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Em meio a tensão com EUA, Lula defende preparo em defesa: “qualquer dia alguém invade a gente”
Declaração a sul-africano ocorre enquanto governo brasileiro atua para evitar que Washington classifique PCC e CV como terroristas; medida acende alerta para risco à soberania
Politica
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■   Bernardo Cahue, 10/03/2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (9) que o Brasil precisa se preparar na área de defesa como forma de dissuasão, sob o argumento de que a falta de preparo pode tornar o país vulnerável. “Se a gente não se preparar na questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente”, disse Lula durante declaração à imprensa ao lado do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, no Palácio do Planalto.

A fala ocorre em um contexto de tensão diplomática: o governo do presidente americano Donald Trump sinalizou que pode classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. De acordo com apurações, o processo técnico dentro da administração norte-americana já estaria avançado, restando etapas políticas para a formalização da medida.

Os principais pontos de preocupação do governo brasileiro são:

  • Risco à soberania: A classificação como "organização terrorista" poderia abrir brecha legal para ações unilaterais dos EUA em território brasileiro, como sanções financeiras, operações de inteligência ou até mesmo intervenções militares, sob o pretexto de combate ao narcoterrorismo.
  • Precedente regional: Diplomatas citam o caso da Venezuela, onde a designação de cartéis como terroristas antecedeu uma operação militar norte-americana que resultou na captura do ex-presidente Nicolás Maduro.
  • Impactos econômicos e eleitorais: O governo teme que a medida afete a competitividade do sistema financeiro brasileiro (inclusive com possíveis ingerências sobre ferramentas como o Pix) e seja explorada politicamente pela oposição.

Diante da iminência da decisão, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou por telefone com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, no último domingo (8). O chanceler brasileiro argumentou que a classificação deve ser evitada e pediu que qualquer definição aguarde um encontro presencial entre Lula e Trump, que está sendo negociado.

O que dizem os EUA: Em comunicado à imprensa, o Departamento de Estado confirmou que vê PCC e CV como “ameaças significativas à segurança regional devido ao seu envolvimento com o tráfico de drogas, a violência e o crime transnacional”, mas não confirmou a intenção de designá-los formalmente como terroristas.

A defesa de uma parceria com a África do Sul: No mesmo discurso, Lula defendeu que Brasil e África do Sul ampliem a cooperação na indústria bélica para reduzir a dependência externa. “Não precisamos ficar comprando dos senhores das armas, nós poderemos produzir. O que precisa é nós nos convencermos que ninguém vai ajudar a gente, a não ser nós mesmos”.

O ministro da Defesa, José Múcio, deve se reunir com sua contraparte sul-africana para tratar do tema.

Com informações de CNN Brasil, G1, InfoMoney, Folha de S.Paulo, Jovem Pan, Metrópoles, Revista Fórum ■

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