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A situação do ex-deputado federal Alexandre Ramagem nos Estados Unidos ganhou um novo capítulo com uma denúncia popular direta às autoridades de imigração locais. O influenciador digital Thiago dos Reis anunciou publicamente ter entregue ao ICE (Immigration and Customs Enforcement) o endereço onde Ramagem estaria foragido, exigindo a prisão do condenado por participar da trama golpista de 2022. A ação, amplamente compartilhada nas redes sociais, intensifica a pressão pública, mas esbarra na complexa teia de procedimentos de extradição e asilo político.
Enquanto isso, do outro lado da fronteira, o processo judicial contra Ramagem segue seu curso. Na quinta-feira (5), ele foi interrogado por videoconferência pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A oitiva, que durou cerca de 50 minutos, foi conduzida por uma juíza auxiliar do gabinete do ministro Alexandre de Moraes e tratou de crimes específicos de dano ao patrimônio público durante os atos de 8 de janeiro de 2023. Durante o depoimento, Ramagem negou as acusações, atacou o ministro Moraes e, em alguns momentos, optou por exercer seu direito ao silêncio.
O interrogatório foi possível porque Ramagem perdeu o foro privilegiado após ter seu mandato cassado pela Mesa da Câmara dos Deputados em dezembro de 2025. Ele já havia sido condenado, em setembro do mesmo ano, a 16 anos de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. Antes que a prisão fosse decretada em definitivo, ele fugiu do país.
De acordo com as investigações, Ramagem deixou o Brasil de forma clandestina pela fronteira com a Guiana e, a partir dali, embarcou para os Estados Unidos utilizando um passaporte diplomático que ainda era válido na época. Aliados do ex-deputado confirmaram que ele pretende, ou já iniciou, um pedido de asilo político nos EUA. Este movimento é considerado seu principal "escudo" jurídico, pois:
Em paralelo, o governo brasileiro acionou o mecanismo formal de cooperação. Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, o Ministério da Justiça enviou o pedido de extradição aos Estados Unidos em 30 de dezembro de 2025. Esse pedido, no entanto, inicia uma avaliação delicada por parte das autoridades americanas, que precisarão decidir se os crimes pelos quais Ramagem foi condenado são comuns ou de natureza política — o que poderia levar à negativa da extradição.
A ação de Thiago dos Reis, embora viral, encontra limites institucionais claros. Como explicado na análise do próprio Plantão Brasil, a situação de Ramagem está em um "limbo jurídico" protegido por procedimentos formais. Isso ocorre porque:
O cenário político também influencia. A administração dos EUA, conforme o contexto de 2026, já havia anteriormente criticado as condenações do STF como uma "caça às bruxas", embora tenha suspendido posteriormente sanções contra o ministro Moraes. A decisão final sobre o asilo e a extradição, portanto, carregará um peso diplomático significativo para as relações bilaterais.
Com informações de: Plantão Brasil, G1, Agência Brasil, Al Jazeera, O Tempo, Poder360, UOL ■