Siga nossas redes sociais
Logo     
Siga nossos canais
   
EUA isentam celulose e ferro-níquel brasileiros de tarifas em gesto que alivia setores
Decisão de Trump beneficia produtos que representaram US$ 1,84 bilhão em exportações em 2024, mas mantém taxação elevada sobre café e cacau
Economia
Foto: https://s2-g1.glbimg.com/7UBqjnESDIkwy3bvP1Wja65Y_8Y=/0x0:3840x2160/984x0/smart/filters:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/a/X/ylgZYPSnS63n1LE9ermw/globo-canal-5-20250904-2000-frame-16077.jpeg
Compartilhar:
■   Bernardo Cahue, 13/09/2025

Em uma revisão de sua política tarifária, o governo dos Estados Unidos retirou as sobretaxas de 10% e 40% incidentes sobre as exportações brasileiras de celulose e ferro-níquel. A medida, formalizada pela Ordem Executiva nº 14.346 em 5 de setembro de 2025, isenta esses produtos de tarifas adicionais que vigoravam desde abril e julho deste ano.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras desses itens aos EUA totalizaram US$ 1,84 bilhão em 2024, equivalentes a 4,6% do total vendido ao mercado norte-americano. Desse montante, a celulose destacou-se com US$ 1,55 bilhão, especialmente nas categorias de pastas químicas de madeira conífera e não conífera.

Impacto nas exportações

Com a isenção, 25,1% das exportações brasileiras para os EUA – equivalentes a US$ 10,1 bilhões – estão agora livres de tarifas adicionais. No entanto, 34,9% (US$ 14,1 bilhões) permanecem sujeitos à taxação total de 50%, incluindo produtos como café e cacau. Outros 16,7% (US$ 6,8 bilhões) continuam pagando apenas a tarifa de 10%, enquanto 23,3% (US$ 9,4 bilhões) estão sujeitos a tarifas específicas aplicadas a todos os países, como as previstas na Seção 232 da lei comercial norte-americana.

Benefícios setoriais e exceções

A decisão beneficia majoritariamente as empresas de celulose, como Suzano e Klabin, que são líderes globais no setor. Segundo o Instituto Brasileiro de Árvores (Ibá), a isenção garante "fôlego às exportações" e reforça a importância estratégica do produto . No entanto, papéis e painéis de madeira (MDF e MDP) mantêm taxas de 50% e 40%, respectivamente.

Além da celulose e ferro-níquel, outros dez produtos tiveram a tarifa de 10% removida, mas seguem sujeitos à sobretaxa de 40% – caso de minerais brutos, níquel e herbicidas, que somaram US$ 113 milhões em exportações em 2024 . Por outro lado, sete itens relacionados a insumos químicos e plásticos industriais passaram a pagar tarifas adicionais de 10%, totalizando US$ 145 milhões em vendas impactadas.

Reações do governo brasileiro

O vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, classificou a medida como "um avanço" para o setor de celulose, mas ressaltou que "ainda há muito a ser feito" para reduzir barreiras comerciais . O governo federal continua em negociações para ampliar as exclusões tarifárias e mitiga impactos por meio de linhas de crédito, como o plano de R$ 30 bilhões do BNDES para empresas afetadas.

Contexto das tarifas

As sobretaxas foram inicialmente impostas pelo governo Trump em abril (10% universal) e julho (40% adicional para o Brasil), justificadas por desequilíbrios comerciais e motivações políticas . Estudos preliminares indicam que o "tarifaço" provocou queda de 27,7% nas exportações brasileiras para os EUA entre julho e agosto de 2025, com impactos regionais heterogêneos.

Com informações de Agência Brasil, G1, IstoÉ Dinheiro, CartaCapital, R7, Gazeta do Povo, Valor Econômico, Folha de S.Paulo. ■

Mais Notícias