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“Eles nos ajudariam parando as armas”: Sheinbaum responde a Trump após apreensão de arsenais do CJNG
Presidente mexicana rebate proposta de intervenção militar e cobra combate ao tráfico de armas dos EUA, após operação que matou “El Mencho” e revelou poder de fogo do cartel com material bélico americano
America do Norte
Foto: https://imagenes.elpais.com/resizer/v2/Z5TPK66DMZC4VJQZ6ORB5MBMHM.jpeg?auth=1b8d9ec946baa35b9c963449ab2e374d372454f97df1c213d0bafb078118da19&width=1960&height=1470&focal=2689%2C2231
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■   Bernardo Cahue, 10/03/2026

Em resposta direta às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que na última semana classificou o México como o “epicentro da violência” dos cartéis, a presidente Claudia Sheinbaum reafirmou a recusa do México a qualquer intervenção militar estrangeira e fez um apelo contundente: que Washington assuma sua responsabilidade no fluxo de armas que abastece grupos criminosos.

A declaração ocorre em meio à repercussão da morte de Nemesio Rubén Oseguera Cervantes, “El Mencho”, líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), abatido em uma operação das forças especiais mexicanas no dia 22 de fevereiro. A ação, que contou com inteligência norte-americana, expôs o imenso poder de fogo da organização criminosa.

Segundo informações oficiais, o arsenal apreendido com o CJNG inclui equipamentos de uso restrito das forças armadas, muitos deles fabricados nos Estados Unidos. Entre os itens encontrados, destacam-se:

  • Lança-foguetes com capacidade para abater aeronaves;
  • Fuzis de alto calibre, incluindo modelos .50 capazes de perfurar veículos blindados;
  • Munição militar fabricada em instalações como a Lake City Army Ammunition Plant, no Missouri;
  • Veículos blindados e drones armamentados.

Durante sua conferência matutina, realizada em Jalisco, Sheinbaum enfatizou que a colaboração com os EUA existe, mas deve ser baseada em inteligência e respeito à soberania. A presidente listou os pontos que considera cruciais para uma cooperação efetiva:

  1. Que os EUA frenem o tráfico ilegal de armas para o México, que abastece os cartéis com poder de fogo superior ao da polícia.
  2. Que haja o reconhecimento da responsabilidade compartilhada, incluindo o combate à lavagem de dinheiro e ao consumo de drogas em território americano.
  3. Manter a cooperação em inteligência, mas sem permitir "ações unilaterais" de forças estrangeiras em solo mexicano.

A chefe de Estado mexicana citou dados do Departamento de Justiça dos EUA para fundamentar sua posição: estima-se que entre 70% e 80% das armas apreendidas no México são contrabandeadas do norte da fronteira. “Se nos querem ajudar, que parem a entrada de armas de alto poder dos Estados Unidos para o México. Foi assim que diminuímos a chegada do fentanilo aos EUA, e é assim que eles podem nos ajudar a diminuir a violência aqui”, declarou.

Trump, que no sábado ironizou a postura de Sheinbaum imitando sua voz durante uma reunião de coalizão antigangues, não respondeu diretamente ao pedido, mas reiterou que os cartéis são uma ameaça terrorista. Apesar do tom, a presidente mexicana optou por manter a postura diplomática, insistindo que a segurança é uma via de mão dupla e que os arsenais do CJNG são uma prova de que o problema não se resolve apenas com balas, mas com controle do comércio de armas.

Com informações de Los Angeles Times, Al Jazeera, The Intercept, New York Post, Contralínea, El Heraldo de Saltillo ■

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