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As tensões fronteiriças entre Tailândia e Camboja explodiram em confrontos armados nesta quinta-feira (24/07), marcando o episódio mais violento entre os paÃses desde 2011. Segundo autoridades tailandesas, o conflito já causou a morte de 12 pessoas - incluindo 11 civis e um militar - além de 35 feridos. Os combates concentram-se em seis pontos ao longo da fronteira, especialmente nas provÃncias de Surin (Tailândia) e Oddar Meanchey (Camboja), envolvendo o uso de tanques, artilharia pesada e ataques aéreos com caças F-16.
O incidente mais letal ocorreu quando um foguete atingiu um posto de combustÃveis na provÃncia tailandesa de Sisaket, vitimando principalmente estudantes que estavam em uma loja de conveniência anexa. Imagens do local mostravam densa fumaça saindo do estabelecimento comercial. Do lado cambojano, o Ministério da Defesa relatou que caças tailandeses lançaram bombas sobre uma estrada próxima ao templo Preah Vihear.
A crise diplomática atingiu seu ápice com medidas recÃprocas: Tailândia e Camboja expulsaram os embaixadores de cada nação e rebaixaram as relações bilaterais ao "nÃvel mais baixo". A fronteira terrestre foi completamente fechada para movimentação de civis, enquanto a embaixada tailandesa em Phnom Penh emitiu alerta para que seus cidadãos deixem o Camboja imediatamente.
As origens do conflito remontam ao século XX, quando a França, então potência colonial no Camboja, estabeleceu os limites territoriais com a Tailândia (então Sião). O templo hindu Preah Vihear, do século XI, tornou-se sÃmbolo dessa disputa secular. Apesar de a Corte Internacional de Justiça (CIJ) ter concedido a soberania do templo ao Camboja em 1962 e reafirmado a decisão em 2013, áreas adjacentes permanecem como pontos de discórdia.
O atual ciclo de violência teve inÃcio em maio, quando a morte de um soldado cambojano em tiroteio fronteiriço desencadeou uma crise diplomática. O conflito gerou repercussões polÃticas internas na Tailândia, culminando na suspensão da primeira-ministra Paetongtarn Shinawatra, investigada por supostas violações éticas após vazamento de conversa diplomática com o ex-lÃder cambojano Hun Sen. Recentes explosões de minas terrestres - que feriram soldados tailandeses - aceleraram a escalada, com ambos os paÃses acusando-se mutuamente de agressão não provocada.
Diante da crise, o primeiro-ministro cambojano Hun Manet solicitou formalmente uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para conter o que classificou como "agressão militar não provocada" da Tailândia. A China, tradicional aliada do Camboja, manifestou preocupação e ofereceu mediação, enquanto comunidades fronteiriças são evacuadas diante do risco de novos combates.
Com informações de Terra, G1, UOL, RTP, CNN Brasil, Euronews e Deutsche Welle.■