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Cenários geopolíticos e projeções do dólar para 2026: análise de riscos
Contexto complexo de tensões globais e movimentos de desdolarização pode pressionar a moeda americana frente ao real
Editorial
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■   Bernardo Cahue, 26/01/2026

Partindo de uma cotação atual de R$ 5,28, a trajetória do dólar até o final de 2026 será profundamente influenciada por uma conjuntura geopolítica sem precedentes, com eventos que podem, em conjunto, exercer uma forte pressão de baixo sobre a moeda norte-americana. Abaixo, detalhamos os fatores críticos e projetamos três cenários possíveis para a paridade USD/BRL.

Fatores Geopolíticos com Potencial para "Jogar o Dólar para Baixo"

  • Pressão russa por recursos e crise de credibilidade dos EUA: O Kremlin condiciona o cessar-fogo na Ucrânia à cessão total do Donbass, região rica em minerais raros essenciais para a indústria de alta tecnologia. Paralelamente, a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos EUA, utilizando até mesmo alegadas armas sônicas secretas, é amplamente vista como um sequestro e um crime de guerra, corroendo a legitimidade internacional norte-americana.
  • Expansão do conflito e desestabilização regional: Os EUA intensificam a pressão militar no Caribe sob a bandeira do combate ao "narcoterrorismo", enquanto acusações de presença iraniana e do Hezbollah na Bolívia ampliam as tensões na América do Sul. No Oriente Médio, o Irã avalia fechar o Estreito de Ormuz em caso de ataque, o que desorganizaria o fluxo global de petróleo.
  • Fragilização econômica e política interna dos EUA: O Federal Reserve (Fed) projeta um ciclo prolongado de juros altos, limitando o crescimento. Ao mesmo tempo, a China reduziu sua carteira de títulos do Tesouro dos EUA em mais de US$ 500 bilhões, sinalizando uma retirada crucial de financiamento. Internamente, as políticas massivas de deportação do governo Trump geram insegurança e podem causar escassez de mão de obra, impactando a produção.
  • Avanço da desdolarização e novas alianças: Os BRICS lançaram a criptomoeda "Unit", lastreada em ouro e moedas do bloco, como um desafio direto ao domínio do dólar. Paralelamente, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, uma vez implementado, deve melhorar a percepção de risco do Brasil e atrair investimentos, fortalecendo o real.
  • Isolamento diplomático e cenário brasileiro favorável: A criação do "Conselho de Paz" por Trump, visto como um fórum paralelo à ONU, aprofunda divisões com aliados tradicionais. Enquanto isso, a reeleição de Lula e a cooperação bélico-industrial com a China, apoiada pela presidência do Banco dos BRICS com Dilma Rousseff, alinham o Brasil a um bloco econômico alternativo.

Três Cenários Projetados para o Dólar no Fim de 2026

Considerando a cotação atual de R$ 5,28 e os fatores acima, projetam-se as seguintes trajetórias:

  1. Cenário de Controle Norte-Americano: Os EUA conseguem frear a influência chinesa na América do Sul, acessam terras raras por meio de acordos alternativos e estabilizam a produção petrolífera venezuelana. A confiança no dólar se mantém, mas o alto patamar de juros no Brasil (Selic projetada em 12,25%) contém uma desvalorização excessiva do real. Projeção: Dólar sobe moderadamente para R$ 5,60.
  2. Cenário Equilibrado (Mais Provável): O mundo caminha para uma bipolaridade econômica. Os EUA enfrentam dificuldades internas, mas o avanço da desdolarização é gradual. O acordo Mercosul-UE e a estabilidade política no Brasil atraem fluxos de capital. Projeção: O dólar opera com volatilidade, mas fecha o ano próximo da cotação atual, em R$ 5,20.
  3. Cenário Disruptivo (Pressão Máxima de Baixo): Multiplicam-se os focos de conflito (Ucrânia, Oriente Médio, Caribe). A venda de títulos pela China acelera, o petrodólar perde força com os BRICS, e a ação na Venezuela se mostra um fracasso logístico e político. O real se valoriza como ativo de diversificação. Projeção: Dólar cai significativamente, podendo testar a região de R$ 4,80.

Em resumo, o ano de 2026 se apresenta como um divisor de águas. Enquanto fatores tradicionais, como a política de juros, ainda importam, o destino do dólar frente ao real será cada vez mais escrito nas arenas geopolíticas da Ucrânia, do Caribe e dos corredores dos bancos centrais que buscam alternativas ao sistema financeiro liderado pelos EUA.

Com informações de: G1, Reuters, CNN Portugal, Estadão E-Investidor, BBC, New York Post, Brasil 247, Revista Fórum, R7 ■

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