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Um contraste na divulgação de pesquisas de avaliação do governo Lula por parte do Grupo Globo tem suscitado questionamentos sobre critérios editoriais e possíveis influências no cenário político. Enquanto um levantamento do Ipespe de setembro já indicava uma reversão no humor do eleitorado, foi uma pesquisa de outubro da Quaest que recebeu cobertura massiva na TV, sendo anunciada como a primeira a mostrar um empate técnico entre aprovação e desaprovação em 2025. A análise dos dados e do contexto revela nuances que vão além dos percentuais brutos.
Em setembro, a pesquisa Ipespe, divulgada no dia 25, apontou que a administração petista era aprovada por 50% dos eleitores e reprovada por 48% – tecnicamente um empate, mas com a aprovação numericamente superior. Esse resultado, no entanto, não teve tão grande destaque na programação de televisão do grupo quanto a atual pesquisa da Quaest. A informação foi veiculada no site G1, de forma tímida, em um formato factual.
Já na quarta-feira (8 de outubro), a Globo deu amplo espaço à nova pesquisa Genial/Quaest, que mostrou o governo Lula com 48% de aprovação e 49% de desaprovação, destacando em sua cobertura que esta era a primeira vez desde janeiro que os índices empatavam. A pesquisa foi assunto no Jornal Nacional e ganhou análises aprofundadas em suas plataformas de notícias.
As justificativas para o diferente tratamento podem residir na metodologia e nas tendências captadas pela emissora. A Quaest, cuja série histórica é frequentemente utilizada pela mídia, vinha registrando uma recuperação consistente da popularidade de Lula após uma forte queda no meio do ano, tornando o empate de outubro um marco nessa trajetória de melhora. Seus levantamentos anteriores de setembro e agosto mostravam a desaprovação claramente à frente, com 51% contra 46% de aprovação. Já o Ipespe (antigo Ibope), em sua própria série temporal, já capturava uma melhora significativa que resultou no empate técnico de setembro.
O contexto político imediato também é fundamental. A pesquisa da Quaest de outubro é a primeira a medir o impacto de uma sequência de vitórias políticas do Planalto, como o encontro entre Lula e o presidente norte-americano Donald Trump na ONU e a aprovação na Câmara do projeto que isenta de Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil. Esses eventos parecem ter contribuído para a melhora nos índices, oferecendo um ângulo narrativo claro para as análises.
Contudo, a proximidade do ciclo eleitoral de 2026 inevitavelmente lança uma luz diferente sobre a cobertura de pesquisas. Com as eleições presidenciais se aproximando, cada movimento de opinião pública é escrutinado como um termômetro para a disputa. A escolha editorial de dar maior visibilidade a um instituto que confirma uma tendência de recuperação em um momento de conquistas políticas pode ser interpretada, por alguns setores, como uma forma de influenciar a narrativa predominante. É inegável que a exposição em um horário nobre de televisão tem um peso e um alcance muito maiores do que uma publicação em site, potencialmente formatando a percepção de um público mais amplo.
Em suma, a aparente discrepância na divulgação pode ser explicada por fatores metodológicos e contextuais legítimos. No entanto, em um ambiente político já polarizado e com a campanha eleitoral no horizonte, a análise crítica exige que se observe não apenas os números, mas também quem os divulga, quando e com qual intensidade. O debate sobre o papel da mídia na construção da realidade política permanece mais relevante do que nunca.
Com informações de: Cartacapital, CNN Brasil, G1, Quaest, UOL. ■