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Dólar vive pior primeiro semestre em 52 anos
Queda acumulada do índice DXY supera 10% em 2025, pressionada por guerra comercial, incertezas fiscais e expectativa de redução de juros nos EUA, beneficiando moedas de economias emergentes
Economia
Foto: https://site.guiainvest.com.br/wp-content/uploads/2023/06/quais-investimentos-ganham-com-a-queda-do-dolar.jpg
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■   Bernardo Cahue, 23/09/2025

A moeda americana está enfrentando sua mais severa desvalorização para um primeiro semestre desde 1973. O índice dólar (DXY), que mede o valor do dólar frente a uma cesta de outras moedas, acumula uma queda superior a 10% neste ano, um desempenho pior do que o observado durante a crise financeira de 2009.

O que está por trás da queda histórica

Vários fatores se combinaram para pressionar a divisa norte-americana para baixo:

  • Políticas comerciais de Trump: As tarifas comerciais impostas pelo governo Trump, com suas idas e vindas, criaram incertezas e preocupações sobre a saúde econômica dos EUA.
  • Questões fiscais: A complicada situação fiscal do país e o debate em torno do pacote fiscal do governo estão no radar dos investidores.
  • Expectativa de cortes de juros: O Federal Reserve (Fed) sinalizou um ciclo de cortes na taxa de juros americana, com o mercado precificando vários reduções de 0,25 ponto percentual até o final de 2026. Taxas de juros mais baixas tornam aplicações em dólar menos atrativas.
  • Preocupações institucionais: Críticas públicas do presidente Trump ao chairman do Fed, Jerome Powell, geraram receios sobre a independência do banco central americano.

Impacto global e o caso brasileiro

A desvalorização do dólar não é um fenômeno isolado. A moeda norte-americana recuou frente a 24 das 27 grandes economias do mundo em 2025. Enquanto isso, o euro se valorizou cerca de 13%, contrariando previsões iniciais de que ficaria em paridade com o dólar.

No Brasil, o cenário se reflete em uma cotação do dólar comercial em torno de R$ 5,28, acumulando uma queda anual de aproximadamente 14%. Esse movimento é impulsionado pelo amplo diferencial de juros entre a Selic, mantida em 15% ao ano pelo Banco Central do Brasil, e a taxa básica dos EUA, que vem sendo reduzida. Esse ambiente atrai investidores estrangeiros em busca de maiores retornos, aumentando a demanda por reais e fortalecendo a moeda nacional.

Perspectivas futuras

Analistas projetam que a pressão de baixa sobre o dólar pode continuar. Um relatório do BTG Pactual, por exemplo, vê espaço para o dólar chegar à faixa de R$ 4,60 no médio prazo. O boletim Focus, do Banco Central, estima um câmbio de R$ 5,50 para o final de 2025.

Além do cenário de juros, a própria postura do governo Trump influencia as expectativas. O presidente americano acredita que um dólar excessivamente forte prejudica a competitividade comercial dos EUA, defendendo uma moeda mais fraca.

Com informações de: Financial Times via NeoFeed, UOL Economia, BBC News Brasil, Investing.com, G1. ■

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