregularidades no Banco Master já haviam surgido entre agosto e setembro de 2025. Flávio, entretanto, manteve contato com Vorcaro dois meses depois dessas primeiras investigações virem a público.

Flávio também esclareceu que o aporte de Vorcaro não se tratava de doação ou favor pessoal, mas de um investimento com previsão de retorno financeiro conforme o desempenho comercial da obra. O senador afirmou que rompeu a relação com o banqueiro quando os pagamentos foram interrompidos e as denúncias vieram a público.

  • "Minha relação com ele era exclusivamente para o filme. A única conexão que eu tenho com este senhor (Daniel Vorcaro) é este filme", afirmou.
  • "Não vou aceitar que nos misturem com os bandidos do PT. As relações são completamente distintas", disse ainda, tentando diferenciar o caso de supostas irregularidades cometidas por integrantes do governo anterior.

Enquanto Flávio apresentava sua versão, Eduardo Bolsonaro também se manifestou publicamente para negar qualquer recebimento dos recursos. Em sua conta oficial em redes sociais, o ex-deputado argumentou que seu status migratório nos EUA o impediria de receber transferências desse tipo. "A história que recebi dinheiro do fundo de investimento não se sustenta e é tosca. Meu status migratório não permitiria, se isso tivesse acontecido o próprio governo americano me puniria", escreveu.

Eduardo confirmou que apresentou o advogado Paulo Calixto ao deputado e produtor executivo do filme, Mário Frias (PL-SP), "por saber da sua competência" e afirmou que o escritório de advocacia cuida apenas da gestão burocrática, financeira e legal dos recursos da produção. "Apresentei ele ao Mário, que estava procurando investidores para o filme, por saber da sua competência. Gostariam que apresentassem advogados petistas e que não conheço?"

O esquema financeiro envolvendo o filme "Dark Horse" já é alvo de investigação da Polícia Federal, que busca entender três pontos centrais:

  • se o recurso realmente foi aplicado no projeto audiovisual;
  • se houve desvio de finalidade;
  • ou se parte do dinheiro acabou sendo usada para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos EUA.

De acordo com investigadores ouvidos pelo blog da jornalista Andreia Sadi, do G1, o foco está em entender se o recurso teria sido aplicado na produção de um filme ou se esse discurso serviu apenas como justificativa para a transferência dos valores. A avaliação dos investigadores é que esclarecer o fluxo do dinheiro virou peça-chave para entender o alcance político e financeiro das conexões em torno de Vorcaro.

Nos bastidores da apuração, também há dúvidas sobre o papel do senador Flávio Bolsonaro nas negociações e sobre qual teria sido a destinação final dos recursos. A PF tenta confirmar se os US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões) debitados de Vorcaro de fato bancaram o filme ou se mascararam outro tipo de transação financeira.

Diante de sua pré-candidatura à Presidência, Flávio reforçou que a participação de Vorcaro se limitou ao investimento privado e que, ao romper o acordo, o banqueiro descumpriu o contrato, encerrando a parceria. O senador pediu ainda que se separe a investigação séria de supostas tentativas de "contaminação política" de seu nome.

O caso reacendeu o debate sobre financiamento privado de projetos culturais e levantou suspeitas sobre o uso de fundos sediados no exterior (no caso, o Havengate Development Fund LP, no Texas) para transações envolvendo figuras políticas de alta relevância. A expectativa agora é que a Polícia Federal apresente nos próximos dias os primeiros desdobramentos oficiais da investigação, que pode ou não confirmar as declarações do senador.

Com informações de G1, O Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, CNN Brasil, Terra, Metrópoles, Poder360, Valor Econômico, GaúchaZH, Jornal Nacional e GloboNews ■

Mais Notícias