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Discrepâncias na contagem de manifestações geram críticas sobre imparcialidade
Estimativas de público em atos políticos no 7 de Setembro revelam divergências metodológicas e possíveis viéses ideológicos
Editorial
Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSq65YrxmGgIN_y58Uhs2cjMHr1ES43sdjDsh6V3oq0vt4DJpQlKNKI3CHf&s=10
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■   Bernardo Cahue, 07/09/2025

As manifestações ocorridas no 7 de Setembro de 2025, durante o feriado da Independência, expuseram não apenas a polarização política no Brasil, mas também controvérsias significativas na contagem de participantes e na cobertura midiática. Enquanto os atos pró-anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aos condenados por crimes golpistas de 8 de janeiro foram amplamente divulgados, as manifestações contrárias à anistia e em defesa da soberania nacional enfrentaram questionamentos sobre a precisão de suas estimativas de público.

Em São Paulo, cidade considerada um polo bolsonarista, o ato contra a anistia na Praça da República foi inicialmente reportado com números que variaram drasticamente. Enquanto o Monitor do Debate Político do Cebrap/USP estimou 8,8 mil participantes no auge do evento, o portal Poder360 afirmou que apenas 4,3 mil pessoas estiveram presentes. Essa disparidade foi atribuída a metodologias distintas: o primeiro usou software de inteligência artificial para análise de fotos aéreas, enquanto o segundo alegou que a densa arborização da praça prejudicou a precisão da contagem por drone.

Críticos apontam que as estimativas foram realizadas fora do horário de pico das manifestações. O monitoramento da USP considerou imagens entre 9h46 e 11h35, mas não cobriu períodos posteriores, quando o evento potencialmente atingiu maior público. Além disso, não houve menção à contagem de participantes do Grito dos Excluídos, movimento tradicional que ocorreu simultaneamente em várias cidades e que carregava pautas alinhadas contra a anistia e em defesa da democracia.

No Rio de Janeiro, onde o governador Cláudio Castro (PL) abertamente apoia a anistia, o Grito dos Excluídos reuniu milhares de pessoas no centro da cidade, com pautas que incluíam:

  • Oposição à anistia para golpistas
  • Defesa da soberania nacional contra interferências internacionais
  • Críticas à política externa norte-americana
  • Reivindicações por justiça social e tributária
Esses números, no entanto, não foram integrados às estimativas gerais das manifestações contra a anistia, levantando suspeitas de subnotificação deliberada.

Os estados de São Paulo e Rio são governados por aliados de Bolsonaro – Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Cláudio Castro (PL), respectivamente –, o que influencia a narrativa local e a divulgação de dados. Tarcísio, por exemplo, discursou no ato pró-anistia na Avenida Paulista, classificando a atuação do ministro Alexandre de Moraes como "tirania" e defendendo anistia "ampla e para todos".

Além da subnotificação, observa-se uma divergência metodológica entre fontes:

  1. A USP utilizou software chinês "Point to Point Network" para contar pessoas em fotos aéreas.
  2. O Poder360 alegou que a vegetação da Praça da República impossibilitou uma contagem precisa por drone.
  3. Nenhum dos métodos considerou a adesão ao Grito dos Excluídos, que teve participação significativa.

O contexto político mais amplo inclui:

  • O julgamento de Bolsonaro no STF por tentativa de golpe.
  • A pressão do PL e de parte do chamado Centrão pela anistia no Congresso.
  • As tarifas comerciais impostas por Trump ao Brasil, interpretadas como ingerência norte-americana.

Em suma, a discrepância nos números e a não contabilização de eventos como o Grito dos Excluídos sugerem um viés categórico na divulgação das estimativas, potencialmente alinhado aos interesses de governos estaduais bolsonaristas. A completa dimensão das manifestações contra a anistia permanece subrepresentada, enquanto os atos pró-anistia recebem ampla cobertura e apoio institucional e do conglomerado de imprensa.

Com informações de: G1 Globo, Agência Brasil, Poder360, Brasil de Fato, BBC Brasil. ■

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