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Repasses milionários do Banco Master a Ratinho e Metrópoles expõem críticos ao governo Lula
Documentos enviados à CPI revelam que apresentador e portal de Luiz Estevão receberam R$ 24 milhões e R$ 27,2 milhões, respectivamente, enquanto ambos mantêm reiterada linha editorial e política de oposição ao Palácio do Planalto
Politica
Foto: https://media.gazetadopovo.com.br/2026/04/08194420/Apresentador-Ratinho-Grupo-Massa-Banco-Master-corte-960x540.jpg.webp
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■   Bernardo Cahue, 10/04/2026

Documentos encaminhados pela Receita Federal à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado revelaram que o Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro, realizou repasses milionários a empresas ligadas ao apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, e ao portal Metrópoles, de propriedade do ex-senador Luiz Estevão. As movimentações financeiras, que somam dezenas de milhões de reais, ocorreram entre 2022 e 2025 e levantam questionamentos sobre a conduta ética dos beneficiários, que nos últimos anos se notabilizaram por reiterados ataques ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo os registros oficiais, as empresas do Grupo Massa, do apresentador Ratinho, receberam ao menos R$ 24 milhões em repasses do Banco Master. Do total, R$ 21 milhões foram destinados à Massa Intermediação e Assessoria Empresarial entre 2022 e 2025, enquanto outros R$ 3 milhões foram transferidos para a Gralha Azul Empreendimentos e Participações apenas em 2022. O apresentador atuava como garoto-propaganda do cartão consignado do banco, o CredCesta, voltado a servidores públicos. Em nota, o Grupo Massa afirmou que as operações são regulares e declaradas à Receita Federal, e que o governador do Paraná, Ratinho Junior, não integra o quadro societário das empresas citadas.

Já o portal Metrópoles, do ex-senador cassado Luiz Estevão, recebeu do Banco Master a quantia de R$ 27,2 milhões entre 2024 e 2025. De acordo com relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), parte desses valores foi transferida de forma imediata para empresas ligadas ao próprio empresário e a seus familiares, sendo classificada como operações “inusitadas” e fora do padrão esperado para o faturamento da empresa. A defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou sobre os repasses, enquanto a equipe de Luiz Estevão alega tratar-se de transações comerciais regulares.

O que torna o caso ainda mais emblemático é o histórico recente de ambos os beneficiários, marcado por uma postura crítica e, em muitos momentos, agressiva em relação ao governo Lula. Veja abaixo alguns exemplos:

  • Governador Ratinho Junior (PSD-PR): O filho do apresentador tem sido um dos principais líderes da oposição ao governo petista. Em evento do BTG Pactual em agosto de 2025, Ratinho Junior afirmou que Lula “não resolve os problemas do Brasil comendo jabuticaba e fazendo ‘videozinho’”. Na mesma ocasião, outros governadores bolsonaristas também atacaram o presidente. Em julho de 2025, o governador do Paraná disse que “falta inteligência” ao governo Lula ao tratar da desdolarização do comércio internacional.
  • Portal Metrópoles (Luiz Estevão): O veículo de comunicação mantém linha editorial de oposição ao Palácio do Planalto, frequentemente publicando reportagens que buscam associar o presidente Lula a escândalos de corrupção. O próprio Luiz Estevão, que foi o primeiro senador cassado da história do Brasil por envolvimento em desvio de verbas na construção do Fórum Trabalhista de São Paulo, utiliza o portal como trincheira para ataques ao STF e ao PT.

Os dados oficiais que embasam esta reportagem foram obtidos pela imprensa e constam nos relatórios da Receita Federal enviados à CPI. Além de Ratinho e Metrópoles, a lista de beneficiários do Banco Master inclui nomes como Michel Temer, ACM Neto, Guido Mantega, Henrique Meirelles, Ricardo Lewandowski e Antônio Rueda.

O episódio expõe o que especialistas classificam como uma contradição de difícil conciliação: ao mesmo tempo em que Ratinho e o Metrópoles se apresentam como paladinos da ética e críticos ferrenhos do governo federal, recebiam volumosos recursos de uma instituição financeira alvo de investigações por suspeitas de irregularidades e que, em novembro de 2025, teve sua liquidação decretada pelo Banco Central. A proximidade entre o discurso de oposição e o financiamento privado por um banco sob escrutínio das autoridades levanta sérias questões sobre a independência e a lisura de ambas as partes.

Procurado, o Grupo Massa reiterou que o governador Ratinho Junior não possui participação nas empresas beneficiadas e que todas as transações foram devidamente declaradas. Já a reportagem não conseguiu contato com a assessoria do Metrópoles para comentar o caso até o fechamento desta edição. O espaço segue aberto para manifestações.

Com informações de TNH1, Estado de Minas, Tribuna do Paraná, Gazeta do Paraná, Plantão Brasil, Diário do Centro do Mundo, Revista Fórum, UOL, Metrópoles, Pragmatismo Político e Pensar Piauí ■

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