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A China atingiu um novo marco na corrida pelas energias renováveis com a instalação e ativação da turbina eólica marinha mais potente do mundo. Desenvolvida pela estatal Dongfang Electric Corporation (DEC), a turbina possui uma capacidade de geração de 26 megawatts (MW), superando o recorde anterior de 21,5 MW, pertencente a um protótipo dinamarquês da Siemens Gamesa. Este feito não é isolado: paralelamente, um consórcio entre a China Three Gorges e a Goldwind colocou em operação a primeira turbina marinha comercial de 20 MW do planeta. Juntos, esses projetos simbolizam um salto tecnológico que está redefinindo os parâmetros da indústria eólica global.
As dimensões destes gigantes são descomunais. A turbina de 26 MW tem uma altura de eixo (hub height) de 185 metros, equivalente a um prédio de 63 andares, e um rotor com diâmetro superior a 310 metros. Já o modelo de 20 MW, instalado no mar da província de Fujian, tem uma altura de 174 metros e pás de 147 metros de comprimento, com uma área de varredura que cobre o equivalente a dez campos de futebol. A capacidade de geração é igualmente impressionante: estima-se que a turbina de 26 MW possa produzir até 100 milhões de quilowatt-hora (kWh) por ano, energia suficiente para abastecer cerca de 55.000 residências. O modelo de 20 MW tem uma produção anual de mais de 80 milhões de kWh, capaz de suprir o consumo de aproximadamente 44.000 lares.
Um dos avanços técnicos mais significativos, citado para o modelo de 20 MW, é a drástica redução de peso. Graças a um design estrutural leve e à integração digital, o peso por megavatio desta turbina foi reduzido em mais de 20% em comparação com a média do setor. Esta eficiência se traduz em fundações submarinas mais simples, menor uso de aço e concreto, e, consequentemente, em uma redução importante dos custos nivelados de energia (LCOE). A China já possui uma cadeia de suprimentos 100% doméstica para estes projetos, o que, segundo analistas, torna o custo de sua energia eólica marinha cerca de 50% menor do que o de parques inaugurados recentemente no Reino Unido.
O impacto ambiental direto de uma única unidade é substancial. Estima-se que a turbina de 26 MW evite a queima de 30.000 toneladas de carvão e a emissão de aproximadamente 80.000 toneladas de dióxido de carbono (CO?) anualmente. O modelo de 20 MW traz benefícios similares, com potencial para substituir 24.000 toneladas de carvão e evitar 64.000 toneladas de emissões de CO? por ano. Esses números destacam o papel crucial que esta tecnologia pode desempenhar para que a China cumpra suas metas climáticas, conhecidas como estratégia de "duplo carbono", que prevê o pico de emissões antes de 2030 e a neutralidade carbônica em 2060.
O avanço chinês ocorre em um contexto geopolítico e industrial particular. Enquanto a China acelera seus investimentos, parte do setor no Ocidente enfrenta desafios como custos de financiamento elevados, tensões na cadeia de suprimentos e redução de subsídios governamentais. Algumas análises sugerem que a instalação do primeiro aerogerador marinho de 20 MW no final de 2025 pode ser vista como uma "resposta" simbólica às políticas do então presidente dos EUA, Donald Trump, que suspendeu licenças para projetos eólicos offshore americanos. O domínio chinês no setor é evidente: dados preliminares indicam que três em cada quatro turbinas eólicas marinhas instaladas no mundo em 2025 foram construídas em estaleiros chineses.
Apesar do sucesso, a expansão de turbinas de tamanho colossal traz novos desafios e áreas de estudo:
Olhando para o futuro, a China não planeja parar nos 26 MW. Pesquisadores de universidades chinesas já projetam o desenvolvimento de máquinas acima de 30 MW antes de 2030. O país também está na vanguarda de conceitos inovadores, como a energia eólica de grande altitude, tendo testado com sucesso um sistema flutuante que opera a 2.000 metros de altitude. O objetivo estratégico é claro: consolidar uma liderança tecnológica e industrial que não só atenda à enorme demanda interna por energia limpa, mas também posicione as empresas chinesas como fornecedoras globais de equipamentos para a transição energética mundial.
Com informações de: Pplware, Energías-Renovables.com, Click Petróleo e Gás, Xataka Brasil, Greentology Life, CGTN, National Geographic, Energía Hoy ■