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Delegado do caso Master atuou em monitoramento de opositores na gestão Bolsonaro
Thiago Marcantonio Ferreira, nome ligado às investigações do Banco Master, foi assessor de André Mendonça no Ministério da Justiça, onde chefiou órgão acusado de produzir dossiê com 989 nomes
America do Sul
Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRZ_CgBRT6YVYpXmgZoxjG4YEaVbmAyZZqaVQ&s
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■   Bernardo Cahue, 10/03/2026
```html Nota Jornalística: Delegado e Monitoramento

O delegado Thiago Marcantonio Ferreira, que atua nas investigações relacionadas ao Banco Master e cujo nome foi citado em recentes movimentações da Polícia Federal, tem um histórico de atuação em estruturas de inteligência durante o governo de Jair Bolsonaro. Conhecido por sua proximidade com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Marcantonio Ferreira foi assessor especial de Mendonça no Ministério da Justiça e Segurança Pública .

Na ocasião, ele chefiou um órgão dentro da pasta que é acusado de ter promovido o monitoramento de 989 pessoas físicas ou jurídicas consideradas opositoras do então presidente Bolsonaro. A lista incluía nomes de servidores da área de segurança e acadêmicos que assinaram manifestos antifascistas .

O caso, que veio a público em 2020, ganhou contornos de escândalo político com a revelação da existência de um dossiê produzido pela Diretoria de Inteligência (Dint) da Secretaria de Operações Integradas (Seopi). O relatório, que ficou conhecido como "dossiê antifascista", continha perfis e informações de 575 servidores federais e estaduais de segurança, dos quais mais de 400 eram policiais identificados como críticos ao governo .

O coronel do Exército Gilson Libório de Oliveira Mendes, nomeado diretor da Dint por André Mendonça, era o responsável direto pelo órgão. A produção do dossiê foi interpretada por especialistas e entidades de classe como uma tentativa de rotular como "inimigos" aqueles que se manifestavam contra o fascismo, um movimento que, segundo dirigentes sindicais, deveria ser constitucionalmente apoiado por qualquer governante .

A atuação da Dint foi alvo de críticas, pois órgãos como a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) teriam a prerrogativa legal para produzir informações estratégicas para a Presidência, o que não justificaria um monitoramento de cunho ideológico dentro da estrutura do Ministério da Justiça .

Atualmente, o ministro André Mendonça foi sorteado relator do inquérito que apura as fraudes no Banco Master, após a saída de Dias Toffoli. Em fevereiro de 2026, Mendonça se reuniu com delegados da Polícia Federal para tratar do andamento das investigações, que miram figuras como o banqueiro Daniel Vorcaro . A ligação de Marcantonio Ferreira com o caso e seu passado no comando de setores de inteligência durante a gestão Bolsonaro trazem novos elementos para o debate sobre os métodos de monitoramento e a atuação de órgãos de estado.

Pontos-chave do histórico do monitoramento:

  • Órgão: Diretoria de Inteligência (Dint) da Secretaria de Operações Integradas (Seopi) do Ministério da Justiça.
  • Gestão: Governo Jair Bolsonaro, com André Mendonça como ministro da Justiça.
  • Alvo: Produção de um dossiê com 575 servidores de segurança, a maioria policiais, que assinaram manifestos antifascistas .
  • Responsabilidade: O coronel Gilson Libório foi nomeado diretor da Dint por Mendonça. Thiago Marcantonio Ferreira era assessor especial de Mendonça e chefiou órgãos acusados do monitoramento .
  • Contexto atual: Mendonça é o relator do caso Banco Master no STF, com Thiago Marcantonio Ferreira atuando como delegado no caso.

A revelação do dossiê, na época, gerou grande repercussão e foi vista como um desvio de finalidade da inteligência governamental para fins de perseguição política, levantando questões sobre a instrumentalização do estado contra adversários e defensores de direitos fundamentais.

Com informações de Agência Pública, Threads, Agência Brasil, BBC News Brasil, O Estado de S. Paulo ■

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