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O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, afirmou em uma proposta de delação premiada que os dirigentes do União Brasil ACM Neto e Antônio Rueda teriam atuado para intermediar a entrada de recursos de institutos de previdência estaduais no banco em troca de uma comissão equivalente a 10% dos valores aportados. A informação foi revelada nesta quinta-feira (10) pelos jornalistas Cézar Feitoza, Fabio Serapião e Natália Portinari, do UOL, e repercutida por diversos veículos.
De acordo com o relato apresentado na terceira proposta de delação de Vorcaro, ACM Neto e Rueda teriam aberto portas para o Master junto a institutos de previdência do Rio de Janeiro, do Amapá e do Amazonas, além da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae). A atuação dos dois políticos teria permitido ao banco captar aproximadamente R$ 2 bilhões.
Vorcaro sustentou que havia uma regra segundo a qual o grupo político responsável pela captação teria direito a 10% do investimento ou a 1% por ano durante o período em que o dinheiro permanecesse aplicado no banco. Se aplicada aos R$ 2 bilhões mencionados, a comissão de 10% representaria uma obrigação de aproximadamente R$ 200 milhões. O documento, porém, não informa quanto desse montante teria sido efetivamente pago.
Os aportes e os valores envolvidos
Os quatro investidores institucionais que Vorcaro atribui à atuação de Rueda e ACM Neto aplicaram cerca de R$ 3,62 bilhões no Master. A soma inclui:
O ex-banqueiro estimou em R$ 2 bilhões a captação atribuída especificamente à movimentação política e calculou uma obrigação de R$ 200 milhões, mas não informou quanto teria pago de fato.
A conta corrente gerencial e as formas de repasse
Na proposta de delação, Vorcaro afirmou que a frequência das operações teria levado o banco a manter uma espécie de conta corrente gerencial dos valores que os políticos teriam a receber. O banqueiro atribuiu a ACM Neto quatro modalidades de repasse:
No caso de Rueda, Vorcaro citou pagamentos em espécie por meio de empresas e pessoas ligadas a Augusto Lima e Antônio Freixo, além de contratos entre empresas do conglomerado Master e o escritório Rueda & Rueda Advogados. Segundo o material apresentado, esses contratos poderiam prever, somados, pagamentos próximos de R$ 3 milhões mensais ao escritório ligado a Rueda.
Vorcaro também afirmou que os dois teriam intermediado outros negócios envolvendo o banco, incluindo a captação de investidores institucionais e a intermediação junto ao Banco de Brasília (BRB), mediante o pagamento de vantagens indevidas. Em relação ao BRB, o relato descreve que Rueda teria intermediado uma aproximação com o então presidente da instituição, Paulo Henrique Costa, em 2024, quando o banco público enfrentava dificuldades para viabilizar um aumento de capital estimado em R$ 1 bilhão. O encontro teria ocorrido na casa de Rueda, em Brasília. Segundo a narrativa, o grupo ligado ao Master teria aplicado aproximadamente R$ 750 milhões no banco, e o BRB teria adquirido cerca de R$ 6 bilhões em carteiras do Master durante 2024.
Rejeição da delação e defesas dos citados
A proposta de colaboração de Vorcaro não foi aceita pela Polícia Federal nem pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A PF e a PGR rejeitaram as propostas de colaboração por avaliarem que faltavam informações inéditas e garantias para a devolução de valores ligados às fraudes investigadas. O ex-banqueiro tenta retomar as negociações, sem êxito até agora.
ACM Neto classificou as acusações como absurdas, completamente fantasiosas e mentirosas. Em sabatina, o candidato ao governo da Bahia chamou a delação de grande mentira e prometeu renunciar se for pego com propina.
Rueda negou irregularidades e disse ter dificuldade em se pronunciar sobre documento ao qual não teve acesso. Em março de 2026, o presidente do União Brasil havia admitido que prestou serviços de advocacia para o Banco Master, após inicialmente negar qualquer relação profissional com Vorcaro. Em sua defesa, afirmou que a atividade é legítima, regular e plenamente compatível com o exercício da advocacia, reforçando que sua atuação foi estritamente técnica.
A defesa de Augusto Lima classificou o relato como fictício e um verdadeiro absurdo.
Contexto das investigações
As novas acusações se somam a uma rede de relações políticas que vem sendo revelada desde o início das investigações sobre o Master. A investigação sobre os dois políticos veio à tona após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgar um relatório da PF que cita a suposta demora do ministro André Mendonça em autorizar uma operação contra Rueda. Os dois negam irregularidades e dizem que as acusações são falsas.
Além disso, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) condenou Daniel Vorcaro e o Banco Master por fraude envolvendo o fundo imobiliário Brazil Realty, aplicando multa de R$ 20 milhões ao ex-banqueiro e R$ 12,5 milhões à instituição. O colegiado da CVM aplicou, ao todo, R$ 201,5 milhões em punições a Vorcaro, parentes e ao banco.
Com informações de Revista Fórum, BNews, Bahia Notícias, UOL, O Hoje, Diário do Centro do Mundo, Bahia Econômica, A Tarde, Jurinews, InfoMoney, Poder360, Folha de S.Paulo, Metrópoles, Agência Brasil, TV Brasil, Extra, Gazeta ■