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Cúpula do Banco Master acessou sistemas sigilosos segundo investigação
Grupo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro é suspeito de usar credenciais falsas para monitorar adversários e autoridades
America do Sul
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■   Bernardo Cahue, 05/03/2026

A Polícia Federal concluiu que integrantes do grupo comandado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, acessaram indevidamente sistemas restritos de órgãos de investigação no Brasil e no exterior. A informação consta na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou nesta quarta-feira (4) uma nova fase da Operação Compliance Zero e determinou a prisão de Vorcaro e de outros suspeitos.

Segundo as investigações, o responsável técnico pelas invasões era Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como "Sicário". Ele é apontado como coordenador operacional de um grupo informal chamado "A Turma", estrutura privada montada para realizar vigilância, coleta de informações e intimidação de pessoas consideradas adversárias do grupo econômico. De acordo com a PF, Mourão utilizava credenciais funcionais de terceiros para obter informações protegidas por sigilo institucional.

A partir dessa metodologia, a Polícia Federal identificou acesso indevido aos seguintes sistemas:

  • Polícia Federal (PF) – sistemas internos da própria corporação.
  • Ministério Público Federal (MPF) – extração de dados sigilosos de investigações.
  • Federal Bureau of Investigation (FBI) – organismos internacional dos Estados Unidos.
  • Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) – base de dados da polícia internacional.

Ainda de acordo com a decisão, as informações obtidas ilegalmente eram repassadas a integrantes do núcleo de cúpula da organização, que definiam estratégias para remoção de conteúdos digitais e monitoramento de alvos. Entre as vítimas estão concorrentes empresariais, ex-funcionários e jornalistas. Em diálogos apreendidos, Vorcaro sugere ações violentas contra o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.

Os investigadores apontam que Mourão recebia cerca de R$ 1 milhão por mês pelos serviços ilícitos, pagos por meio de contratos simulados operacionalizados por Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, que também teve a prisão decretada. O grupo incluía ainda Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado, que usava seus contatos na corporação para obter dados sigilosos.

Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro negou as acusações. "A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta. Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições".

Com informações de CNN Brasil, G1, Agência Brasil, Correio Braziliense, UOL, Hora do Povo, Tribuna do Norte, Diário do Centro do Mundo, Congresso em Foco ■

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