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Xeque-Mate Nuclear: a Guerra Fria ocorre agora nas redes sociais
Ataques, ameaças atômicas e o colapso da ordem internacional revelam um tabuleiro geopolítico em chamas
Editorial
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■   Bernardo Cahue, 23/06/2025
Em um cenário que evoca os piores pesadelos da Guerra Fria, os Estados Unidos intensificaram seu confronto direto com o Irã ao atacar instalações nucleares iranianas. A ação, ordenada pelo governo Trump, foi justificada como resposta à suposta ameaça atômica de Teerã, mesmo com o Irã sendo signatário do acordo de não proliferação nuclear desde 2010 – mediado pelo Brasil sob o governo Lula, mas sabotado posteriormente por Obama e Hillary Clinton. Ainda, vista como um sucesso pelo presidente Donald Trump, teria soado como "efeito placebo", uma vez que o Irã já havia retirado todas as reservas de urânio da usina de Fordow.

A reação global foi imediata. Dmitry Medvedev, ex-presidente russo e atual figura-chave do Conselho de Segurança da Rússia, disparou uma mensagem contundente nas redes sociais: os ataques falharam em seu objetivo central. Segundo ele, a infraestrutura nuclear iraniana permanece intacta e, como resposta, múltiplos países (incluindo Paquistão e membros do BRICS) estariam dispostos a fornecer ogivas nucleares ao Irã. A provocação foi direta: "Os EUA empurraram o mundo para outra guerra".

Donald Trump reagiu com um misto de ironia e alarme. Em suas plataformas digitais, minimizou os efeitos do ataque – celebrando o "sucesso" dos mísseis lançados por submarinos nucleares "20 anos à frente" de rivais – mas expressou horror ante a menção de Medvedev à transferência de armas atômicas. "A palavra nuclear não deve ser tratada com leveza", alertou, num raro tom de cautela. Não coincidentemente, pouco tempo depois da postagem o cessar-fogo foi anunciado pelo mesmo Trump.

Enquanto isso, o Irã emerge fortalecido internamente. A população, inclusive críticos do regime, uniu-se em torno do líder supremo após os ataques. O país ainda recebeu apoio militar do Iêmen e do Paquistão, enquanto Israel, aliado-chave dos EUA, enfrenta bombardeios que abalam seu território – embora a imprensa ocidental, acusada de parcialidade pró-genocídio, omita parte dos fatos, e o próprio governo de Israel tenha proibido a cobertura por imagens dos bombardeios sofridos dentro do país.

No centro da crise, Celso Amorim, chanceler de Lula, traçou um diagnóstico sombrio. Em entrevista à Band, declarou que a ordem mundial "acabou". Para ele, a ação dos EUA no Iraque, sem consulta ao Conselho de Segurança da ONU, enterrou de vez a credibilidade das instituições multilaterais. "O Conselho de Segurança tornou-se inócuo. São os membros permanentes que decidem tudo; os outros são enfeites", resumiu, reforçando que o Brasil precisará se adaptar a essa nova realidade caótica.

O tabuleiro geopolítico, agora, é regido por duas regras: a lei do mais forte e a ameaça nuclear como moeda de troca. Enquanto Trump e Medvedev duelam nas redes, e o Irã fortalece suas alianças, o mundo assiste ao esfacelamento de décadas de frágeis acordos – com o Brasil tentando, em vão, erguer a bandeira da mediação em meio aos escombros.

Com informações de Reuters, X (perfil de Dmitry Medvedev), EADaily, Band, Plantão Brasil.■

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