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Dólar tem maior queda em quase uma década e fecha 2025 abaixo de R$ 5,50
Moeda norte-americana desvalorizou 11,18% frente ao real no ano, em movimento influenciado por incertezas nos EUA e atratividade do Brasil
Economia
Foto: https://www.jornalipanema.com.br/arquivos/noticias/5964/dolar-cai-mais-de-11-em-2025-e-fecha-o-ano-abaixo-de-r-5-50.png
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■   Bernardo Cahue, 31/12/2025

O dólar encerrou o ano de 2025 com a sua maior desvalorização anual em quase uma década. A moeda norte-americana fechou o último pregão do ano cotada a R$ 5,4890, acumulando uma queda de 11,18% frente ao real desde janeiro . Esta é a maior perda anual desde 2016, quando a divisa recuou 17,8% . O movimento não foi isolado: globalmente, o índice DXY, que mede o dólar contra uma cesta de outras moedas fortes, também recuou cerca de 9% no período .

O desempenho do dólar ao longo do ano

A trajetória de queda foi acentuada principalmente no primeiro trimestre. A moeda, que iniciou o ano sendo cotada acima de R$ 6,16, já acumulava uma desvalorização de aproximadamente 7,4% entre janeiro e março . Apesar de uma recuperação pontual em abril e de um ganho de 2,89% apenas no mês de dezembro, a tendência de baixa prevaleceu ao longo de todo o ano .

Os fatores internacionais que pressionaram a moeda americana

Analistas apontam que a desvalorização foi impulsionada por uma combinação de fatores externos, com destaque para o cenário político e econômico dos Estados Unidos.

  • Políticas de Donald Trump: A agenda comercial do presidente dos EUA, marcada pelo anúncio de tarifas de importação e por mudanças graduais, gerou incertezas no mercado. Essa volatilidade institucional reduziu a demanda por ativos em dólar e incentivou operações de proteção cambial (hedge), ampliando a pressão de venda sobre a moeda .
  • Cortes de juros do Federal Reserve (Fed): O banco central americano iniciou um ciclo de afrouxamento monetário em 2025, reduzindo a taxa básica de juros de uma faixa de 4,25%-4,50% para 3,50%-3,75% ao ano . Juros mais baixos nos EUA diminuem a atratividade dos títulos americanos, levando investidores a buscar melhores retornos em mercados emergentes como o Brasil .
  • Desvalorização global: O fenômeno não foi exclusivo do real. Moedas como o euro, o franco suíço e a libra esterlina também se valorizaram significativamente frente ao dólar ao longo do ano .

O cenário doméstico: por que o Brasil se beneficiou?

Enquanto o dólar perdia força no exterior, fatores internos fortaleceram o real, amplificando a queda da cotação no Brasil.

  • Taxa de juros elevada: Com a Selic em 15% ao ano, o Brasil manteve uma das maiores taxas de juros reais do mundo. Este amplo diferencial atraiu um fluxo expressivo de capital estrangeiro em busca de rentabilidade .
  • Controle da inflação e credibilidade do BC: A inflação mostrou trajetória de queda ao longo do ano, caminhando para o centro da meta. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, surpreendeu o mercado ao manter um compromisso firme com o controle de preços, afastando preocupações iniciais sobre interferência política .
  • Mercado de trabalho resiliente: A economia doméstica foi sustentada por um recorde no mercado de trabalho. A taxa de desemprego caiu para 5,2% no trimestre até novembro, o menor nível da série histórica iniciada em 2012, aumentando a renda e o consumo .

O que esperar para 2026?

As perspectivas para o câmbio no novo ano seguem atreladas à evolução dos mesmos fatores internos e externos .

  1. Nos Estados Unidos, a atenção estará voltada para o ritmo dos cortes de juros pelo Fed e para a definição de um novo presidente para a instituição, já que o mandato de Jerome Powell termina em maio .
  2. No Brasil, o esperado início do ciclo de cortes da Selic, possivelmente a partir de março, pode reduzir gradualmente o atrativo de curto prazo do real . Além disso, o cenário eleitoral municipal deve começar a captar a atenção dos investidores .

Especialistas alertam que, embora os ventos tenham sido favoráveis em 2025, a volatilidade deve permanecer. A combinação entre a transição no comando do Fed, a política comercial americana e a mudança na política monetária brasileira definirá se o real conseguirá manter parte dos ganhos ou se o dólar encontrará espaço para se recuperar .

Com informações de: CNN Brasil, G1, Suno, InfoMoney, MoneyTimes, Swissinfo, UOL ■

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