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Lula desembarca na Alemanha em busca de parcerias em tecnologia
Presidente brasileiro é o principal convidado da maior feira industrial do mundo; Brasil deve assinar dez acordos em defesa, IA e inovação
Politica
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■   Bernardo Cahue, 19/04/2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou na manhã deste domingo (19) em Hannover, na Alemanha, para uma série de compromissos oficiais com o chanceler Friedrich Merz (CDU) e lideranças empresariais. A visita tem como eixo central a participação do Brasil como país parceiro da Hannover Messe 2026 – a maior feira de tecnologia e inovação industrial do mundo – e a assinatura de cerca de dez acordos bilaterais em áreas como defesa, inteligência artificial, energia e bioeconomia.

Logo após chegar a Hannover, Lula foi recebido pelo chanceler alemão Friedrich Merz com honras militares no Palácio de Herrenhausen, onde os dois líderes tiveram uma reunião privada antes da agenda oficial. O encontro marca o primeiro diálogo entre os chefes de Estado desde a ratificação do acordo de livre?comércio entre a União Europeia e o Mercosul, que poderá ser aplicado provisoriamente a partir de 1º de maio. Nos bastidores, também se espera que os líderes discutam o cenário geopolítico, especialmente as tensões comerciais e militares envolvendo o governo de Donald Trump.

De acordo com o governo brasileiro, os acordos previstos abrangem desde cooperação em defesa, inteligência artificial e infraestrutura até iniciativas de financiamento climático, economia circular e pesquisas nas áreas oceânicas e do cerrado. O ministro Carlos Henrique Moscardo, chefe da Divisão de Programas de Promoção Comercial e Investimentos, afirmou que a participação do presidente Lula na Hannover Messe “reflete uma decisão estratégica, em sintonia com a retomada da política industrial do país”.

A Alemanha é a maior economia da Europa, a terceira do mundo e a quarta maior parceira comercial do Brasil, com corrente de comércio de US$ 20,9 bilhões em 2025 e estoque de investimentos diretos estimado em US$ 38,5 bilhões em 2024. O fortalecimento dessa parceria, no entender da diplomacia brasileira, é ainda mais estratégico num momento de reorientação dos fluxos de investimento europeus diante das incertezas geopolímicas atuais.

A agenda de Lula na Alemanha inclui:

  • Domingo (19/4): Audiência com Martin Schulz, presidente da Fundação Friedrich Ebert; recepção com honras militares e reunião bilateral com Merz no Palácio de Herrenhausen; cerimônia de abertura da Hannover Messe; jantar oficial com executivos alemães e brasileiros.
  • Segunda (20/4): Abertura do estande brasileiro na feira; visita guiada pelos pavilhões; participação na 42ª edição do Encontro Econômico Brasil–Alemanha e na sessão plenária da 3ª Reunião de Consultas Intergovernamentais de Alto Nível. A previsão também inclui um deslocamento à cidade de Wolfsburg, sede global da Volkswagen, acompanhado de líderes sindicais das regiões do ABC paulista, Taubaté (SP) e Curitiba (PR).
  • Terça (21/4): Encerramento da viagem europeia em Lisboa, onde Lula se reunirá com o presidente português, António José Seguro, e com o primeiro?ministro Luís Montenegro, com foco na nova lei de nacionalidade e na cooperação bilateral.

O Brasil terá um espaço de aproximadamente 2.700 metros quadrados na Hannover Messe, organizado em seis áreas temáticas: transição energética, hidrogênio, digitalização, indústria avançada, economia circular e inteligência artificial. Mais de 140 empresas brasileiras e outras 300 representadas estarão presentes, com ao menos 800 executivos nacionais participando do evento, que vai de 20 a 24 de abril. O secretário de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira, destacou que a presença brasileira na feira ocorre depois de um hiato de 46 anos.

A Hannover Messe 2026, que tem como mote “Industrial Transformation”, coloca a inteligência artificial no centro dos debates sobre produção, automação e robótica. Pela primeira vez, o evento também conta com uma área dedicada à defesa – o “Defense Production Parc” – com cerca de 1.200 m² e 40 empresas expositoras, entre elas a Rheinmetall, e com a presença prevista do ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius.

No campo diplomático, o presidente Lula tem enfatizado a importância do multilateralismo e da reforma das instituições globais. Em entrevista ao Der Spiegel, ele declarou que Donald Trump “não foi eleito imperador do mundo” e que não pode “ameaçar constantemente outros países com a guerra”. Lula defende um assento permanente do Brasil no Conselho de Segurança da ONU e critica os altos gastos militares, afirmando que os US$ 2,7 trilhões desembolsados em armas em 2025 poderiam ser melhor aplicados no combate à fome e ao analfabetismo. “Temos que colocar ordem neste mundo que está a ponto de se transformar num cenário único de guerra”, disse o presidente.

A imprensa internacional deu ampla cobertura à visita. O jornal alemão Süddeutsche Zeitung destacou que os dois países querem aprofundar a parceria estratégica em setores como comércio, matérias?primas, defesa e digitalização. A rede pública alemã Tagesschau ressaltou que, pela primeira vez, a feira inclui um espaço dedicado à produção de defesa. Na América Latina, o Newsweek Argentina enfatizou a fala de Lula sobre o retorno do Brasil à Hannover Messe como país parceiro após quase cinco décadas e sua defesa do multilateralismo. A agência cubana Prensa Latina descreveu a visita como estratégica para a reindustrialização brasileira e a assinatura de dez instrumentos de cooperação. Na China, a Sina News repercutiu a visita em meio à disputa comercial com os EUA, lembrando que Lula já classificou a China como “o melhor parceiro do Brasil”. Já o Handelsblatt colocou a pergunta no centro do debate empresarial alemão: “Pode a indústria alemã de médio porte concorrer com a China?”.

Após passar pela Espanha, onde participou de um fórum progressista em Barcelona, Lula encerra a etapa alemã nesta segunda?feira e segue para Portugal na terça, última parada de sua viagem europeia. A comitiva que acompanha o presidente na Alemanha inclui os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Dario Durigan (Fazenda), Alexandre Silveira (Minas e Energia), João Paulo Capobianco (Meio Ambiente) e o ministro substituto da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luis Manuel Rebelo Fernandes.

Com informações de O Tempo, G1, Agência Brasil, A TARDE, CNN Brasil, Poder360, Süddeutsche Zeitung, Deutschlandfunk, Tagesschau, Börsennews, Newsweek Argentina, Prensa Latina, Agencia Gov, Handelsblatt, Sina News ■

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