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China classifica captura de presidente venezulano como ato hegemônico
Acusações de ameaça à estabilidade regional foram contempladas com agradecimentos do chanceler venezuelano Yván Gil
Leste Asiatico
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■   Bernardo Cahue, 03/02/2026

O governo da China emitiu uma forte condenação ao que denominou como o "sequestro" do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cília Flores, por forças dos Estados Unidos. Em declarações oficiais, o Ministério das Relações Exteriores chinês qualificou a ação como uma "violação grave do direito internacional" e uma "ameaça à paz e estabilidade na América Latina e Caribe", condenando o que chamou de "ações hegemônicas" norte-americanas.

Os fatos que motivaram a reação ocorreram no início de janeiro, quando os EUA realizaram uma operação militar em território venezuelano que resultou na captura e retirada do país do presidente Maduro e da primeira-dama. Relatos indicam que a operação incluiu bombardeios e deixou um saldo de pelo menos 100 mortos. Em consequência, a vice-presidente Delcy Rodríguez foi empossada como presidente encarregada do país.

Em resposta, a Venezuela expressou publicamente seu agradecimento à China pela posição de apoio. O chanceler venezuelano, Yván Gil, agradeceu a "firme posição" chinesa contra a violação da soberania e do direito internacional, acusando os EUA de usarem a politização dos direitos humanos como pretexto para interferência.

A posição chinesa vai além da condenação retórica e aponta para preocupações estratégicas mais amplas:

  • Defesa do Sistema Internacional: A China se comprometeu a trabalhar com a comunidade internacional para defender os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas, incluindo a soberania e a não-interferência nos assuntos internos.
  • Estabilidade Regional: Pequim vê a ação unilateral como um precedente perigoso que pode levar à militarização e insegurança na região.
  • Rejeição a Sanções Unilaterais: A China também reiterou sua oposição a sanções internacionais que careçam de autorização do Conselho de Segurança da ONU, referindo-se explicitamente ao caso venezuelano e ao embargo contra Cuba.

Analistas vinculados à mídia estatal chinesa argumentam que a operação norte-americana expõe um desprezo pelo direito internacional. Eles criticam a narrativa de "execução da lei" e "governança melhorada" apresentada por Washington, interpretando-a como uma fachada para um projeto de "tomada de recursos" e controle geopolítico, dado que a Venezuela possui as maiores reservas de petróleo comprovadas do mundo.

O caso tem reverberado em fóruns multilaterais. A Corte Penal Internacional (CPI), que já tinha uma investigação em curso sobre supostos crimes contra a humanidade na Venezuela desde 2018, vê o caso sob nova luz. Enquanto isso, dentro dos EUA, vozes do Congresso questionaram os motivos reais da operação, com alguns legisladores sugerindo que o interesse pelo petróleo venezuelano foi um fator determinante.

Internamente na Venezuela, a situação permanece tensa. Lideranças opositoras e organizações de direitos humanos têm exigido a libertação de presos políticos, cujo número é estimado em 863 pela ONG Foro Penal, embora o governo venezuelano negue a existência de detidos por motivos políticos .

Com informações de: Swissinfo, Radio Cadena Patagonia, TeleSUR, Global Times, China-US Focus ■

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