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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta terça-feira (12), que durante a reunião que manteve com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na semana passada, pediu ao líder norte?americano a entrega de criminosos brasileiros que vivem em Miami, na Flórida. A declaração foi feita em cerimônia no Palácio do Planalto, durante o lançimento do programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, que prevê investimentos de R$ 11 bilhões na área de segurança pública.
De acordo com Lula, o pedido foi feito nos seguintes termos: “Eu disse ao presidente Trump: ‘Se você quiser combater o crime organizado de verdade, você tem que começar a entregar alguns nossos [brasileiros] que estão morando em Miami’.” O presidente brasileiro complementou que, para enfrentar as organizações criminosas, é necessária cooperação internacional real, sobretudo para conter a lavagem de dinheiro e a entrada de armas no Brasil. “Parte das armas que apreendemos vem dos Estados Unidos”, destacou.
No discurso, Lula também rebateu a narrativa de que o crime organizado estaria restrito às periferias e favelas. Segundo ele, as lideranças criminosas estão infiltradas nos mais altos estratos da sociedade: “Os líderes do crime não estão nas favelas, mas nos bairros de alto padrão e infiltrados no empresariado, no Judiciário, no Congresso, no futebol, em todas as categorias.” O petista afirmou ainda que o crime organizado “nunca foi uma coisa de favela” e que muitas vezes os criminosos “estão no andar de cima, tomando whisky e zombando da nossa cara”.
Lula enfatizou que o Brasil está disposto a trabalhar com seriedade com os Estados Unidos contra o narcotráfico, mas condicionou qualquer colaboração à autonomia das autoridades brasileiras: “Disse ao presidente Trump que, se ele quiser participar, tem espaço. Mas vai ter que trabalhar em consonância com o que é decisão do governo do Brasil e da polícia brasileira.”
O encontro entre Lula e Trump ocorreu na última quinta-feira (7), na Casa Branca, e tratou de segurança pública, tarifas e comércio. A reunião terminou sem um pronunciamento conjunto dos dois chefes de Estado, e Lula deu entrevista coletiva na Embaixada do Brasil em Washington. Durante a coletiva, o presidente brasileiro afirmou que deseja fortalecer as relações econômicas entre os dois países: “Eu quero que os Estados Unidos voltem a ver no Brasil um parceiro importante para as suas atividades de empreendedorismo.”
Embora Lula não tenha citado nominalmente os criminosos nesta terça?feira, declarações anteriores do presidente mencionam que o governo já encaminhou à Casa Branca uma lista com nomes de brasileiros foragidos da Justiça que residem em Miami. Em uma conversa por telefone com Trump em dezembro de 2025, Lula citou o caso do empresário Ricardo Magro, apontado como um dos grandes devedores do país e que vive na Flórida. Já em fevereiro deste ano, o petista afirmou que o Brasil tem proposta de asfixia financeira e que “se o governo americano está disposto a combater o narcotráfico, que nos enviem os bandidos brasileiros que vivem em mansões em Miami”.
O programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, anunciado simultaneamente ao pedido de extradição, tem quatro eixos estratégicos principais:
Os recursos do programa somam R$ 11 bilhões, sendo R$ 1 bilhão do Orçamento da União e R$ 10 bilhões em linhas de crédito acessadas por estados e municípios, com aval do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além disso, Lula anunciou que o governo recriará o Ministério da Segurança Pública assim que o Senado aprovar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) sobre o tema, que já foi aprovada na Câmara dos Deputados.
Ao final do evento, o presidente deixou claro que o combate ao crime organizado exige uma abordagem que vá “da esquina até o andar de cima” e reiterou a necessidade de responsabilizar não apenas os executores nas ruas, mas também os mentores que se escondem em condomínios de luxo, dentro e fora do país.“Essas coisas é importante dizer porque senão eles passam a ideia de que a desgraça toda tá do lado de cá e que eles não tem nada a ver com isso”, concluiu Lula.
Com informações de G1, CBN, Revista Oeste, InfoMoney, R7, Terra, CNN Brasil e Metrópoles ■