Ministério dos Esportes cita luto nacional, conflito armado e tensões políticas com os EUA como entraves; FIFA monitora e já avalia possíveis substitutos
A participação da seleção iraniana na Copa do Mundo de 2026, que será sediada por Estados Unidos, Canadá e México, está seriamente ameaçada. Após a escalada do conflito no Oriente Médio, que envolveu ataques dos EUA e de Israel ao Irã, o presidente da Federação de Futebol do Irã (FFIRI), Mehdi Taj, indicou que a presença da equipe no torneio é altamente improvável. Em declarações à imprensa estatal e ao portal esportivo Varzesh3, Taj deixou claro que o país não vê condições de competir em solo americano neste momento.
De acordo com o Ministério dos Esportes iraniano e as declarações de suas autoridades, os principais motivos que justificam a possível desistência são:
- Luto Nacional e Instabilidade: A morte do líder supremo, Aiatolá Ali Khamenei, durante os ataques, mergulhou o país em um luto oficial de 40 dias, paralisando todas as atividades esportivas e festivas, incluindo as preparações para o Mundial.
- Contexto de Guerra: O país está em meio a um conflito armado aberto, tornando logística e psicologicamente inviável para a delegação e os atletas se concentrarem em uma competição esportiva no exterior.
- Tensões com o País-Sede: A realização dos jogos do Grupo G (contra Bélgica, Egito e Nova Zelândia) em solo americano é vista como um grande entrave. Mehdi Taj questionou publicamente: "Que pessoa sensata enviaria sua seleção nacional aos EUA se a Copa for tão política quanto foi na Austrália?", em referência a casos anteriores de jogadores que pediram asilo.
- Restrições de Vistos: Apesar da promessa de exceções para atletas, o governo dos EUA já negou vistos para Taj e outros seis dirigentes da federação iraniana para eventos anteriores, como o sorteio dos grupos, indicando um ambiente hostil e de desconfiança mútua.
- Declarações de Donald Trump: O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que "realmente não se importa" se o Irã participar ou não, além de ter sugerido asilo para jogadores iranianos, o que foi interpretado por Teerã como uma interferência política e um agravante das tensões.
Diante deste cenário, a FIFA, que já declarou estar monitorando a situação, pode ser forçada a acionar um plano de contingência. As regras da entidade (artigo 6.7) permitem substituir uma associação membro desistente por outra, a seu critério. Caso a desistência se confirme, a vaga deixada pelo Irã deverá ser ocupada por outra seleção asiática. Os nomes mais cotados são:
- Iraque: É a opção mais comentada pela imprensa internacional. A equipe iraquiana perdeu na fase final das eliminatórias, mas está credenciada para disputar a repescagem intercontinental. Com a vaga direta do Irã, o Iraque herdaria o lugar no Grupo G, e sua vaga na repescagem ficaria com os Emirados Árabes Unidos.
- Emirados Árabes Unidos (UAE): Aparece como a alternativa mais direta. Por ser a seleção de melhor ranking entre as eliminadas na Ásia que não garantiram vaga, os Emirados Árabes seriam o "reserva imediato" para ocupar a vaga no Grupo G, seguindo o critério de melhor classificado entre os não classificados.
A decisão final, no entanto, ainda depende de desdobramentos políticos e de uma posição oficial do governo iraniano, que até o momento não formalizou a desistência junto à FIFA, mas já deixou claro que a participação é vista com profundo pessimismo.
Com informações de: The Jerusalem Post, Bernama-dpa, The Thao Van Hoa (Vietnã), Báo Ti?n Phong (Vietnã), Outlook India, Sporting News ■