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Mensagens obtidas por veículos de imprensa revelam que o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, comemorou em conversas privadas a apresentação de uma emenda pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) que beneficiaria diretamente a instituição financeira.
Em 13 de agosto de 2024, no mesmo dia em que Ciro Nogueira apresentou a proposta no Congresso, Vorcaro enviou mensagem à sua namorada, Martha Graeff, celebrando a iniciativa. "Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica no mercado financeiro!", escreveu o banqueiro. "Ajuda os bancos médios e diminui poder dos grandes. Está todo mundo louco", completou, acrescentando que "todo mundo me ligando. Sentiram o golpe".
A emenda foi apresentada por Ciro Nogueira à PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 65 de 2023, que trata da autonomia financeira do Banco Central. A proposta do senador sugeria quadruplicar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF ou CNPJ. Críticos apontaram que a mudança ampliaria o colchão de proteção para bancos médios fortemente dependentes de captação com papéis lastreados no FGC, perfil associado ao modelo de negócios do Master. O relator da PEC, senador Plínio Valério (PSDB-AM), rejeitou a emenda.
As mensagens também evidenciam a proximidade entre o banqueiro e o senador. Em maio de 2024, Vorcaro informou à namorada que iria direto do aeroporto para uma reunião com Ciro, a quem classificou como "muito amigo meu" e "um dos meus grandes amigos de vida". Os diálogos, que integram documentos analisados pela CPI do INSS, mencionam ainda encontros frequentes, jantares e reuniões entre os dois ao longo de 2024 e 2025.
Procurado, Ciro Nogueira afirmou, por meio de nota, que "mantém diálogos por mensagens com centenas de pessoas, o que não o torna próximo apenas por, eventualmente, interagir com elas" e que está "tranquilo quanto às investigações da Polícia Federal". O senador também já havia negado que a proposta tivesse relação com o Banco Master, alegando que o valor do FGC não era corrigido pela inflação há dez anos.
Caso tivesse sido aprovada, a mudança teria implicado em um rombo ainda maior no FGC. O fundo projeta um resgate de R$ 41 bilhões para cobrir depositantes e investidores do grupo Master, o maior da história.
Com informações de: UOL, O GLOBO, O Fator, Revista Fórum, Diário do Estado, Real Radio TV Brasil ■