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Mojtaba Khamenei é nomeado novo líder supremo do Irã
Filho do aiatolá morto em ataques é escolhido pela Assembleia de Peritos; IRGC declara lealdade e Trump chama sucessão de "inaceitável"
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 09/03/2026

A Assembleia de Peritos do Irã anunciou neste domingo (8 de março de 2026) a eleição de Mojtaba Khamenei como o novo líder supremo do país. Aos 56 anos, filho do aiatolá Ali Khamenei, morto em ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel no dia 28 de fevereiro, ele se torna o terceiro líder da República Islâmica desde a revolução de 1979.

Em um comunicado citado pela mídia estatal, a assembleia confirmou a escolha por meio de um "voto decisivo dos respeitados representantes", formalizando a sucessão em um momento de extrema tensão regional. A decisão foi tomada nove dias após a morte do aiatolá Ali Khamenei, que liderou o país por quase quatro décadas.

A nomeação ocorre em meio à intensificação do conflito no Oriente Médio. Desde os ataques que mataram o antigo líder, o Irã lançou ondas de mísseis e drones contra Israel e alvos dos EUA, enquanto as forças americanas e israelenses continuam a bombardear instalações militares e de infraestrutura energética iranianas.

Perfil do novo líder

Diferentemente de seu pai e do fundador da República, que detinham o título de aiatolá, Mojtaba Khamenei possui a patente clerical de Hojjatoleslam, um posto de menor hierarquia. Apesar disso, ele é reconhecido por seus estreitos laços com a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), tendo servido em suas fileiras durante a guerra Irã-Iraque na década de 1980.

Nascido em Mashhad em 1969, Mojtaba estudou teologia islâmica nos seminários de Qom e passou grande parte de sua vida atuando nos bastidores do poder, frequentemente descrito como o "guardião" e conselheiro próximo de seu pai. Analistas apontam que sua influência aumentou especialmente após a morte do presidente Ebrahim Raisi em 2024. Sua esposa, Zahra Haddad-Adel, filha de um proeminente político conservador, também foi morta nos ataques de 28 de fevereiro.

Reações imediatas

Imediatamente após o anúncio, os principais pilares de poder do Irã se mobilizaram para demonstrar apoio:

  • Guarda Revolucionária (IRGC): Em comunicado, a força de elite declarou estar "pronta para a obediência total e o auto-sacrifício" e descreveu a ascensão do novo líder como "uma nova aurora para a revolução".
  • Forças Armadas: Também emitiram uma nota prometendo resistir "até o último suspiro e gota de sangue" sob o comando do novo líder.
  • Ali Larijani: O principal oficial de segurança nacional do Irã afirmou que a eleição demonstra o fracasso dos inimigos em paralisar o país com a morte do antigo líder.

No entanto, a sucessão não ocorre sem contestação interna. De acordo com relatos da imprensa internacional, moradores de Teerã foram ouvidos gritando "Morte a Mojtaba" de suas janelas, um sinal de oposição popular em um momento de grave crise econômica e militar.

Condenação e ameaças internacionais

A escolha de Mojtaba Khamenei gerou reações imediatas e contundentes de líderes ocidentais, que já haviam sinalizado sua oposição nos dias que antecederam o anúncio:

  • Estados Unidos: O presidente Donald Trump, que já havia classificado Mojtaba como uma escolha "inaceitável" e um "peso leve", reiterou suas ameaças. Em entrevista, Trump afirmou que o novo líder "não vai durar muito" sem a aprovação dos EUA e que o país deveria estar envolvido na seleção da nova liderança iraniana.
  • Israel: O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, já havia declarado que qualquer sucessor escolhido seria "um alvo inequívoco para eliminação", independentemente de quem fosse.

A tensão levou o preço do petróleo a ultrapassar os US$ 100 por barril pela primeira vez em quase quatro anos, com receios de que o conflito se alastre ainda mais pela região e afete o fornecimento de energia.

Com informações de: Xinhua, The New York Times, Bernama-Anadolu, Al Arabiya English, The Indian Express, Kurdistan 24, TIME ■

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