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Sindicato de Artistas critica TV Globo por contratação de Ana Castela sem registro profissional
Empresa é acusada de desrespeitar profissionais formais e negar apoio a familiares de ex-funcionários em momentos sensíveis
Cultura
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■   Bernardo Cahue, 27/08/2025

O Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Rio de Janeiro (Sated-RJ) manifestou forte crítica à TV Globo pela contratação da cantora Ana Castela para a novela "Coração Acelerado" sem que a artista possua registro profissional de ator. O presidente da entidade, Hugo Gross, classificou a prática como desrespeito sistemático aos profissionais formalmente habilitados.

Em resposta às denúncias, a emissora não se pronunciou oficialmente sobre o caso, mantendo silêncio quanto às acusações de descumprimento da legislação trabalhista artística. A linha de defesa do Sated-RJ baseia-se na obrigatoriedade do registro profissional (DRT) para atuação em produções televisivas, argumentando que a contratação de celebridades sem formação ou experiência em interpretação priva artistas tradicionais de oportunidades legítimas.

Críticas à Contratação de Não Atores

Hugo Gross destacou que a Globo tem repetido a prática de contratar influenciadores e celebridades sem DRT, ignorando a existência de atores e atrizes qualificados e disponíveis no mercado. Ele citou casos anteriores envolvendo o DJ Alok e o influenciador Hugo Gloss, que participaram de produções globinas sem a documentação profissional exigida.

Gross ainda revelou que, além de receberem cachês volumosos pela atuação, esses influenciadores firmam contratos paralelos para divulgação em suas redes sociais, o que configura um benefício duplo não oferecido a atores tradicionais. "É uma falta de respeito isso que eles estão fazendo", afirmou Gross, acrescentando que o sindicato está "de olho" e pode entrar com ações judiciais contra a emissora.

Ausência de Acolhimento e Suporte

Além das críticas relacionadas às contratações, Gross apontou a falta de suporte da Globo em situações envolvendo ex-funcionários e seus familiares. Ele citou o recente falecimento de Carlos Sebastião Prata, o Grande Otelo Filho, filho do célebre comediante Grande Otelo. Segundo Gross, a emissora não emitiu nenhum comunicado ou nota de pesar, nem ofereceu apoio à família enlutada.

"Ninguém se prontificou, a emissora não deu uma nota, não quis nem saber, nem perguntou se alguém estava precisando de ajuda… a família, os irmãos… eles não estão nem aí", desabafou Gross, que ajudou a arrecadar fundos para o sepultamento do falecido.

Repercussão e Possíveis Desdobramentos

A escalação de Ana Castela foi anunciada pela própria cantora durante a Festa do Peão de Barretos. Ela expressou entusiasmo com a estreia na atuação, embora admitisse ser "algo novo" e "super diferente". A novela "Coração Acelerado", que tem previsão de estreia para janeiro de 2026, será ambientada no universo sertanejo, o que, segundo a produção, facilitaria a adaptação da artista.

Enquanto os fãs de Ana Castela comemoram a novidade nas redes sociais, o Sated-RJ alerta para o precedente perigoso que essa prática pode estabelecer na indústria do entretenimento. Gross afirmou que o sindicato está preparado para adotar medidas mais enérgicas, incluindo protestos e ações legais, caso a emissora persista em ignorar a legislação trabalhista e os profissionais registrados.

Considerações Finais

Este caso evidencia um conflito broader na indústria cultural entre o apelo comercial de nomes famosos e a valorização de profissionais formalmente qualificados. A postura da Globo, segundo seus críticos, reflete uma tendência de priorizar o engajamento digital em detrimento do suporte aos artistas que construíram parte da história da emissora.

A falta de acolhimento demonstrada no caso do falecimento de Grande Otelo Filho – assim como em situações passadas, como a exclusão do ator Russo das comemorações dos 50 anos da emissora – reforça as críticas sobre uma suposta cultura corporativa desconectada dos valores humanos e trabalhistas.

O Sated-RJ reafirma seu compromisso de defender os direitos dos artistas e técnicos, pressionando por um ambiente de trabalho mais justo e equitativo.

Com informações de: Metrópoles, Terra, G1, Gshow, O Globo. ■

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