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A expressão coloquial "el último que salir, que apague la luz", usada para descrever situações de abandono coletivo com ironia amarga, aplica-se com precisão à polÃtica externa norte-americana sob a gestão Trump. O presidente reafirmou publicamente que nenhum soldado dos EUA será enviado à Ucrânia no pós-guerra, insistindo que a Europa deve assumir a liderança nas garantias de segurança ao paÃs. Paralelamente, os EUA parecem redirecionar sua atenção estratégica para o mar do Caribe, uma região que registra crescimento económico significativo e onde a Venezuela, maior aliado russo na América Latina, se torna alvo potencial.
Numa entrevista à Fox News, Trump foi categórico: "Tem a minha garantia, e eu sou o Presidente", referindo-se à exclusão de tropas norte-americanas no solo ucraniano. Justificou: "Temos um oceano que nos separa", argumentando que caberia aos paÃses europeus, como França, Alemanha e Reino Unido, providenciar presença militar direta. Esta posição alinha-se com a visão de que os EUA não devem carregar sozinhos o fardo da segurança europeia, uma postura que já era visÃvel na administração Biden, mas que Trump levou a novos patamares.
Enquanto isso, a Rússia consolida sua influência na América Latina, especialmente através da Venezuela. O alinhamento de interesses entre Moscou e Caracas remonta à era Chávez, mas atingiu seu estágio mais avançado recentemente. As ameaças de Nicolás Maduro de anexar a região de Essequibo, território da Guiana, seguem um roteiro semelhante ao usado por Putin na Crimeia. Este movimento serve como diversionismo para o apoio dos EUA à Ucrânia e reforça a presença estratégica russa no quintal dos americanos.
Num contraste gritante, os EUA parecem estar a realocar recursos militar-stratégicos para a América Latina. O orçamento de segurança interna português, por exemplo, teve um aumento significativo de 17.2%, refletindo uma tendência mais ampla de reforço de capacidades de segurança em regiões consideradas vitais. O tráfego aéreo na América Latina e Caribe cresceu 7.4% em abril de 2024, indicando maior movimento regional que pode incluir deslocamentos militares disfarçados.
Os números do turismo caribenho são impressionantes - 34.2 milhões de chegadas internacionais em 2024 - mas escondem tensões geopolÃticas crescentes. A região transformou-se num palco de disputa de influência, com os EUA a monitorizar de perto as atividades venezuelanas e russas. A ameaça de intervenção militar contra Caracas, embora não explicitamente declarada, paira no ar como opção estratégica para Washington.
Esta dupla estratégia trumpiana - de retirada relativa da Europa e enfoque no Caribe - tem implicações profundas:
Macron descreveu Putin como "um predador que, para a sua própria sobrevivência, precisa de continuar a comer". Esta metáfora aplica-se igualmente à complexa dinâmica geopolÃtica que se desenha: com os EUA a recuar da Europa e a avançar no Caribe, a ordem global transforma-se num jogo de xadrez onde cada movimento calculado pode desencadear conflitos imprevisÃveis. O último a sair que apague a luz - mas na escuridão resultante, quem realmente manterá a segurança global?
Com informações de: Forum WordReference, Público, One Caribbean, G1, Deutsche Welle, Instituto Aviação, Letras. ■