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O delegado Thiago Marcantonio Ferreira, que atua nas investigações relacionadas ao Banco Master e cujo nome foi citado em recentes movimentações da Polícia Federal, tem um histórico de atuação em estruturas de inteligência durante o governo de Jair Bolsonaro. Conhecido por sua proximidade com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Marcantonio Ferreira foi assessor especial de Mendonça no Ministério da Justiça e Segurança Pública .
Na ocasião, ele chefiou um órgão dentro da pasta que é acusado de ter promovido o monitoramento de 989 pessoas físicas ou jurídicas consideradas opositoras do então presidente Bolsonaro. A lista incluía nomes de servidores da área de segurança e acadêmicos que assinaram manifestos antifascistas .
O caso, que veio a público em 2020, ganhou contornos de escândalo político com a revelação da existência de um dossiê produzido pela Diretoria de Inteligência (Dint) da Secretaria de Operações Integradas (Seopi). O relatório, que ficou conhecido como "dossiê antifascista", continha perfis e informações de 575 servidores federais e estaduais de segurança, dos quais mais de 400 eram policiais identificados como críticos ao governo .
O coronel do Exército Gilson Libório de Oliveira Mendes, nomeado diretor da Dint por André Mendonça, era o responsável direto pelo órgão. A produção do dossiê foi interpretada por especialistas e entidades de classe como uma tentativa de rotular como "inimigos" aqueles que se manifestavam contra o fascismo, um movimento que, segundo dirigentes sindicais, deveria ser constitucionalmente apoiado por qualquer governante .
A atuação da Dint foi alvo de críticas, pois órgãos como a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) teriam a prerrogativa legal para produzir informações estratégicas para a Presidência, o que não justificaria um monitoramento de cunho ideológico dentro da estrutura do Ministério da Justiça .
Atualmente, o ministro André Mendonça foi sorteado relator do inquérito que apura as fraudes no Banco Master, após a saída de Dias Toffoli. Em fevereiro de 2026, Mendonça se reuniu com delegados da Polícia Federal para tratar do andamento das investigações, que miram figuras como o banqueiro Daniel Vorcaro . A ligação de Marcantonio Ferreira com o caso e seu passado no comando de setores de inteligência durante a gestão Bolsonaro trazem novos elementos para o debate sobre os métodos de monitoramento e a atuação de órgãos de estado.
Pontos-chave do histórico do monitoramento:
A revelação do dossiê, na época, gerou grande repercussão e foi vista como um desvio de finalidade da inteligência governamental para fins de perseguição política, levantando questões sobre a instrumentalização do estado contra adversários e defensores de direitos fundamentais.
Com informações de Agência Pública, Threads, Agência Brasil, BBC News Brasil, O Estado de S. Paulo ■