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Dólar atinge menor valor em 15 meses, fechando a R$ 5,35
Queda histórica é impulsionada por expectativas de cortes de juros nos EUA e resiliência da economia brasileira, mas tensões políticas seguem em vigilância
Economia
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■   Bernardo Cahue, 12/09/2025

Em um movimento emblemático, o dólar comercial encerrou esta sexta-feira (12) cotado a R$ 5,3535, marcando o menor valor em 15 meses frente ao real brasileiro. A queda de 0,71% consolida uma trajetória de desvalorização da moeda norte-americana, influenciada por fatores externos e internos, incluindo expectativas de afrouxamento monetário pelo Federal Reserve (Fed) e sinais de resistência econômica no Brasil.

Contexto e Análise da Queda

A moeda norte-americana acumula perdas de -13,37% no ano e -1,26% em setembro, refletindo:

  • Cenário Internacional: Dados recentes dos EUA, como a queda do índice de confiança do consumidor para 55,4 em setembro (abaixo dos 58 esperados), reforçaram apostas em cortes de juros pelo Fed. Investidores projetam uma redução acumulada de 75 pontos-base até o fim de 2025.
  • Commodities e Fluxos Capitais: O real, considerado a melhor performance entre moedas latino-americanas em 2025, beneficia-se da alta de commodities exportadas pelo Brasil (como soja e minério), que atraem dólares para o país.
  • Diferencial de Juros: Com a Selic a 15% ao ano, o Brasil mantém atratividade para investidores estrangeiros em busca de retornos superiores aos oferecidos em economias desenvolvidas .

Impactos Políticos e Econômicos

A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo STF e as críticas do governo Trump geraram incertezas sobre possíveis retaliações dos EUA. Operadores alertam que, sem esse fator, o dólar poderia estar abaixo de R$ 5,35 . No entanto, indicadores domésticos positivos, como o crescimento de 0,3% no volume de serviços em julho (atingindo o maior nível da série histórica), ajudaram a contrabalançar pressões negativas .

As projeções absurdas de meio de ano contra a previsão atual

Vale ressaltar que, ainda no início deste segundo semestre, analistas foras às redes alinhadas ao conglomerado de imprensa fazer uma análise que, mesmo naquela época, era impensável - o dólar chegaria, muito provavelmente, a um valor entre R$ 7,10 e R$ 7,25 até dezembro de 2025, quando o dólar marcava o patamar de R$ 5,71, contando ainda com um alinhamento extremo conservador. Neste momento de queda vertiginosa e nova ordem mundial, analistas projetam dois cenários divergentes:

  • "Otimista" (R$ 5,00–5,30): Caso o Fed inicie cortes de juros e avancem negociações comerciais Brasil-EUA .
  • "Pessimista" (acima de R$ 5,50): Se inflação persistir nos EUA ou houver deterioração fiscal no Brasil.
Especialistas dizem descartar uma volta ao patamar de R$ 2 (meio óbvio), visto como "quase impossível" devido a riscos fiscais e inflacionários estruturais. Entretanto, a equipe do Imprensa Ética fez duas projeções ainda em julho, não levando tanto em conta as questões internas de Brasil e Estados Unidos, mas seus alinhamentos distintos e novas tendências mundiais:

Comparativo de Projeções Cambiais para Dez/2025 segundo o Imprensa Ética

Cenário Faria Lima (Conservador)
  • Fatores: Manutenção status quo; juros EUA >5%
  • Projeção Dólar: R$ 7.10–7.25
  • Impacto Petrodólar: Estável
Cenário BRICS Consolidado
  • Fatores: Entrada do México; acordo Visa/Mastercard operacional
  • Projeção Dólar: R$ 5.20–5.40
  • Impacto Petrodólar: -7% transações globais
Cenário Disruptivo
  • Fatores: Venezuela no BRICS + 2 países UE
  • Projeção Dólar: R$ 4.80–5.15
  • Impacto Petrodólar: Colapso (>15%)

Enfatizamos, entretanto, que ainda não tínhamos sequer as ameaças explícitas dos Estados Unidos contra o presidente Nicolás Maduro, quanto mais uma frota naval norte-americana circulante nos mares caribenhos.

Mercados Globais

Enquanto o Ibovespa recuou 0,61% (após atingir recordes), bolsas europeias e asiáticas fecharam mistas. O Nasdaq atingiu seu quinto recorde consecutivo, impulsionado por otimismo com inteligência artificial.

Com informações de G1, FM Gross, InfoMoney, Wise, XPI Investimentos, Investing.com, Bora Investir. ■

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