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Esquema Master: de Bolsonaro a Cláudio Castro, os nomes do núcleo político investigado
Investigações da Polícia Federal e CPI expõem relações entre o banqueiro Daniel Vorcaro e figuras do alto escalão dos governos Bolsonaro e Tarcísio; propina no BC, doações milionárias e uso de dinheiro da previdência estão no centro das apurações
America do Sul
Foto: https://static.dw.com/image/75673225_803.jpg
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■   Bernardo Cahue, 10/03/2026

As investigações sobre o Banco Master, instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro, revelaram uma intrincada rede de relações políticas e econômicas que conectam o banqueiro a nomes influentes dos governos de Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e Cláudio Castro. A terceira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, expôs um esquema que inclui desde a compra do Banco Máxima até investimentos bilionários de fundos previdenciários em ativos de alto risco, os chamados "títulos podres".

A cronologia do caso, apresentada pelo deputado Paulo Pimenta na CPMI do INSS, mostra que a expansão do banco ocorreu em paralelo a decisões institucionais tomadas durante o governo Bolsonaro, envolvendo ministros e o alto comando do Banco Central (BC). O ponto central das suspeitas é a suposta facilitação regulatória e a flexibilização da fiscalização que teriam permitido o crescimento acelerado e as práticas fraudulentas da instituição.

O envolvimento atinge diretamente o sistema previdenciário. No Rio de Janeiro, o governador Cláudio Castro viu seu entorno ser alvo da Operação Barco de Papel, que investiga aplicações de quase R$ 1 bilhão do Rioprevidência em letras financeiras do Banco Master. Os aportes, realizados entre 2023 e 2024, expuseram o patrimônio de 235 mil servidores a um "risco elevado e incompatível" com a finalidade do fundo, segundo a Polícia Federal. O presidente do Rioprevidência, indicado por Castro, e dois ex-diretores de investimentos foram alvos de mandados de busca e apreensão.

A seguir, os papéis desempenhados por cada uma das principais figuras políticas no centro do escândalo:

  • Jair Bolsonaro (PL):
    • Como presidente à época, comandou o governo sob o qual o Banco Master (antigo Máxima) obteve autorização para funcionar e crescer, em um ambiente de desregulação financeira promovido pelo BC de Campos Neto.
    • Foi o principal beneficiário político das doações do círculo de Vorcaro. Seu cunhado, Fabiano Zettel, foi o maior doador pessoa física da campanha presidencial de Bolsonaro em 2022, com R$ 3 milhões.
  • Roberto Campos Neto:
    • Ex-presidente do Banco Central, é acusado por parlamentares de ter sido conivente com o esquema. A CPI do Crime aprovou sua convocação, apontando que a "digital de Roberto Campos Neto é nítida e incontestável" na autorização da transferência de controle do Banco Máxima para Vorcaro, em outubro de 2019.
    • Embora a PF e o BC afirmem não haver, até o momento, evidências de que ele soubesse da corrupção, dois de seus principais subordinados – o ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Souza e o ex-chefe de Supervisão Bancária Belini Santana – foram presos por receberem propina de Vorcaro para afrouxar a vigilância sobre o banco. Mensagens mostram Vorcaro mencionando Campos Neto, dizendo que "o presidente do Bacen já falou da nossa casa".
  • Paulo Guedes:
    • Ex-ministro da Fazenda de Bolsonaro, foi convocado a depor na CPI do Crime. A justificativa é investigar se as políticas de desregulação do mercado financeiro implementadas por ele entre 2019 e 2022 criaram um ambiente propício para a expansão de esquemas de lavagem de dinheiro e fraudes como as do Master.
  • Tarcísio de Freitas (Republicanos):
    • Atual governador de São Paulo, teve sua campanha de 2022 beneficiada com R$ 2 milhões doados por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, o mesmo doador da campanha de Bolsonaro. A relação financeira direta coloca Tarcísio na rota dos recursos oriundos do núcleo duro do banqueiro.
  • Cláudio Castro (PL):
    • Governador do Rio de Janeiro, tem seu governo cercado pelas investigações. Além do caso Rioprevidência, a Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos) também é investigada pelo TCE-RJ por "fortes indícios de graves irregularidades" em aportes de R$ 218 milhões no Master.
    • O presidente do Rioprevidência, alvo da PF, é um indicado direto de Castro, e a investigação apura se houve gestão fraudulenta e corrupção passiva para viabilizar os investimentos do fundo previdenciário.
  • Ciro Nogueira (PP):
    • Senador e ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro, teve seu nome citado em mensagens de Daniel Vorcaro. O banqueiro se referia a ele como "amigo" e comentou sobre um projeto de lei do senador, apelidado nos bastidores de "emenda Master", que ampliaria o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, beneficiando diretamente bancos de médio porte como o Master.
    • A agilidade com que a proposta foi comentada por Vorcaro, menos de duas horas após sua última alteração no sistema do Senado, chamou a atenção dos investigadores da CPMI do INSS.
  • Onyx Lorenzoni (PL):
    • Ex-ministro da Previdência do governo Bolsonaro, sua atuação à frente da pasta foi destacada na cronologia apresentada por Paulo Pimenta como parte do "ambiente regulatório e político" que teria facilitado a expansão dos negócios do banco durante o período.

Além dos políticos, nomes como Fabiano Zettel (cunhado de Vorcaro e operador financeiro do esquema, preso pela PF) e os ex-diretores do BC Paulo Sérgio Souza e Belline Santana (presos por corrupção) são peças-chave na engrenagem que, segundo a acusação, permitiu a gestão fraudulenta e a lavagem de dinheiro que somam cifras estimadas entre R$ 17 e 50 bilhões.

A Polícia Federal também investiga a atuação de um grupo chamado "A Turma", formado por aliados de Vorcaro, que seria responsável por espionar autoridades e intimidar adversários e jornalistas, aprofundando a suspeita de que o banqueiro operava como líder de uma organização criminosa.

Com informações de Agência Brasil, Diário do Centro do Mundo, Jornal do Dia, Jornal do Brasil, Hora do Povo, O Hoje, O Sul, SBT News, VEJA ■

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